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UFJF coordena pesquisa sobre uso de biocombustíveis na aviação

Equipe também conta com especialistas das universidades de Goiás (UFG), do Mato Grosso (UFMT) e de Minas Gerais (UFMG)


Por Tribuna

03/08/2022 às 11h31

Com o objetivo de realizar estudos para avaliar alternativas do setor aéreo diante de compromissos brasileiros e internacionais de redução de emissões de gases de efeito estufa, a UFJF firmou parceria com a Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC) do Ministério da Infraestrutura, a fim de pesquisar o uso de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF, do inglês Sustainable Aviation Fuels) e suas implicações. 

“Temos a expectativa de contribuir de forma complementar na construção de políticas e diretrizes para a regulação econômica de serviços aéreos por meio de mapeamento do atual cenário relativo à SAF, no Brasil e no exterior”, pontua o coordenador do projeto e diretor de inovação da UFJF, o professor Fabrício Campos. 

Com prazo de 24 meses, os resultados serão úteis para o planejamento relacionado à infraestrutura aeroportuária e para o melhor aproveitamento logístico para disponibilidade de SAF em aeroportos estratégicos. Além de pesquisadores da UFJF, a equipe também conta com especialistas em biocombustíveis de aviação das universidades federais de Goiás (UFG), do Mato Grosso (UFMT) e de Minas Gerais (UFMG). 

Destaque brasileiro na produção de biocombustíveis

A Organização de Aviação Civil Internacional (OACI) estabeleceu como objetivos o crescimento neutro em carbono a partir de 2020 e criou o Carbon Offsetting and Reduction Scheme for International Aviation (Corsia), mecanismo de compensação simples que auxilia os estados a cumprirem essa meta no curto prazo. Com isso, o cumprimento das obrigações de compensação pode se dar pelo uso de combustíveis sustentáveis de aviação, uma vez que a troca de aeronaves é impraticável nos próximos 30 anos. 

Na opinião do docente titular da UFJF, Adilson David Silva, que também faz parte da equipe, o Brasil está em vantagem em relação a outros países, uma vez que é atualmente o segundo maior produtor mundial de biocombustíveis, contando com uma cadeia de suprimento bem estabelecida como etanol e biodiesel. “Nós possuímos competência instalada na produção de outros combustíveis renováveis. O Brasil tem também grande potencial eólico, solar, de hidrelétricas e biomassa, fundamental para produção de hidrogênio verde (HV), que é a matéria-prima para produção de combustíveis sustentáveis de aviação”, ressaltou. 

 A UFJF destaca que, segundo a Associação Internacional de Transportes Aéreos (Iata, da sigla em inglês), a produção de SAF atualmente no mundo é de 100 milhões de litros e, para atingir a meta de zerar as emissões de carbono em 2050, a produção terá de passar para 449 bilhões de litros. “A Noruega, nesse sentido, é pioneira mundial na adoção de um mandato, ao determinar a inclusão de no mínimo 0,5% de SAF em todo combustível de aviação fornecido no país, a partir de janeiro de 2020”, informa.