Ansiedade: confira distorções e verdades sobre o transtorno
Entenda mais sobre o transtorno que afeta cerca de 18,6 milhões de pessoas no Brasil, segundo Organização Mundial de Saúde
Quem nunca se sentiu desconfortável mediante a possibilidade de entrar em contato com alguma situação considerada ameaçadora? O problema, no entanto, é quando a apreensão, inerente ao ser humano, evolui de tal forma que pode causar sofrimento, transformando-se em um quadro de Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG).
O primeiro passo, portanto, é diferenciar em qual desses dois estados o indivíduo está: de ansiedade ou do transtorno, propriamente dito. Conforme explica o psicólogo Lucas Nápoli Santos, da Pró-Reitoria de Assistência Estudantil da UFJF em Governador Valadares, ansiedade é um estado emocional desconfortável que vivenciamos quando estamos diante da possibilidade de entrar em contato com algo que consideramos ameaçador. O problema, explica, é quando a ameaça passa a ser superdimensionada ou até mesmo imaginária, causando sofrimento intenso. Nestes casos, a inquietação e a apreensão negativa podem predominar, retroalimentando emoções e comportamentos.
O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da Associação Psiquiátrica Americana (DSM V) aponta como características essenciais do TAG a ansiedade e a preocupação excessivas (expectativa apreensiva) acerca de diversos eventos ou atividades. Deste modo, torna difícil o controle dos sintomas, que podem ser medo difuso e impreciso, dificuldade para se concentrar, insegurança, sudorese, tremores, taquicardia, tensão muscular e dificuldade para relaxar, atesta um dos principais pesquisadores sobre psicopatologia do Brasil, Paulo Dalgalarrondo.
Diante dessas demonstrações físicas e mentais de sofrimento chega a dúvida: quando então é recomendado procurar ajuda profissional? Segundo Lucas Nápoli, que atua como psicanalista e possui doutorado em psicologia clínica, “os principais critérios são o grau excessivo de sofrimento vivenciado, o prejuízo que os sintomas têm causado na vida do sujeito e a cronicidade do problema, ou seja, o fato de que ele tem se apresentado na maioria dos dias por pelo menos seis meses”, explica.
A escolha do tratamento varia conforme cada caso em específico. Além de pessoas que desenvolvem o transtorno ao longo da vida, também há aqueles casos em que possuem a ansiedade como base, como pânico, fobia, hipocondria, transtornos de ansiedade social, de separação, de estresse pós-traumático e obsessivo-compulsivo. Conforme os estudos de Dalgalarrondo, o quadro ansioso também pode ser ocasionado por condição orgânica, como hipertireoidismo, câncer, uso de corticoides ou substâncias tóxicas, como cocaína.
Dez distorções e verdades sobre ansiedade
As respostas à lista têm o apoio do psicólogo e psicanalista Lucas Nápoli
1. Ansiedade só é controlada ou amenizada tomando remédio ou fazendo terapia
Parcialmente verdade. Existem outras práticas, como a meditação e o exercício físico, que podem amenizá-la
2. Ansiedade acomete apenas pessoas adultas
Distorção. Crianças também podem sofrer com ansiedade excessiva
3. Ansiedade tem somente causa genética ou neurológica
Distorção. Embora existam fatores genéticos e neurológicos que podem estar implicados em um caso de ansiedade excessiva, não se pode dizer que a causa primária dessa condição patológica seja genética ou neurológica
4. Um ambiente conturbado pode aumentar a chance de provocar ansiedade
Verdade. Além de fatores genéticos que podem tornar a pessoa predisposta a desenvolver TAG, o excesso de vivências de situações de insegurança (resultantes de violência doméstica ou negligência, por exemplo) ou a superproteção no ambiente familiar na infância costumam estar associado ao desenvolvimento dessa forma de adoecimento
5. Ansiedade é sempre negativa
Distorção. A ansiedade é uma experiência emocional adaptativa, que nos ajuda a evitar situações de perigo e a nos proteger de ameaças. Ela só é negativa quando se manifesta em excesso
6. Existem bebidas e alimentos que intensificam ou diminuem o transtorno
Verdade. O consumo excessivo de cafeína, por exemplo, pode contribuir para seu aumento
7. Ansiedade, pânico e fobia são diferentes
Verdade. Ansiedade é um estado emocional desconfortável que vivenciamos quando estamos diante da possibilidade de entrar em contato com algo que consideramos ameaçador. O pânico é um estado aterrorizante de excessiva e aguda ansiedade. Já a fobia é um medo exagerado e desproporcional de determinadas situações, objetos ou pessoas
8. Dormir mal pode agravar o quadro de ansiedade
Verdade. Mas os dois problemas podem se reforçar. A pessoa pode ter mais ansiedade por se privar de dormir o suficiente e pode acabar não conseguindo dormir o bastante por ter muita ansiedade
9. A técnica de atenção plena (mindfulness) ajuda no controle de ansiedade
Há estudos recentes que indicam que sim. Uma dessas pesquisas é o “Ensaio Controlado Randomizado de Meditação Mindfulness para Transtorno de Ansiedade Generalizada: efeitos na ansiedade e na reatividade ao estresse”, publicada no Jornal de Psiquiatria Clínica (The Journal of Clinical Psychiatry)
10. Ansiedade é sinal de fraqueza ou de patologia
Distorção. Ansiedade é uma experiência emocional normal, que pode se manifestar em excesso em qualquer pessoa. Fraqueza é um julgamento moral que não cabe nesse contexto









