Grávida torturada pelo companheiro perde bebê

Agressão teria acontecido no Bairro Borboleta
Um homem de 29 anos foi preso pela equipe da 4ª Delegacia de Polícia Civil, suspeito de torturar e manter em cárcere privado sua companheira, 20. A jovem estava grávida de 6 meses, e, depois de mais de 24 horas de agressões, ela perdeu a criança. De acordo com a delegada à frente do caso, Patrícia Teixeira de Souza, a mulher foi amarrada com fios de metal, teve cordas amarradas no pescoço e foi atingida com golpes de vassoura e cabo de enxada. Além disso, o suspeito teria jogado uma máquina de lavar, do tipo tanquinho, contra ela. O crime ocorreu no dia 22 de setembro, no imóvel onde o casal morava, no Bairro Borboleta, Cidade Alta. A Polícia Civil acredita que a tortura foi assistida pelo filho da vítima, de 4 anos. Desde então, a mulher está internada em estado grave na UTI do Hospital Maternidade Therezinha de Jesus.
A delegada contou que, por volta das 16h do último dia 22, a própria vítima teria acionado o Samu. Quando deu entrada na instituição hospitalar, ela já se encontrava em estado grave e, horas depois, acabou perdendo o bebê do sexo masculino. A Polícia Militar foi acionada, e a vítima alegou aos policiais que os ferimentos haviam sido causados por três homens desconhecidos, que a teriam agredido no Bairro Eldorado, Zona Nordeste.
A mulher teria escondido o caso por medo de vingança. "Ela apresentava marcas de estrangulamento, tinha os pulsos roxos e muitas escoriações. Começamos a investigar o caso e, durante o decorrer do inquérito, ela acabou confessando a uma assistente social que o autor era o companheiro. Ele teria dito a ela que se contasse a verdade, ele mataria o filho da vítima", disse Patrícia. O menino é filho do irmão do suspeito, com quem a vítima foi casada. Ela teria se envolvido com o suspeito depois da morte do marido.
A titular da 4ª Delegacia contou ainda que, para evitar que amigos e familiares soubessem a verdade, o suspeito ficava ao lado da vítima durante todo o horário da visita no hospital. "Colocamos dois policiais civis disfarçados de médicos para monitorarem as visitas e ajudar a desvendar o caso, e, na noite de quinta-feira, quando o autor deixava o hospital, foi preso pela nossa equipe."
Apesar de a jovem nunca ter registrado boletim de ocorrência contra o companheiro, com quem estava junto há cerca de um ano, familiares dela disseram em depoimento que o suspeito a agredia com frequência. "O casal morava em Três Rios (RJ), e ela havia voltado para a casa da mãe em Juiz de Fora, há cerca de três meses, justamente por causa das agressões sofridas. A mãe dela contou que deixou a casa por causa da violência sofrida pela filha. O autor veio atrás da vítima, e eles acabaram voltando", afirmou Patrícia Teixeira.
Segundo a delegada, o inquérito ainda está em andamento, e o suspeito foi preso por lesão corporal gravíssima, que ocasionou o aborto. A guarda do filho da vítima está com a avó materna. Segundo a assessoria de comunicação do Hospital Maternidade Therezinha de Jesus, a jovem agredida permanece na UTI em estado grave e estável. O homem prestou depoimento e voltou para o Ceresp.








