Baixa procura por mamografia preocupa especialistas em JF
O câncer de mama é o mais incidente e a causa mais frequente de morte na população feminina mundial. No Brasil, a doença também está entre as mais recorrentes entre mulheres. Em Juiz de Fora, somente no ano passado, foram registrados 64 óbitos pela moléstia. Apesar de as estatísticas sinalizarem para a necessidade de prevenção efetiva, a busca pela mamografia, método mais eficaz para detectar o câncer de mama, ainda está abaixo do esperado no município. A situação preocupa porque um dos fatores que dificultam o tratamento é justamente a descoberta da doença em estágio já avançado.
Conforme a Secretaria de Saúde, as unidades que disponibilizam o serviço são o Centro de Atenção à Saúde do Hospital Universitário (HU/CAS), com 1.964 exames por mês; a Agência de Cooperação Intermunicipal em Saúde Pé da Serra (Acispes), com 800; e a Associação Feminina de Prevenção e Combate ao Câncer em Juiz de Fora (Ascomcer), com 957. Entretanto, as unidades informam números diferentes. A oferta mensal de mamografias seria de 500 na Acispes e 600 na Ascomcer.
A gerência da Ascomcer informa que todas as vagas disponibilizadas para o exame são preenchidas. Já na Acispes, a situação é bem diferente. Em 2011, somente 20,3% das mamografias destinadas a pacientes da cidade foram realizadas. Dos cerca de seis mil exames anuais, foram efetuados 1.218. "A Acispes abre a agenda para as pacientes. Precisamos da procura", declara o diretor-executivo, Sidnei Scalioni, reforçando a necessidade da prevenção. "A atenção primária deveria fazer a captação das pessoas que precisam fazer a mamografia. Esperar a procura espontânea é difícil."
Hospital escola
No HU/CAS, o teste é feito através do programa "Viva vida", do Governo do estado, que atende 37 municípios da microrregião. Segundo dados da assessoria do unidade, a meta para 2011 era realizar 23.568 mamografias, mas apenas 6.794 foram efetivadas, o que corresponde a cerca de 29% do previsto. Ainda conforme a assessoria, isso se deve, em grande parte, a problemas no encaminhamento das pacientes ao hospital. "Não somos uma instituição de ‘portas abertas’, mas qualquer unidade onde haja atenção primária pode emitir a guia de encaminhamento", explica o coordenador médico do centro, Edval Nacle Stefen.
O médico também avalia que a baixa pelo teste pode ser cultural. "Os tratamentos preventivos começaram a ser mais valorizados no Brasil recentemente, portanto muitas pessoas ainda não têm este hábito", pondera.
Quase 53 mil novos casos em 2012
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), para este ano estima-se que ocorram 52.680 novos casos da doença no país, o que representa uma incidência de 52,5 casos por cada cem mil mulheres. A subsecretária de Atenção Primária à Saúde de Juiz de Fora, Adriana Barcelos, explica que, a partir dos 40 anos, as pacientes devem fazer mamografia anualmente. Depois dos 50, o exame pode ser feito em um intervalo máximo de dois anos. Mulheres que apresentam fatores de risco como, por exemplo, casos de parente de primeiro grau que tenham tido câncer de mama, seja do sexo feminino ou masculino; mulheres que já tenham recebido diagnóstico de lesão pré-maligna; além daquelas que já tiveram a doença em uma das mamas, devem iniciar o procedimento a partir dos 35 anos, com exames clínicos anuais. "É importante trabalhar com a prevenção porque a incidência do câncer de mama vem aumentando."
Adriana explica que o pedido de exame pode ser feito por um médico ou enfermeiro de uma unidade de atenção primária à saúde (Uaps). Em seguida, o pedido deve ser levado à Central de Marcação, no prédio do PAM-Marechal, que faz o direcionamento para as unidades que realizam o exame. Como a procura é pequena, não há fila de espera.
Auditoria
No ano passado, o Ministério da Saúde realizou uma auditoria nos mamógrafos do SUS de 723 municípios do país, sendo 131 em Minas, incluindo Juiz de Fora. A constatação foi que cerca de 15% dos equipamentos de mamografia no país estavam sem uso. O resultado da auditoria não aponta a situação dos aparelhos por municípios, mas revela que, dos mamógrafos em funcionamento, 44% ficam em unidades de saúde no Sudeste, onde há 669 aparelhos disponíveis. Por sua vez, em Minas Gerais, dos 211 equipamentos, 36 estão inoperantes, o maior número absoluto de mamógrafos fora de operação em todo o país.









