Suspeita de morte de criança por febre maculosa é investigada

Presença de cavalos é comum na região
Quatro notificações por suspeita de febre maculosa foram feitas este ano em Juiz de Fora. Um dos casos investigados é de um menino de 2 anos, que morreu na última quinta-feira, sendo enterrado ontem no Cemitério da Barreira do Triunfo. A criança era moradora de Benfica, na Zona Norte, onde o caso provocou comoção. Ela chegou a ficar internada por oito dias no Hospital Albert Sabin, mas não resistiu. Ainda ontem, no final da tarde, deu entrada no Sabin outro menino de 5 anos, da Barreira do Triunfo, com sintomas da doença. Com este caso, pode subir para cinco o número de notificações da moléstia no município. A suspeita de ocorrência da doença deixou a região em alerta.
Diante da gravidade da situação, a Secretaria de Saúde de Juiz de Fora anunciou que uma equipe do órgão será deslocada para a área hoje, a fim de que seja feita uma inspeção. O órgão também informou que vai intensificar as ações preventivas naquela região. De 2006 até agora, seis juiz-foranos faleceram em decorrência de complicações da doença transmitida pelo carrapato-estrela, encontrado principalmente em animais de grande porte, como cavalos e capivaras (ver quadro).
Óbito
No caso da criança de 2 anos, ela faleceu às 19h35 desta quinta-feira, no Sabin, onde havia dado entrada com febre alta no dia 23 de agosto. Um dia após ser internada, a criança precisou ser encaminhada à UTI já em estado grave. Por causa da suspeita da febre maculosa, a unidade requisitou o exame na última segunda-feira. Entre as causas da morte contidas no atestado de óbito estão arritmia pulmonar e choque séptico.
O velório do garoto ocorreu na capela mortuária José Paulino, em Benfica. Parentes e amigos da família estiveram no local para prestar solidariedade. Durante o sepultamento, o clima era de tristeza. Na Rua Diogo Álvares, onde ele vivia, vizinhos estavam chocados com a notícia.
Amostra de sangue
A técnica do Laboratório de Febre Maculosa da Fundação Ezequiel Dias (Funed), Ana Iris de Lima Duré, confirmou à Tribuna que a amostra de sangue do menino morto esta semana está sendo analisada na instituição, em Belo Horizonte. Ela disse ainda que, na próxima segunda-feira, espera receber outras três amostras da cidade para serem examinadas. "Já recebemos a primeira amostra do sangue da criança, mas, até o momento, não há confirmação laboratorial em relação à suspeita de febre maculosa. O diagnóstico é feito por imunoflorescência, mas a recomendação do Ministério da Saúde é que o resultado dessa patologia só seja confirmado com a análise de uma segunda amostra. O diagnóstico laboratorial só é possível após o sétimo dia do aparecimento dos sintomas", explicou Ana Iris.
De acordo com a técnica, o combate a doença não depende do resultado positivo. "O tratamento precoce é essencial para evitar formas mais graves. Sempre que houver suspeita, deve ser adotado o uso de antibióticos próprios para o caso", informa, já que o processo de confirmação gira em torno de 15 dias. A febre maculosa tem cura desde que o tratamento com antibióticos seja introduzido nos primeiros dias de sintomas. O atraso no diagnóstico e, consequentemente, no início do tratamento, pode provocar complicações graves, como o comprometimento do sistema nervoso central, dos rins e pulmões, das lesões vasculares, levando a óbito.
Preocupação entre moradores da Zona Norte
Mesmo sem confirmação oficial de óbitos por causa da febre maculosa em Juiz de Fora, moradores de Benfica e bairros adjacentes temem a existência de outros casos. "Lá tem muita capivara, boi e cavalo solto em pastos, na beira do Rio Paraibuna e andando nas ruas", diz o comerciante Aldimar Brandão, 30. Em Benfica, os moradores alertam para a quantidade de carroças que circulam pelo perímetro urbano, o que aumentaria o risco de transmissão do carrapato causador da doença. Outra moradora da Rua Diogo Álvares, Aline Lúcia Bernardo, 28, está preocupada com a situação, já que um conhecido apresentou quadro de febre, há cerca de 30 dias, vindo a falecer. O aposentado Sebastião Duque, 69, que também reside na mesma via, estava internado na Santa Casa com suspeita da doença. "Quase morri. Fui pescar em Chiador, e, logo depois, comecei a passar mal. Procurei a Policlínica de Benfica, e o médico que me atendeu me transferiu para a Santa Casa. Ele disse que seria por causa dessa febre." Por telefone, Duque afirmou que deveria ter alta ainda ontem. Segundo ele, por causa do temor das pessoas do bairro, é fundamental a orientação sobre a moléstia. Preocupados, moradores do Bairro Araújo pediram ajuda ao vereador Wanderson Castelar (PT), que esteve na área, na tarde de ontem. "São ocorrências muito graves. Por isso, há necessidade de imediata intervenção do Poder Público, principalmente porque estamos num período de seca, o qual favorece a proliferação do carrapato. É preciso, ainda, controlar a população de capivaras nas margens do Rio Paraibuna." Ontem a Secretaria de Saúde afirmou que o Demlurb foi acionado para recolher os cavalos que pastam às margens do rio. Mesmo com a proximidade de animais nas margens do Paraibuna, havia pescadores na altura da Avenida Juscelino Kubitschek, apesar do risco.








