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Pátios superlotados de veículos representam risco de dengue


Por Eduardo Valente

03/05/2013 às 06h00

Empilhamento dificulta combate ao mosquito

Empilhamento dificulta combate ao mosquito

Embora a maioria dos focos do mosquito transmissor da dengue esteja dentro das residências, outros pontos também são preocupantes, principalmente em uma cidade que atravessa uma epidemia, como Juiz de Fora. Os depósitos de carros e motos apreendidos estão entre os locais que merecem atenção especial. No município, conforme a Polícia Civil, há cerca de três mil unidades apreendidas, número que reflete na superlotação dos pátios, somada ao acondicionamento inadequado dos veículos. Em alguns casos, há carros e até caminhões empilhados, o que torna difícil o trabalho dos agentes de combate a endemias.

O 4º Departamento de Polícia Civil, responsável pelos pátios da cidade, informou, por meio da assessoria, que atualmente são quatro as empresas autorizadas a explorar este tipo de serviço. No entanto, não foi informado o total de pátios ativos, já que algumas empresas mantêm mais de um espaço. A Tribuna esteve em dois destes locais e flagrou situações que podem contribuir para a proliferação do mosquito.

Em um deles, na Zona Norte, o responsável, que optou por não ser identificado, afirmou que os agentes não entram no local há pelo menos três meses. Segundo o responsável, eles alegam que não há equipamentos de proteção individual (EPI) para todos. Neste endereço, há cerca de 600 carros e 400 motos. Alguns deles já são sucatas, com vidros quebrados e portas inexistentes, situação que permitiu observar o acúmulo de água parada, sujeira e até vegetação crescendo dentro dos automóveis, sugerindo a presença de umidade. "Aqui tem carro parado há mais de 30 anos. Os pátios estão lotados porque o último leilão ocorreu em 2008. Não cabe mais nada aqui, o jeito é colocar um em cima do outro", afirmou.

Na região Nordeste, um depósito às margens da rodovia MG-353, chama atenção de quem trafega pelo local. Pessoas que trabalham em uma área próxima informaram que é constante a presença de ratos e cobras saindo do depósito, mas alegaram não ter conhecimento de pessoas infectadas pelo vírus da dengue. No local, é possível observar inúmeros carros empilhados, além de vegetação dentro dos veículos. Um funcionário da empresa, Flavio Antunes, 57 anos, afirma que o fumacê não vai ao endereço há algum tempo, mas que o controle dos agentes é feito uma vez por semana. "Nunca encontraram um foco. Toda semana jogam remédio. Nossa vistoria é periódica."

De acordo com o coordenador geral de campo da equipe de agentes de endemia, Juvenal Marques Franco, há 200 pontos estratégicos na cidade onde há maior atenção das equipes, e os depósitos de veículos estão entre eles. "Fazemos visitas a cada 15 dias, mas temos muita dificuldade em eliminar os focos quando os carros estão empilhados. Não posso colocar os agentes em risco. Neste caso, precisamos da colaboração dos proprietários." Além da utilização de bombas costais, os agentes fazem o uso de larvicida. Juvenil informou desconhecer a suposta falta de EPI e afirmou que uma equipe será enviada ao local para avaliar os riscos.