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Cidades da Zona da Mata iniciam limpeza


Por FERNANDA SANGLARD

04/01/2012 às 22h30

Equipes continuam trabalhando para a retirada de terra no local

Equipes continuam trabalhando para a retirada de terra no local

Minas Gerais já tem 66 municípios em situação de emergência e soma oito mortes confirmadas em decorrência das chuvas desde outubro, conforme o último boletim da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec), divulgado no fim da tarde de ontem. Os registros ainda não incluem a mulher desaparecida após ser arrastada pelas águas em Santo Antônio do Rio Abaixo, na região Central do estado, nem o homem que foi levado pela correnteza em Ponte Nova, na Zona da Mata. Trinta e quatro pessoas ficaram feridas e há pelo menos 400 desabrigados. Ao todo, segundo o Governo estadual, há 9.864 desalojados, 9.696 casas destruídas e outras 3.260 danificadas. As águas também derrubaram 82 pontes e outras 101 estão comprometidas.

Na tarde de ontem foi encontrado o corpo do segundo taxista soterrado na madrugada do último dia 3 em Ouro Preto. Ele e outro colega de profissão morreram depois que o desmoronamento na Serra de Ouro Preto atingiu a rodoviária da cidade e os veículos em que estavam. No momento do segundo resgate, 112 bombeiros, policiais militares e civis de equipes de apoio auxiliavam nas buscas. Dois cães farejadores, retroescavadeiras, pás carregadeiras, um helicóptero do Corpo de Bombeiros e vários caminhões também foram empregados nos trabalhos. As outras mortes foram em Reduto, Governador Valadares, Belo Horizonte e Visconde do Rio Branco.

A cerca de 130 quilômetro de Juiz de Fora, em Guidoval, dois homens também morreram por causa das chuvas. Um deles buscou abrigo em uma árvore com a mulher e a filha, mas foi levado pela correnteza. Elas sobreviveram. A população está desolada com as mortes e com o que encontrou depois que o nível da água abaixou. Além de ter sido dividida ao meio e estar com áreas onde só é possível chegar de helicóptero, por causa das pontes que foram destruídas, a lama e a sujeira tomam conta dos locais atingidos. Ontem, vacinas foram entregues na cidade e os moradores começaram a ser imunizados contra tétano. Outra preocupação da Secretaria de Estado de Saúde é em relação à leptospirose. Segundo o órgão, é importante que os moradores dessas regiões evitem o contato com a água da enchente, lama e outros resíduos que ficam nas casas depois dos incidentes para evitar a doença, transmitida aos homens após o contato com a bactéria presente na urina de ratos.

Próximo a Guidoval, o município de Dona Euzébia também tenta se reerguer depois da inundação. Quase 70% da cidade ficou encoberta pela água, que chegou a atingir a altura de 1,7 metro em algumas casas. A ponte da cidade também foi afetada e teve o guarda-corpo destruído. Mesmo sem a proteção, veículos pequenos passam pela travessia, que é a única ligação entre os extremos da localidade. Apesar de o nível do Rio Pomba ter diminuído, os moradores temem voltar para as casas, já que ontem choveu novamente durante a tarde.