Umidade do ar atinge estado de atenção em JF

Vista da cidade no Bairro Floresta nessa quinta
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou nesta quinta-feira (1) o dia mais seco do ano, em Juiz de Fora. A umidade relativa do ar atingiu 26%, nível considerado estado de atenção. De acordo com critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS), patamares abaixo dos 30% são prejudiciais à saúde humana, podendo causar problemas respiratórios, além de serem fator de irritabilidade da pele e dos olhos. A baixa umidade é resultado da forte massa de ar seco, que atinge a região Sudeste do país.
De acordo com a climatologista da UFJF, Cássia Ferreira, este fenômeno é característico do inverno, e a previsão é que os baixos índices de umidade se mantenham nos próximos dias. Conforme aviso meteorológico divulgado pelo Inmet, existe a possibilidade de tempo seco em quase todo o estado nesta sexta, com exceção da região Leste. "Em Juiz de Fora, verificamos que a baixa umidade fica concentrada no período mais quente do dia, principalmente entre 15h e 16h. Nos demais horários, o percentual aumenta", disse Cássia. Quinta, por exemplo, uma forte neblina cobriu a cidade, no início da manhã, deixando os índices de umidade acima dos 90%.
Segundo o médico alergista Ricardo Ribeiro Bedinelli, em dias secos, alguns cuidados são necessários, como evitar fazer exercícios físicos ao ar livre, entre 11h e 16h, e consumir muita água. "Também indicamos o uso de cremes hidratantes para a pele e soluções de soro fisiológico para o nariz e a boca. Ao contrário, a pessoa poderá sofrer com nariz entupido, tosse, olhos irritados e pele seca, com coceira. À noite, a sugestão é usar vaporizadores ou umidificar os cômodos com baldes de água ou toalhas úmida perto da cama."
Outra dica do especialista é evitar o acúmulo de poeira em ambientes fechados, deixando as janelas abertas em grande parte do dia. "Se faz necessário renovar o ar. Também não indicamos o uso de roupas ou cobertores de lã, que devem ser colocados sob o sol quente." Conforme o especialista, nesta época do ano, a procura por atendimento médico chega a dobrar.
Previsão
Além de inibir a formação de nuvens, a massa de ar seco é responsável, também, pela ocorrência de dias quentes e noites frias, como tem acontecido em Juiz de Fora. Quinta a oscilação térmica observada foi de 11,5 a 26,5 graus. Sexta os termômetros devem registrar mínima de 10 graus, enquanto a máxima não deverá ultrapassar os 28 graus.
Mês de julho termina com recordes
Em termos climáticos, o mês de julho deste ano fugiu dos padrões, registrando a maior temperatura do período, nos últimos 19 anos – 28,9 graus, no dia 21 -, e a menor temperatura dos últimos 18 anos – 8,1 graus, no dia 25. O mês também foi o mais chuvoso dos últimos 35 anos, período no qual o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) disponibiliza publicamente informações sobre o tempo e o clima em Juiz de Fora.
Segundo a climatologista da UFJF, Cássia Ferreira, uma série de fatores explica os índices observados. "O ar polar chegou ao Sudeste do país de forma bem caracterizada este ano, ocasionando frio mais intenso que o comum. Ao mesmo tempo, as massas polares trouxeram mais umidade que em períodos anteriores, o que pode explicar as chuvas. Realmente saiu do normal, embora esta variação seja esperada. É comum ter anos mais chuvosos, menos chuvosos, mais secos ou menos secos. Não caracteriza uma tendência, e sim uma condição de variabilidade."
Antes de 2013, o mês de julho mais quente da história havia sido registrado no ano de 1993, com 29,4 graus, no dia 3. E o mais frio em 1994, com 6,6 graus no dia 10. Já o volume de precipitações, 71 milímetros, é o mais alto desde 1978. A média histórica para o período é de 27,5 milímetros.








