Falta de raio x dificulta atendimento no PAI
Após reunião entre o Sindicato dos Médicos e o Ministério Público (MP) e consequente encaminhamento de uma carta para o promotor da saúde no município, Rodrigo Barros, na qual há denúncia de diversas irregularidades no Pronto Atendimento Infantil (PAI). O documento enumera como problemas na unidade a falta de recursos humanos, instalações inadequadas, falta de higiene, baixa remuneração e falta de um aparelho para raio x. Segundo informações do sindicato, essa denúncia foi feita pelos próprios pediatras que trabalham no local.
De acordo com a ouvidora municipal da saúde, Edna Aparecida Rodrigues, a falta do aparelho é uma das grandes deficiências da unidade, já que, quando é necessário em algum atendimento, o procedimento deve ser feito no Hospital de Pronto Socorro (HPS) ou na Regional Leste. "Imagina a mãe com uma criança com síndrome de bronquite. Ela deve transportar a criança e voltar para o PAI para ver os resultados. Uma mãe tem dois gêmeos asmáticos e está sempre nessa caminhada", lamenta a ouvidora. Segundo Edna, a Ouvidoria já registrou reclamações também acerca do atendimento que apontam para uma demora de até 4 horas. "Nós sabemos que essa demora não é frequente, já que a falta de médicos não é recorrente. As pessoas relatam que são questionadas na unidade sobre o motivo de não terem procurado a UAPs de referência, e elas dizem que lá também não há pediatras", ressalta. Edna, que já leu a denúncia feita pelo sindicato, diz que a sujeira no local também já foi alertada por usuários.
Problema antigo
O vereador José Mansueto Fiorilo (PDT), que á membro da Comissão de Saúde da Câmara Municipal, diz que esse problema da falta do aparelho de raio-x é antigo e que já fez a denúncia em audiência. O legislador disse ter conhecimento do documento e que iria pessoalmente no PAI para checar as informações. Por causa da falta do equipamento, o vereador aponta que, pelo transporte entre a unidade até um dos locais capacitados para o raio x, o tempo de consulta aumenta bastante. "Uma consulta que deveria durar 20 minutos, chega a 5 horas." A distância entre o PAI até o HPS ou até a Regional Leste é de aproximadamente 2,5 quilômetros.
O secretário executivo do Conselho Municipal de Saúde, Jorge Ramos, disse já ter recebido o documento, mas não ter lido ainda. No entanto, em relação à falta do raio x, Ramos confirma a informação que, de fato, é um problema antigo na unidade. Ele diz que o aparelho nunca foi do PAI, que pertencia ao antigo Pronto Socorro, que funcionava na Avenida dos Andradas. O secretário também diz que existe um transporte para levar os necessitados do equipamento até as unidades capacitadas. De acordo com a carta do sindicato, desde 30 de maio de 2011, o PAI não possui o aparelho. Outros equipamentos em falta, conforme o documento, são: laringoscópio com lâminas de tamanho adequado para crianças menores e recém-nascidos, ambú infantil e aspiradores.
A subsecretária de Urgência e Emergência, Adriana Fagundes, reconhece que a estrutura física do prédio precisa de melhorias e afirma que soluções têm sido buscadas. Segundo ela, a Secretaria de Saúde procura um novo imóvel para a transferência do serviço, mas encontra dificuldade. "O maior problema tem sido encontrar um espaço que atenda, porque não queremos deslocar o PAI para um local distante. Estamos contando com apoio da Secretaria de Obras, inclusive com arquiteto e engenheiro, para realizar a transferência, mas se não conseguirmos um novo prédio, já há projeto para reestruturar o atual."
Em relação à falta ou insuficiência de equipamentos, Adriana garante que todos os espaços do PAI contam com aparelhagem e material adequados para os procedimentos realizados e que eles são verificados diariamente. Apenas a falta do raio X foi admitida, mas a subsecretária explica que o aparelho só não foi instalado ainda devido à indecisão sobre a transferência ou não do prédio. "Assim que isso for decidido, será providenciada a instalação."
Adriana explica que realmente há falta de pediatras na rede e que, em janeiro, dois profissionais do PAI pediram demissão. "Mas há processo seletivo em andamento para contratação (de temporários). Apesar da deficiência na escala, é importante destacar que o PAI nunca fica sem médico. Existe pediatra todos os dias."









