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Cidade deve ter carros fumacê ainda este mês


Por Marina Sad

05/04/2013 às 06h00

UBV Costal não vai deixar de ser utilizado nas ruas

UBV Costal não vai deixar de ser utilizado nas ruas

Cada vez mais perto de uma epidemia de dengue, Juiz de Fora deve lançar mão do serviço de dedetização por meio do carro fumacê ainda este mês. Segundo a subsecretária de Vigilância em Saúde, Glênia Campos, as negociações para o início do serviço já começaram na Superintendência Regional de Saúde (SRS), tendo em vista que a autorização para o uso do inseticida é dada pelo Executivo estadual. Ainda nesta sexta, Glênia deve entregar a solicitação formal para início dos trabalhos à SRS. A previsão é de que a cidade receba em torno de sete veículos do Governo de Minas, que dispõem de 91 equipamentos adaptados para o trabalho e está adquirindo outros 30. No entanto, o total de veículos que serão disponibilizados para a cidade e a data do início dos trabalhos ainda não foram confirmados.

"O carro fumacê é utilizado somente em cenário de epidemia (a partir de 1.500 notificações), mas, como já estamos muito próximos disso, acredito que vamos conseguir a liberação," informa a subsecretária. Até a última quarta-feira, a cidade contabilizava 1.058 notificações e 682 casos confirmados de dengue. Apesar do número crescente de doentes, Juiz de Fora, até o momento, utiliza somente o chamado Ultra Baixo Volume (UBV) Costal, modalidade na qual o inseticida – em uma fórmula mais leve – é transportado numa espécie de mochila e borrifado pelos agentes de endemias.

Glênia explica que antes do início do fumacê veicular será necessário um planejamento de trânsito da Settra. "Os carros terão, eventualmente, que passar na contramão para fazer todas as frentes dos quarteirões. Já no Centro, o fumacê passaria aos sábados e domingos, para não atrapalhar muito o trânsito". Mesmo com a introdução do novo serviço, o UBV Costal não vai deixar de ser utilizado. A Secretaria de Saúde efetuou a contratação de 40 novos agentes de endemias, que vão passar por treinamento na próxima semana. Alguns deles serão escolhidos para ampliar a atuação do UBV que hoje conta com sete profissionais.

 

 

Novo sorotipo não está descartado

Para a subsecretária de Vigilância em Saúde, Glênia Campos, há chances de Juiz de Fora ter em circulação o sorotipo 4 da dengue. A hipótese já havia sido levantada pelo epidemiologista Evandro Tomasco e pelo próprio prefeito Bruno Siqueira, em entrevista à Tribuna. "Como Minas Gerais tem (o sorotipo 4), possivelmente nós também temos". Ela acrescenta, ainda, que os médicos já notam a presença de sintomas diferentes nos pacientes. "Pode ser um resposta individual à dengue ou outro tipo de vírus circulando".

 

Impacto no SUS

Diante de uma epidemia, a cidade já observa impactos importantes nas redes pública e privada de Saúde. A Tribuna visitou as Uaps do Retiro e do Santo Antônio – ambos na Zona Sudeste -, bairros que apresentam o primeiro e o terceiro maiores índices de infecção (com 65 e 53 casos, respectivamente, até o último domingo). No Retiro, a média é de 15 atendimentos/dia de pacientes com suspeita da doença. No Santo Antônio, a costureira Érica Jaciara Silva, moradora do bairro, aguardava nesta quinta-feira (04) para fazer o exame de sangue que confirmaria o diagnóstico. Segundo ela, seus dois filhos já tiveram a confirmação da doença e um sobrinho, que mora no mesmo terreno, também contraiu a moléstia. "Na minha rua quase todo mundo já pegou dengue", acrescenta.