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Marquises malconservadas trazem riscos


Por Michele Meireles

05/04/2013 às 06h00

Vegetação na estrutura é indício da falta de manutenção

Vegetação na estrutura é indício da falta de manutenção

Mofo, vegetação, sujeira e rachaduras. Estes são alguns dos problemas encontrados em marquises da região central de Juiz de Fora e que acabam expondo a riscos milhares de pedestres que passam embaixo das estruturas diariamente. Em outubro de 2011, a Tribuna visitou vários pontos do Centro. Um ano e meio depois, a reportagem voltou aos mesmos locais e a constatação é preocupante: a conservação das estruturas não foi melhorada, ao contrário, elas estão cada vez mais degradadas. Para o engenheiro civil, especialista em estruturas de concreto, Pedro Kopschipz, com o somatório de falhas é "perfeitamente possível falar em colapso da estrutura, podendo acontecer acidentes graves". A pedido da Tribuna, o engenheiro Eduardo Barros Millen, membro do conselho deliberativo da Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (Abece), analisou fotos de algumas marquises da cidade. Ele classificou a situação como "gravíssima" e afirmou que o recomendado é uma vistoria imediata para avaliar o grau de corrosão das estruturas.

A Avenida Getúlio Vargas, onde grande parte da extensão das calçadas da via serve como ponto de embarque de coletivos, é o local onde os problemas continuam a ser encontrados com mais facilidade. A Tribuna flagrou várias marquises com deformações, chamadas de flechas, como a localizada na esquina da Avenida Getúlio Vargas com a Rua Batista de Oliveira. Segundo o engenheiro da Abece, esse tipo de falha indica perda de estabilidade, causada, provavelmente, por corrosão de armaduras. Infiltrações e mofo também são encontrados com frequência. Segundo Eduardo Barros Millen, o quadro também pode ser um indício de corrosão das armaduras. "Marcas de umidade na face inferior demonstram percolação de água e, consequentemente, corrosão das armaduras, podendo chegar a colapso dependendo do grau de corrosão atingido."

Além da infiltração, algumas já apresentam vegetação. O engenheiro Pedro Kopschipz esclareceu que esse é um indício claro de má conservação. "A falta de manutenção leva ao acúmulo de folhas caídas de árvores, papel jogado pelos usuários do edifício, pontas de cigarro, plásticos. Tudo isso forma uma "massa" que entope a saída de água de chuva da marquise, impedindo o escoamento normal. Daí surge a vegetação, que pode crescer nessa massa ou mesmo criar raízes dentro do concreto."

O especialista alertou que "quando há raízes é certo que haverá infiltração de água e, finalmente, a patologia na estrutura propriamente dita, a corrosão do aço". De acordo com ele, mesmo que não haja vegetação, o fato da água não escoar também é perigoso, já que nem todas as marquises possuem uma camada de impermeabilização. "A água fica acumulada, acaba infiltrando-se para dentro do concreto, que é um material poroso. Estes locais ainda podem se tornar um criadouro do mosquito da dengue."

 

Sobrecarga também pode comprometer

Conforme o especialista em estruturas de concreto Pedro Kopschipz, as marquises são projetadas para suportar uma sobrecarga de utilização de cerca de 50 kg por metro quadrado. No Calçadão da Rua Halfeld, basta observar de cima dos prédios para encontrar prováveis abusos. Muitas marquises servem para armazenar os equipamentos de ar condicionado e caixas d’água de comércios e edifícios. "Colocar sobre as marquises equipamentos como ar condicionado e caixa d’água, como se vê nas fotos, ou usá-la para depósito, normalmente ultrapassa esse valor e não é programado pelo calculista, podendo ocasionar deformações na estrutura, com possibilidade de acidentes. Junte-se a isso a má conservação e tem-se um dos piores quadros em termos de segurança."

O mesmo alerta é dado pelo engenheiro da Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (Abece) Eduardo Barros Millen: "Marquises, em geral, não são projetadas para depósito de materiais, vasos ou jardins. Isso acarreta sobrecarga adicional e risco de perda de estabilidade."

De acordo com Pedro Kopschipz, no caso de letreiros pendurados na ponta da marquise, o peso está previsto no cálculo. "Se houver dúvida sobre risco ou se a carga ultrapassar o valor permitido, é aconselhável procurar um engenheiro para avaliação, que irá analisar cada caso individualmente."

 

Proprietários serão notificados

A chefe de fiscalização da Secretaria de Atividades Urbanas (SAU), Graciela Marques, informou que a pasta já realizou um levantamento das estruturas na região central, e os proprietários dos edifícios onde as marquises precisam de alguma adequação serão notificados nos próximos dias. "Os primeiros a receberem as notificações serão os da Rua Halfeld. Nossa grande preocupação é com o direcionamento das águas pluviais, já que o acumulo de água pode tornar estas estruturas em criadouro do mosquito da dengue." Graciela Marques esclareceu que o prazo para a adequação vai depender do tipo de problema identificado, porém os donos dos prédios onde as marquises estão acumulando água terão menos tempo.