‘Passamos por isso todos os anos’: moradores do Industrial reclamam de falta de apoio governamental após alagamentos no bairro
Rua Cônego Roussin foi uma das mais atingidas pela enchente do Córrego Humaitá
O Bairro Industrial, na Zona Norte de Juiz de Fora, historicamente, sofre com enchentes e alagamentos em épocas de chuvas, e na última semana não foi diferente. A região foi uma das mais atingidas pelas tempestades de segunda-feira (23) e quarta-feira (25). Agora, com a trégua das precipitações e consequente baixa das águas, moradores contabilizam prejuízos e se queixam de falta de apoio governamental para mitigar os danos.
A Rua Cônego Roussin foi uma das afetadas após o Córrego Humaitá transbordar. Amauri Fernandes, 63 anos, mora no bairro há 54. Segundo ele, os alagamentos são rotineiros no bairro em épocas de chuvas, mas, dessa vez, o estrago foi maior. “A vizinhança toda levou água, teve muita mobília perdida, só a minha casa que entrou menos água, o resto foi tudo, perda total. (…) Foram poucos os anos que não tivemos enchente, quase todo ano tem. Mas essa foi a pior da história”, descreve.
Amauri já foi presidente do Bairro Industrial por dois mandatos de quatro anos. Ele relata que, nesse período, levou muitas demandas da comunidade, incluindo aquelas ligadas às enchentes, para a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), mas elas não foram atendidas. “Nunca tivemos uma solução direta para o bairro aqui, e quase todo ano acontece a mesma coisa”, relata.

‘Muito difícil começar de novo’
Jucélia Cecília Rocha tem 54 anos e é comerciante na Rua Cônego Roussin há 29. Hoje não mora no Bairro Industrial, mas cresceu nele. A água das enchentes entrou na sua loja e estragou quase todas as mercadorias, sobretudo carnes e demais alimentos, apesar do esforço para colocar os freezers e geladeiras o mais alto possível.
“A gente pôs no alto, mas o nível da água foi tão alto, que tombou os cinco freezers. Já tem uma semana que a gente não trabalha, e isso também é perda. A mercadoria que estava embaixo, eu perdi tudo, e o que sobrou eu vou perder, porque ninguém vem aqui comprar. Não dá para calcular o prejuízo, é muita perda, muita perda mesmo”, lamenta.
Além do prejuízo de sua loja, a família de Jucélia, que ainda mora no Industrial, também foi atingida. “A casa do meu irmão está vazia. Vazia de tudo, perdeu tudo. A minha mãe mora em cima e perdeu a cozinha dela”, relata a comerciante.
Segundo Jucélia, o trabalho de reconstrução no Industrial está sendo feito pela comunidade do bairro e voluntários, sem apoio da Prefeitura. Apesar de reconhecer que a demanda segue muito alta em toda a cidade, a comerciante entende que faltou assistência da Administração na região. “Agora que estão vindo para limpar a boca de lobo, mas quem me ajudou na segunda enchente foi o Exército. Eles não vieram da primeira vez, onde entrou muita água, mas agora foi lama, e os militares ajudaram a limpar. Da Prefeitura eu não vi nada aqui”, conta.
Passadas as enchentes, Jucélia tenta contabilizar o prejuízo para seguir em frente. “Muito difícil. Agora é começar de novo, mas não sei como vou fazer. São praticamente 30 anos aqui. Para repor tudo é muito difícil”, afirma.
A Prefeitura mantém ações permanentes de prevenção e resposta em toda a cidade, com Defesa Civil estruturada, mapeamento e monitoramento contínuos, além de ações rotineiras de limpeza e desobstrução. O Executivo também destaca que houve investimento em drenagem urbana entre 2021 e 2025 (cerca de R$ 62 milhões, com mais de 100 obras e mais de 15 km de redes) e previsão de mais de R$ 40 milhões em contratos anuais em 2026, incluindo remodelação de redes, limpeza de córregos e do Rio Paraibuna, pequenas contenções e ações na zona rural, além do desenvolvimento do Plano Municipal de Drenagem.
