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Agressão e falta de docentes qualificados


Por GRACIELLE NOCELLI

02/04/2016 às 07h00- Atualizada 02/04/2016 às 16h48

No dia em que é celebrada a conscientização do autismo, Juiz de Fora mostra que ainda existe um longo caminho a ser percorrido para oferecer a igualdade no tratamento destas pessoas. Esta semana, uma criança autista de 6 anos foi agredida por uma recreadora em uma escola particular, no Bairro Nova Era, na Zona Norte. Há mais de um mês, cerca de cem crianças com deficiência que estudam na rede municipal estão impossibilitadas de assistirem aulas por conta da falta de professores bidocentes, responsáveis pela educação social e inclusiva destes alunos.

Segundo informações do Grupo de Apoio a Pais e Profissionais de Pessoas com Autismo em Juiz de Fora (Gappa), a situação do menino agredido pela recreadora veio a público depois de algum tempo em que a criança já era submetida aos maus-tratos. “Infelizmente, não foi o primeiro e não será o último caso desse tipo”, diz a presidente Ariene Menezes. Segundo ela, pela dificuldade que alguns autistas têm em se comunicar, a percepção de que algum problema possa estar acontecendo é mais demorada.

No caso do garoto, a direção da escola foi a primeira a perceber a diferença no comportamento. “Ele e a irmã gêmea estão conosco desde 1 ano e 8 meses. Nos últimos tempos, percebemos que ele estava mais ansioso e vomitando. Nós orientamos os pais a procurar um médico, pois nunca poderíamos imaginar o que estava acontecendo. Estamos muito aborrecidos e chocados”, relata a proprietária Josilene de Faria Paiva.

Segundo ela, após os médicos darem um diagnóstico de que a criança poderia estar insatisfeita com as aulas, os pais solicitaram ver as câmeras de monitoramento da instituição. “Nós trabalhamos muito próximos aos pais. Quem quiser pode vir e analisar as imagens. Foi o que fizemos e encontramos cenas em que a recreadora era agressiva com o menino.” Os pais e a escola registraram boletim de ocorrência, a funcionária foi retirada do cargo, e o caso foi levado ao Conselho Tutelar. À Tribuna, o conselho informou, apenas, “que irá tomar todas as medidas cabíveis”, sem detalhar as ações.

Rede municipal

As reuniões que aconteceriam ontem entre pais de estudantes com deficiência das escolas da Prefeitura e representantes das secretarias de Administração e Recursos Humanos (SARH) e Educação (SE) para resolver o impasse sobre a falta de professores bidocentes foram desmarcadas. De acordo com a titular da SE, Denise Vieira Franco, o motivo foi a convocação do prefeito Bruno Siqueira (PMDB) para uma reunião entre todos os secretários da Administração sobre outro assunto. “Nós receberemos os pais na próxima semana”, garantiu. A informação recebida pelo Gappa foi de que o encontro seria no dia 18 de abril.

Reconhecendo a gravidade do caso, já que uma vez impossibilitados de frequentar as aulas estas crianças também estão sem acesso à inclusão, Denise declarou que está tomando todas as medidas para resolver a situação. “Não temos como definir prazo, pois o processo de contratação é demorado, mas já fizemos todos os encaminhamentos e estamos empenhados.”

Caso o quadro não seja solucionado, os pais das crianças pretendem ajuizar ação coletiva no Ministério Público.