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Cidade testa drogas de nova geração


Por LIDIANE ABREU

04/09/2011 às 07h00

Uma equipe de pesquisadores juiz-foranos trabalha em um estudo internacional com o objetivo de avaliar novas drogas para o tratamento do lúpus e da artrite reumatoide, doenças inflamatórias autoimunes que podem incapacitar os portadores. A expectativa é de que as novas substâncias atuem bloqueando o desenvolvimento das enfermidades, e não só minimizando os sintomas. Dessa forma, além de assegurar qualidade de vida para os pacientes, também seria ampliada a expectativa de sobrevivência, evitando-se a evolução da doença para quadros como deformações nas articulações e, até mesmo, insuficiência renal. Ao longo das próximas semanas, os especialistas recrutarão pacientes interessados em se submeter aos novos tratamentos, em duas pesquisas para artrite e duas para lúpus. "São doenças com custos social e econômico altos, pois atingem gente jovem, que acaba perdendo cedo a capacidade produtiva. No entanto, quando as moléstias são tratadas precocemente, a pessoa leva uma vida normal," afirma o reumatologista Antônio Scafuto, do Centro Mineiro de Pesquisa (Cmip), responsável pelas pesquisas locais.

Segundo ele, os fármacos já tiveram a eficácia comprovada e estão em fase de aprovação. Os estudos em andamento buscam avaliar a dosagem e administração adequada para obter os resultados mais satisfatórios possíveis no tratamento das doenças. O Cmip trabalha hoje com 240 pacientes em 12 pesquisas. Além de testarem a dosagem, os voluntários também produzem relatórios sobre as possíveis reações aos medicamentos. Dependendo da relevância e da frequência dos relatos, os médicos avaliam os eventuais efeitos colaterais das drogas, que posteriormente serão descritos na bula comercial.

De acordo com o reumatologista, os remédios testados em Juiz de Fora fazem parte de uma segunda geração no tratamento da artrite reumatoide e do lúpus – as chamadas medicações biológicas – capazes de detectar as células "mal programadas", que atacam o próprio organismo, originando as doenças. "Essas drogas novas atuam somente sobre as moléculas que produzem a inflamação, agredindo menos o paciente do que as drogas atuais, como os corticóides, que, em altas doses, afetam o organismo inteiro," explica.

Vinte países

As pesquisas são coordenadas e patrocinadas por um laboratório internacional e acontecem em mais dez centros de pesquisa brasileiros e em vários outros em mais de 20 países, entre eles: Estados Unidos, França, Áustria e Japão. "Outra pesquisa, realizada em 2007, levou à aprovação pelo FDA (Foods and Drugs Administration, órgão regulador americano do mercado de alimentos e medicamentos, análogo à Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa) de uma droga que vem revolucionando o tratamento do lúpus, e já conta com boa aceitação na comunidade médica americana. Em breve, o medicamento deve ser comercializado no Brasil," aponta Scafuto.

 

Seleção de pacientes juiz-foranos

De acordo com o pesquisador responsável pelo Centro Mineiro de Pesquisa (Cmip), Antônio Scafuto, a entidade deve selecionar aproximadamente dez pacientes para participar de cada novo estudo realizado pela unidade em Juiz de Fora. No entanto, esse número pode variar, de acordo com as seleções dos demais laboratórios brasileiros que fazem parte da pesquisa. Os interessados em participar dos testes podem entrar em contato com os responsáveis pelo telefone 3312-8900. Além do diagnóstico preciso das doenças pesquisadas, os pacientes passam por um exame minucioso das condições de saúde para assegurar que os testes sejam precisos. Todo o tratamento é realizado sem custos para o paciente, que recebe os medicamentos gratuitamente. Os portadores de lúpus e artrite reumatoide também manterão o tratamento tradicional, que age sobre os sintomas. Além disso, é assegurado o acompanhamento laboratorial da doença.

As amostras biológicas recolhidas dos voluntários dos estudos serão encaminhadas para análise nos Estados Unidos. "Esse procedimento é importante para manter a confiabilidade dos testes, pois laboratórios distintos poderiam adotar diferentes padrões, interferindo no resultado final do estudo. Já a análise dos resultados será feita pelos médicos locais," explica o farmacêutico Alexandre Marcos Freitas Dias, que integra a equipe de pesquisadores.

A maioria dos fármacos que está em avaliação é injetável. Mas a forma e a frequência da administração varia de estudo para estudo. "Com isso, buscamos estabelecer em que circunstâncias o efeito é melhor, se há diferença quando a aplicação é mensal ou semanal," diz o farmacêutico. "Em alguns casos, a medicação pode ser feita, até mesmo, pelo próprio paciente em casa", aponta Scafuto.

Tratamento e sintomas

Apesar dos avanços das pesquisas, o tratamento biológico para lúpus e artrite reumatoide ainda é muito caro em relação aos medicamentos tradicionais, chamados de drogas de primeira linha, que englobam, entre outros, corticoides e anti-inflamatórios. "De 5% a 10% dos pacientes não respondem ao tratamento de primeira linha. A Secretaria de Estado da Saúde (SES) fornece alguns medicamentos biológicos mediante protocolo. Na rede privada, a Agência Nacional de Saúde (ANS) tem uma portaria, determinando que as operadoras de planos de saúde paguem o tratamento quando há indicação médica," informa Scafuto.

Em todos os casos, os cuidados são permanentes e a periodicidade das consultas deve ser avaliada pelo médico. "O importante é que o tratamento comece o mais cedo possível, pois o atraso pode comprometer a qualidade de vida do paciente. Às vezes, o doente demora meses até chegar a um reumatologista, porque os sintomas (ver quadro) demoram a chamar a atenção. Pode ser uma dor que não incomoda muito e, antes dos sinais propriamente ditos, o corpo dá mostras menos específicas, como cansaço frequente, sonolência, queda de cabelo, feridas na pele e anemia leve. O ideal é procurar um clínico, que poderá fazer o encaminhamento para o especialista."

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