No Bairro Industrial, já foram executadas etapas de macrodrenagem, incluindo a construção de nova galeria e a implantação de diques de concreto nas margens do Córrego Humaitá e do Rio Paraibuna. E, ainda em março, terá início uma nova obra de macrodrenagem no bairro, com investimento de R$ 90 milhões (PAC), voltada à recuperação do Córrego Humaitá, implantação de redes de microdrenagem e jardins de chuva ao longo das vias, além de bacia de retenção e parque linear.
Após as chuvas da última semana,a Prefeitura atuou de forma imediata no Bairro Industrial após o escoamento das águas. Assim que as condições permitiram, as equipes iniciaram a retirada de móveis e objetos arrastados e deixados nas ruas, realizaram a limpeza dos córregos e a lavagem das vias. Neste momento, o que está sendo executado no bairro é o trabalho de zeladoria.
Como a área sofreu impactos estruturais graves, não há intervenções definitivas possíveis até o início das obras já contratadas, sendo que já foi oficialmente assinada a liberação das verbas mencionadas acima (R$ 90 milhões). Desde o primeiro momento da crise, a Prefeitura manteve presença constante no bairro, com equipes técnicas, Defesa Civil, Assistência Social e o Gabinete Comunitário atuando diariamente, ouvindo a comunidade e acompanhando as demandas locais. Durante o período crítico das chuvas, foram levadas refeições de bote às famílias isoladas, com atendimento direto e contínuo. Na data de hoje (2 de março), foi instalada na praça do bairro uma carreta-lavanderia para atender moradores que perderam roupas e eletrodomésticos, ampliando o suporte humanitário oferecido.
‘Presença constante no bairro’, afirma PJF
Procurada pela Tribuna, a Prefeitura informou, em nota, que “mantém ações permanentes de prevenção e resposta em toda a cidade, com Defesa Civil estruturada, mapeamento e monitoramento contínuos, além de ações rotineiras de limpeza e desobstrução”. Também destacou que “houve investimento em drenagem urbana entre 2021 e 2025 (cerca de R$ 62 milhões, com mais de 100 obras e mais de 15 quilômetros de redes) e previsão de mais de R$ 40 milhões em contratos anuais em 2026, incluindo remodelação de redes, limpeza de córregos e do Rio Paraibuna, pequenas contenções e ações na Zona Rural, além do desenvolvimento do Plano Municipal de Drenagem”, afirma o texto.
Especificamente no Bairro Industrial, a PJF afirma que “já foram executadas etapas de macrodrenagem, incluindo a construção de nova galeria e a implantação de diques de concreto nas margens do Córrego Humaitá e do Rio Paraibuna”. Também adiantou que, em março, terá início “uma nova obra de macrodrenagem no bairro, com investimento de R$ 90 milhões (PAC), voltada à recuperação do Córrego Humaitá, implantação de redes de microdrenagem e jardins de chuva ao longo das vias, além de bacia de retenção e parque linear”.
Ainda de acordo com a PJF, após as chuvas da última semana, a atuação no Bairro Industrial foi imediata após o escoamento das águas. “Assim que as condições permitiram, as equipes iniciaram a retirada de móveis e objetos arrastados e deixados nas ruas, realizaram a limpeza dos córregos e a lavagem das vias. Neste momento, o que está sendo executado no bairro é o trabalho de zeladoria”, diz o texto.
“Como a área sofreu impactos estruturais graves, não há intervenções definitivas possíveis até o início das obras já contratadas, sendo que já foi oficialmente assinada a liberação das verbas mencionadas. Desde o primeiro momento da crise, a Prefeitura manteve presença constante no bairro, com equipes técnicas, Defesa Civil, Assistência Social e o Gabinete Comunitário atuando diariamente, ouvindo a comunidade e acompanhando as demandas locais. Durante o período crítico das chuvas, foram levadas refeições de bote às famílias isoladas, com atendimento direto e contínuo. Neste 2 de março, foi instalada na praça do bairro uma carreta-lavanderia para atender moradores que perderam roupas e eletrodomésticos, ampliando o suporte humanitário oferecido.”