JF tem acessos antigos e com estrutura precária

Na Rua Francisco Cerqueira Cruzeiro, movimento é intenso e pedestres encontram empecilho na calçada
Duas entradas de Juiz de Fora apresentam problemas que colocam em riscos pedestres e condutores. A Tribuna acompanhou a movimentação na Avenida Juiz de Fora, cujo traçado coincide com o da MG-353, na região Nordeste da cidade, e na Rua Francisco Cerqueira Cruzeiro e Alameda Ilva Mello Reis, vias que dão acesso à BR-267, na Zona Sudeste do município. Nos dois casos, os traçados são estreitos e antigos e já não comportam a movimentação de carros, caminhões e ônibus, principalmente nos finais de semana. Como são áreas que coincidem com o perímetro urbano, têm grande circulação de pedestres, que disputam espaço com carros e estão em constante perigo. As vias também apresentam asfalto quebrado e irregular, ausência de calçadas em alguns trechos, mato alto e lixo. Moradores destas localidades reclamam e afirmam que acidentes são constantes, pois os automóveis trafegam em alta velocidade e realizam ultrapassagens proibidas em pontos perigosos.
O consultor e especialista em transporte, trânsito e mobilidade urbana, José Ricardo Daibert, defende que a cidade tenha acessos à altura de sua importância como polo regional da Zona da Mata. "Juiz de Fora tem localização privilegiada, com ferrovias e rodovias, além de um aeroporto que fica fora da área urbana, o que demanda acessos adicionais e à altura do volume de trafego gerado. Junto a isso, a cidade cresceu em termos de população, as cidades da região cresceram e, numa proporção ainda maior, houve aumento da frota."
Comunidade insegura
Na Avenida Juiz de Fora, o trecho mais problemático coincide com o do Bairro Granjas Bethânia, onde as casas ficam muito próximas da via, e moradores tentam atravessar em pontos onde não há faixas, e muitas crianças também se arriscam. Já entre o Granjas Bethânia e Recanto dos Lagos, apesar da melhor conservação do asfalto, os riscos são flagrantes. A Tribuna encontrou um pedestre caminhando em uma curva. Com a ausência de calçadas, ele se arriscava muito próximo a carros e caminhões. Algumas ultrapassagens, em alta velocidade, também foram presenciadas.
Já na Rua Paracatu, o segmento íngreme entre o Parque Guarani e o Bandeirantes é o mais perigoso, sendo impróprio para descida de pedestres, por causa da falta de segurança e de calçadas. O representante comercial Heitor Corrêa, 55 anos, mora há três anos na rua, entre os Bandeirantes e Parque Guarani, e afirma já ter presenciado diversas colisões de veículos. "Os carros andam em velocidade incompatível com o trecho. No mês passado, um automóvel perdeu controle em uma curva e bateu. Em horários de pico, é impossível sair ou entrar na garagem do meu prédio." A situação é confirmada por outra moradora, a aposentada Verônica Souza, 67. "Atravessar até o ponto de ônibus do outro lado da via (no sentido Bandeirantes/Parque Guarani) é muito difícil. Subir a rua caminhando não é seguro, pois não existem calçadas", lamenta.
Próximo ao número 1.900 da Rua Paracatu falta calçamento nos dois sentidos. Além disso, mato e sujeira são facilmente encontrados. Naquele trecho, o asfalto está em mau estado de conservação. Mais abaixo, próximo ao número 1.300, o que deveria ser calçada para pedestres é chão de terra e mato. Segundo um morador da área, 42, que pediu para não ser identificado, este local, próximo ao escadão, que liga a rua ao Bairro Progresso, é ponto de uso e tráfico de drogas. "A rua é até bem iluminada, mas para cima fica bastante perigoso. É um verdadeiro descaso com a população, pois não temos segurança para sair ou entrar em nossas casas depois que anoitece."
Dependência de recursos
Apesar de estarem integradas ao perímetro urbano, as duas vias são prolongamento da MG-353, mas a responsabilidade da conservação e manutenção é da Prefeitura, conforme o Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG). A jurisdição do órgão termina na altura do Bairro Grama, próximo ao trevo de acesso ao Hospital Doutor João Penido. A Secretaria de Obras respondeu, por meio da assessoria de imprensa, que os trechos citados vêm passando por manutenções da pavimentação e, neste momento, várias frentes de obras ocorrem com o objetivo de restaurar a malha viária do município. Conforme a nota, "é proposta da Secretaria de Obras estender estas intervenções a todos os acessos da cidade, como está sendo iniciado na JK, na Barreira do Triunfo". No entanto, foi explicado que "estas obras exigem grandes volumes de recursos e, à medida que a PJF capta tais recursos, por meio de convênio ou financiamentos, as intervenções são executadas".
