Manifestação contra violência no trânsito

Manifestantes alertam para necessidade de buscar melhorias e maior fiscalização
Vinte e um dias após o atropelamento que levou à morte do adolescente André Gorgulho de Abreu Lima, 15 anos, familiares, amigos e vizinhos da família fizeram um protesto contra a violência no trânsito da região do Bom Pastor, Zona Sul. Por volta das 18h de ontem, cerca de 50 manifestantes interromperam o tráfego nos dois sentidos da Avenida Rio Branco, no cruzamento com a Rua Senador Salgado Filho. O objetivo era conscientizar motoristas sobre os abusos cometidos no volante e cobrar, da Settra, melhorias de sinalização e fiscalização do trecho onde ocorreu o acidente. "Estamos aqui hoje para que outras famílias não precisem viver a dor de uma perda dessas, que é muito profunda", lamentou a mãe da vítima, Sueli Gorgulho Lima, visivelmente emocionada. As paralisações no tráfego foram controladas pela Polícia Militar e duravam, em média, dois minutos – tempo suficiente para que alguns motoristas, contrariados, reclamassem de atrasos, buzinassem, hostilizassem os manifestantes e se recusassem a receber os panfletos.
Segundo os manifestantes, abusos de condutores e acidentes são comuns no bairro, sobretudo nos entroncamentos da Rio Branco com as ruas Senador Salgado Filho e Procópio Teixeira. "O trânsito entre 17h e 18h é intenso, porque os bairros estão crescendo, têm faculdades, comércio, empreendimentos. Tudo isso sobrecarrega, e gostaríamos que houvesse um estudo de impacto e, principalmente, que o órgão responsável debatesse com a comunidade antes de implementar mudanças viárias", afirma o consultor de empresas e pai de André, Manoel Emídio Moreira Lima. "Retiraram o semáforo, e a única medida que ficou foi o radar, que não nos atende, porque fica longe do cruzamento."
Entre as principais infrações apontadas pelos participantes do protesto, estão abuso de velocidade, conversões proibidas e desrespeito às faixas de pedestres. "Minha preocupação é minha filha Bárbara, de 17 anos, que é surda, e outro dia chegou em casa contando que quase foi atropelada enquanto atravessava na faixa", diz Maria Regina Rodrigues. "Fiquei muito triste pelo André", lamenta Bárbara, que era amiga do garoto, atingido por um Palio, quando atravessava.
Em nota, a Settra informou que uma equipe técnica já avalia as condições de segurança da região e estuda a possibilidade de implantação de radar ou de mais um semáforo na pista da Rio Branco (sentido Manoel Honório/Bom Pastor). Além disso, a pasta informou que retomará o levantamento da interseção desta região, entre as avenidas Rio Branco e Procópio Teixeira, e ruas Morais e Castro, Dom Silvério e Belmiro Braga, para analisar as especificidades do trânsito e sugerir alternativas para as retenções. O estudo tem prazo estimado de seis meses, a partir da assinatura do contrato.









