Ouça agora

Turistas questionam segurança em parque


Por MARCOS ARAÚJO

03/05/2016 às 07h00- Atualizada 03/05/2016 às 09h05

Foto: Leonardo Costa
Segundo o IEF, 28 pessoas se dividem entre serviços de gestão, portaria, centro de visitantes e vigilância (Foto: Leonardo Costa)

A queda de cerca de 35 metros de altura sofrida por uma jovem de 27 anos na cachoeira conhecida como Janela do Céu deixou em evidência questões sobre a segurança dos visitantes do Parque Estadual de Ibitipoca, em Lima Duarte. De acordo com os frequentadores, há poucos funcionários na área, para prestar orientação aos turistas. Um visitante que esteve no parque, no dia 22 abril, e preferiu não ser identificado, relatou à reportagem que há poucos guardas para uma grande extensão, com 1.488 hectares.

“O reduzido número de guardas prejudica, porque há áreas de grande risco, como a Janela do Céu, que deveria ter um funcionário de plantão. No Cachoeirinha, onde há grande risco de queda, um funcionário é fundamental e não tem. No Circuito das Águas, tem de três a quatro funcionários andando, mas deveria ter alguém de plantão, para prestar informações. Em alguns lagos têm boia com corda, mas não adianta, se não tem ninguém para puxar a pessoa que fizer o uso dela num caso de acidente”, denunciou o visitante, acrescentando que o parque é sinalizado, mas a presença de um fiscal deixaria os frequentadores mais seguros. “Além de aumentar a segurança, ele poderia passar orientação e tirar dúvidas. O centro de informações que há hoje precisa ser qualificado. Atualmente, é muito difícil obter informações no local”, reclamou.

[Relaciondas_post]

Um guia que atua há mais de dez anos na unidade de conservação e pediu para ter a identidade preservada lamentou que, na atual gestão, há poucos guias credenciados pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF) em atuação na área. “Há muito tempo não há cursos de reciclagem. Hoje são setes guias credenciados pelo IEF e antes eram 14. Para para ser credenciado é preciso fazer cursos para se reciclar e isto não vem acontecendo. Alguns dos que atuam no local estão pagando para fazer curso por fora, para continuar atuando. Na tentativa de ter mais lucro, passaram a permissão de acesso ao parque de 800 para 1.200 pessoas, mas não aumentaram o número de fiscais. O quadro de fiscais é pequeno para o montante de frequentadores que acessam o parque diariamente”, denunciou o guia.

Monitoramento

A assessoria de comunicação do Instituto Estadual de Florestas (IEF), que responde pelo Parque de Ibitipoca, por meio de nota, informou que a equipe que trabalha na unidade é composta por 28 colaboradores, que se dividem entre os serviços de gestão, portaria, centro de visitantes, manutenção de estruturas, manutenção de campo, vigilância e monitoramento. Além desta equipe, o parque conta com o apoio de voluntários, principalmente nos períodos de feriados e férias escolares.

O comunicado ainda informou que, após a queda da jovem na Janela do Céu, foi intensificado o monitoramento na área, principalmente durante os feriados e finais de semana, devido ao significativo aumento de visitantes durante estes períodos. No dia do acidente em questão, havia apenas 650 pessoas no Parque (pouco mais da metade do máximo permitido), o que demonstra, segundo o IEF, que o problema não está relacionado ao número de visitantes em si, mas sim aos riscos inerentes aos ambientes naturais que requerem grande cautela por parte dos visitantes.

O IEF ressaltou que o local conta com sinalização informando “área de risco” e que a mesma será reforçada, após este incidente. “Informamos ainda que a equipe do parque prestou todo o atendimento possível e necessário durante a ocorrência, articulando o resgate junto ao Corpo de Bombeiros Militar e mantendo comunicação constante com a vítima para mantê-la consciente”, afirmou a nota.

Sobre o número reduzido de funcionários, o IEF afirmou que nunca menos do que dois servidores permanecem próximos ao local, controlando o fluxo de visita no local. Em todo o Circuito da Águas e do Pião há sempre, conforme o órgão, no mínimo, dois colaboradores realizando vigilância e monitoramento. O Instituto admitiu que há necessidade de ampliar o quadro de colaboradores na unidade de conservação, no entanto, a instituição ainda não possui orçamento disponível para ampliação dos contratos. O pleito já foi encaminhado pelo IEF à Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag), para avaliação desta e de outras demandas de pessoal.

Longa fila de espera para acessar a reserva

Uma visitante do Parque Estadual de Ibitipoca que optou por não ter o nome divulgado chamou a atenção para a questão da informatização. “É preciso informatizar a portaria, pois o turista não teria que ficar um longo tempo na fila. Frequentemente, há muitas pessoas esperando para entrar e não conseguem, pois o número de 1.200 foi atingido. Com a informatização, este acesso seria mais rápido, diminuindo o tempo de espera e evitaria que mais frequentadores chegassem para esperar, já que a fila começa por volta das 5h. A venda de ingressos acontece de forma manual, o que abre precedente para irregularidades no acesso, pois fica difícil de ser controlado. Como é possível garantir que entraram 1.200 e como controlar quem entrou. Isso também implica na segurança dos visitantes”, afirmou a turista.

De acordo com o IEF, já existe um projeto em fase de implantação, que não tem como foco agilizar a entrada de visitantes, mas sim, ampliar o controle das informações e registros quanto à visitação e arrecadação da unidade.

Qualificação

Em relação à qualificação dos profissionais, o instituto afirmou que ela acontece periodicamente, seja através de cursos formais ou informalmente, através de reuniões de trabalho e trocas de experiências.

Em 2013 foi realizado curso de primeiros Socorros com a equipe e já está previsto para acontecer, em parceria com o Instituto Estrada Real, no Parque de Ibitipoca, um curso a ser realizado em dois módulos, sendo o primeiro em maio de 2016 com o tema “Gestão de Risco” e, o segundo, em junho de 2016 com o tema “Competências Mínimas do Condutor”. A proposta está contemplada no Projeto Parques da Estrada Real e pretende qualificar a equipe de Ibitipoca e demais condutores locais.