Linhas de ação
O especialista José Ricardo Daibert sugere investimentos em duas linhas de ação. A primeira na da oferta, por meio de melhorias nas condições das vias de acesso, duplicação dessas estradas e implantação de medidas de segurança e fluidez para motoristas e pedestres. A segunda seria rever a demanda de quem utiliza os acessos à cidade, ou seja, reestudar as linhas de desejo de deslocamento dos usuários.
"Da região da MG-353, por exemplo, pessoas vindas de Coronel Pacheco, Goianá, Ubá, Viçosa, em direção ao Rio de Janeiro, entram em Juiz de Fora, passam por vias, como as avenidas Rio Branco e Itamar Franco, e vão embora. É um tráfego de pessoas e cargas que não quer estar na cidade, a cidade não deseja receber esses carros, mas eles estão aqui porque não têm alternativa. Ou seja, é um tráfego que não tem Juiz de Fora como origem nem destino; só usa a cidade para atravessar."
Uma das soluções, segundo o consultor, seria investir em anéis rodoviários que contornassem a área do município e interligassem as rodovias próximas.
Deterioração em via que liga à BR-267
O desgaste do asfalto e a falta de segurança para pedestres também são realidade no acesso à BR-267, principalmente na Rua Francisco Cerqueira Cruzeiro, que recebe o fluxo de veículos da Rua Nossa Senhora de Lourdes, no Bairro de Lourdes, e na Alameda Ilva Mello Reis, entre os bairros Santo Antônio e Retiro, na região Sudeste. O problema foi, inclusive, motivo para que o Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares encaminhasse ofício à Prefeitura, solicitando extensão do recapeamento asfáltico que teve início na Rua Nossa Senhora de Lourdes, Bairro de Lourdes, mas não se prolongou.
De acordo com o presidente em exercício do sindicato, João José Alves, a iniciativa partiu de uma demanda da categoria, pois muitos necessitam daquele caminho para chegar ao trabalho. Neste trecho, a deterioração é flagrante, e a pavimentação possui remendos, ondulações e buracos. A Prefeitura, no entanto, afirma que as obras naquela região estão em andamento e novas intervenções devem ocorrer a partir deste mês.
Morador da via há 24 anos, o representante comercial Mario Oliveira Rodrigues, 60 anos, afirma que situações de riscos são identificadas diariamente. "É muito perigoso para os pedestres, principalmente as crianças que seguem em direção à escola do bairro." Além da ausência de calçadas em alguns pontos, a Tribuna encontrou veículos estacionados sobre elas em diversos pontos. Outro agravante, conforme o morador, é o tráfego intenso de veículos pesados, embora a circulação seja proibida na Alameda Ilva Mello Reis.
Segundo a Secretaria de Obras, a segunda etapa dos trabalhos tem como objetivo recuperar a pavimentação e melhorar a segurança naquele trecho. Conforme o projeto, serão construídas baias que permitirão embarque e desembarque de passageiros, além de recompor 1,1 metro linear de meio-fio. Paralelamente, serão instaladas 57 placas de sinalização, tachões refletivos e pintura da nova sinalização horizontal, inclusive faixas em travessias voltadas à segurança de pedestres.
Sobre os automóveis encontrados nas calçadas, a Settra informou, por meio da assessoria de imprensa, que agentes de trânsito fiscalizam toda a cidade, dando prioridade às vias do Centro. Nos bairros, no entanto, a identificação dos problemas é feita por meio de visitas periódicas ou a partir de denúncias por meio do telefone 3690-7400. A infração é considerada grave pelo Código Brasileiro de Trânsito, e a multa prevista é de R$ 127 e perda de 7 pontos na carteira de habilitação do condutor.
Ilva Mello Reis
Na alameda, flagrantes de perigo também foram observados. Em frente à entrada do Terras Altas, por exemplo, falta calçada para pedestres nos dois lados. No mesmo trecho, os condutores desrespeitam a faixa dupla de sinalização horizontal e realizam ultrapassagens perigosas, apesar das curvas fechadas. A Settra explicou que o condutor deve, naquele cruzamento, seguir até o trevo do Bairro Retiro e voltar pela direção contrária. Já a construção e manutenção das calçadas é de responsabilidade da Prefeitura apenas em lotes públicos. Segundo a Secretaria de Obras, nos imóveis privados, é o proprietário que deve providenciar as intervenções.








