040 tem 5.517 acidentes e 222 mortes em um ano
Cinco mil quinhentos e dezessete acidentes foram registrados na BR-040 em todo o ano passado no trecho mineiro da rodovia. O levantamento é do Núcleo de Comunicação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) que aponta, ainda, 222 mortos e 3.336 feridos em 2011 no mesmo segmento da via. Entre os pontos mais preocupantes está o que fica entre Juiz de Fora e Belo Horizonte. A necessidade de duplicação neste trecho, sobretudo no segmento que contorna o município de Santos Dumont, é apontada pelo Ministério dos Transportes e pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) como única alternativa para reduzir as mortes e os acidentes e enquadrar a estrada nos padrões internacionais de segurança, já que hoje, com topografia acidentada, pista simples em grande parte e com afunilamento em pontes, representa um risco aos motoristas. Com novas tragédias no segmento – pelo menos 11 mortes nos últimos 13 dias -, o assunto sobre as intervenções volta à discussão, coincidentemente, na mesma semana em que o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, informou que está revisando, para cima, os investimentos que serão necessários para a concessão da estrada à iniciativa privada. Com isso, não há data para que a privatização saia do papel, e, muito menos, para que a duplicação, de fato, ocorra.
Inicialmente, a expectativa era de que a empresa vencedora do leilão, que estava previsto para acontecer ainda no primeiro semestre desse ano, investisse R$ 2,52 bilhões nos 937 quilômetros, entre Brasília e Juiz de Fora. Além de a verba estar defasada, visto que o orçamento tem como data-base janeiro de 2007, para o Ministério dos Transportes, é fundamental a duplicação do trecho considerado o mais problemático da estrada por conta dos 17 viadutos em pista simples entre a capital mineira e Juiz de Fora, oito deles em curva. De todos, apenas o Viaduto das Almas, próximo a BH, foi desativado, e o tráfego é realizado, desde outubro de 2010, pelo Viaduto Márcio Rocha Martins.
Superintendente da unidade local do Dnit, Edson Ruffo é enfático. "Não tem como ser diferente. Fatalmente, os viadutos terão que ser duplicados. Não precisa ser ‘expert’ em rodovias para chegar a esta conclusão, até porque, a estrada é uma das principais do país, e sem estrutura pode não comportar o fluxo previsto para 2014, por exemplo. Atualmente o volume de tráfego varia entre 11 mil a 18 mil veículos/dia nos trechos entre Juiz de Fora e Belo Horizonte. Trabalhando com uma expectativa de crescimento do movimento em torno de 3% a 4% ao ano, a rodovia não comportaria o maior fluxo sem a duplicação."
Tragédias
Enquanto a intervenção definitiva não é realizada, a região chora os mortos. No último domingo (26), no km 727 da BR-040, entre Barbacena e Santos Dumont, cinco pessoas morreram em um acidente com um ônibus da Util, que seguia de Belo Horizonte para Niterói (RJ). No último dia 23, outras três pessoas morreram, entre elas mãe e filho, no km 743 da BR-040, na altura de Santos Dumont, depois que um Toyota Corolla, de Brasília (DF), teria batido em um latão, que sinalizava estreitamento na pista em decorrência de um defeito no asfalto, rodado e invadido a contramão, chocando-se lateralmente contra a frente de um caminhão. O acidente aconteceu a menos de três quilômetros de onde, no último dia 17, sexta-feira antes do carnaval, mais três pessoas morreram depois que um guincho despencou do viaduto sobre o Bairro Santo Antônio, também em Santos Dumont, e caiu sobre outro caminhão no município.
As tragédias não são apenas recentes. O segmento entre Ewbank da Câmara e Santos Dumont chegou a ficar conhecido como Trecho da Morte, o que abriu margem até mesmo para processos contra o Governo federal. Em janeiro, uma família de Juiz de Fora conseguiu, na 3ª Vara Federal da Seção Judiciária de Juiz de Fora, o direito de receber indenizações do Dnit por danos morais e materiais pelas mortes, em 2006, de quatro juiz-foranos, entre eles duas crianças de 11 e 12 anos, em um acidente na BR-040, no km 756, no Viaduto do Túnel.
Dnit realiza apenas ações paliativas
Além das ações judiciais, movimentos e estudos acadêmicos são realizados pela sociedade civil na tentativa de chamar a atenção dos órgãos públicos para o perigo da rodovia e buscar acelerar as intervenções. Em Santos Dumont, cidade cortada pelo traçado perigoso da estrada, empresários e moradores criaram, no ano passado, o movimento "BR-040 Urgente." Após questionarem o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) sobre melhorias, tiveram como respostas apenas as ações paliativas, como reforço na sinalização dos trevos de entrada e saída do município, placas de alerta sobre os viadutos e redutores de velocidade.
Em Juiz de Fora, um outro estudo já havia sido iniciado no ano passado, por alunos da Faculdade de Engenharia da UFJF, apontando para a necessidade de criação de uma nova estrada, eliminando os quatro viadutos em pista simples e em curva localizados no segmento de Santos Dumont, datados da década de 1950.
Conforme o secretário de Administração da Prefeitura de Santos Dumont, Ricardo Boza, o Executivo tem conhecimento do projeto da nova estrada, que propõe a formação de um binário com a rodovia já existente. O esquema seria o mesmo do trecho da Serra de Petrópolis, na mesma estrada, mas no trecho sob concessão privada. Ele aponta esta possibilidade como a solução ideal para os problemas de segurança no trecho. "Se a rodovia fosse apenas em um sentido de tráfego, o fluxo de veículos cairia pela metade. Além disso, teríamos a possibilidade de expandir a cidade para outras áreas, onde passaria a nova estrada. Com isso, poderíamos expandir nossa zona industrial e conquistar novas empresas, gerando riquezas. É um sonho para a cidade que isso ocorra, mas, infelizmente, não temos percebido movimentação política suficiente para esta questão."
Sobre a possibilidade de manter o traçado existente e apenas duplicar a estrada, Boza afirma que a Prefeitura é contra este projeto. "Isso não traria benefício algum para nós, porque a quantidade de veículos no trecho permaneceria inalterada, e os acidentes, como aquele do carnaval, quando um caminhão caiu do viaduto e atingiu o perímetro urbano, continuariam ocorrendo."
Para o superintendente da unidade local do Dnit, Edson Ruffo, é preciso, antes de tudo, realizar um estudo aprofundado das propostas, avaliando a viabilidade técnica, econômica e ambiental.
* colaborou Eduardo Valente









