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Duas pessoas baleadas no Campus da UFJF


Por Renata Brum

04/08/2013 às 07h00

Após a festa, anel viário amanheceu com lixo

Após a festa, anel viário amanheceu com lixo

Corrigida em 05/08/13 às 19h38

Um adolescente, de 15 anos, e um rapaz, 26, foram baleados na madrugada deste sábado (3) no campus da Universidade Federal de Juiz de Fora. Segundo a Polícia Militar, os dois saíram feridos após uma confusão generalizada, envolvendo grupos de bairros distintos, por volta das 3h. No campus, acontecia a festa de recepção aos calouros, na Praça Cívica, com shows do grupo Detonautas Roque Clube e DJ Célio Negrão. Militares da 99ª Companhia da PM, quase ao lado da instituição, socorreram as vítimas até o Hospital de Pronto Socorro (HPS). O rapaz de 26 anos, morador do Vila Alpina, sofreu perfuração no abdome, passou por cirurgia, e seu estado é considerado estável. Já o adolescente, do Bairro de Lourdes, foi atingido na perna, medicado e liberado. Segundo a PM, os autores dos disparos não foram identificados. 

(Os shows das bandas Babylon Brasil e Só Parênt, que estavam na programação do evento, não aconteceram.)

O evento foi o primeiro de grande porte que aconteceu após a queda da resolução que proibia a realização de festas no campus. A UFJF, por meio da Secretaria de Comunicação, lamentou o episódio e disse que irá apurar se o ocorrido teve ligação com alguma falha na realização do evento. Ainda segundo a secretaria, a princípio, todos os pontos do plano de execução, solicitados pela nova portaria, foram cumpridos pelo DCE, organizador da calourada, como contratação de seguranças e cercamento da área do evento.

Coordenadora geral do Diretório Central dos Estudantes, Laiz Perrut, disse que a confusão teria ocorrido fora da área cercada para os shows. "Oficialmente não nos chegou nada. O que ficamos sabendo é que houve uma briga perto do portão do São Pedro. Para entrar, todos estavam passando por revista pelos seguranças contratados. Tínhamos todas as autorizações, e havia também ambulância, toda uma infraestrutura para a festa. Lamentamos o que aconteceu, mas é complicado, pois não há como limitar o público dentro do campus, que é um espaço aberto. E a festa foi gratuita. Nossa preocupação, desde o início, estava relacionada às brigas de gangue, mas, além de contratar seguranças, comunicamos a Polícia Militar para que fizesse o policiamento no entorno."

A organização não soube divulgar quantas pessoas participaram da festa. Na manhã deste sábado, a estrutura do evento estava sendo desmontada, mas a sujeira deixada no entorno do anel viário desagradava também quem usa o espaço para corridas e caminhadas. "Está imundo. Tinha que ver o gramado como estava", comentou um usuário.

 

Polêmica

A realização de eventos na UFJF é sempre alvo de polêmica. Em abril do ano passado, uma portaria proibiu festividades depois que uma adolescente de 17 anos foi estuprada em uma calourada, com bebida liberada, realizada dentro do Instituto de Artes e Design (IAD). Mesmo com a proibição, a Tribuna mostrou que eventos continuaram a acontecer clandestinamente por todo o campus. Estudantes disseram que os organizadores geralmente mudavam o nome das festas para não chamar atenção e evitavam cartazes.

O assunto foi amplamente debatido entre o Conselho Superior da UFJF, que recentemente aprovou resolução regulamentando a realização de festas na instituição e criando normas também para o uso do campus para práticas recreativas, como andar de skate ou passear com o cachorro.

Segundo o documento, para realizar festa universitária na Praça Cívica, sem a necessidade de vínculo a eventos técnicos ou solenidades, a comissão organizadora da atividade deverá apresentar, à Secretaria de Comunicação da UFJF, proposta, contendo plano de execução com, no mínimo, 15 dias de antecedência. No caso da festa deste sábado, segundo a Secretaria de Comunicação, foi realizado.

No plano, os organizadores precisam informar esquemas de infraestrutura, segurança e serviços médicos previstos para o evento. Caso a estimativa de público seja superior a 500 pessoas, os critérios são mais rigorosos. Serão obrigatórias a contratação de seguranças, a oferta de banheiros químicos e a obtenção de alvarás em órgãos públicos, como o Corpo de Bombeiros, entre outras exigências. Pela portaria, também fica permitida a venda ou a distribuição de alimentos e bebidas durante as festas na Praça Cívica, porém com a proibição do uso de garrafas de vidro.

A resolução foi aprovada pelo Conselho Superior, composto por representantes de cada faculdade, instituto, Hospital Universitário, alunos, professores e técnicos. A proposta foi elaborada por uma comissão formada por diretores de unidades, representantes do DCE, da Administração Superior, da associação de professores (Apes) e do sindicato de técnicos (Sintufejuf).