De olho na rede
Computadores, tablets, celulares e outros dispositivos são os atrativos da era virtual que ameaçam – e muito – o reinado da televisão. Por isso, várias emissoras buscam formas de atrair o público da rede para a TV e – por que não? – vice-versa. A importância da internet cresce a uma velocidade impressionante em nosso país. Cada vez mais os brasileiros procuram na banda larga novas formas de interação e conteúdos diferenciados, analisa Renata Abravanel, diretora de projetos de novas mídias e do site do SBT.
A emissora de Sílvio Santos firmou recentemente parceria com a Sony, lançando um canal de serviço de vídeos transmitidos pela internet. Os arquivos podem ser vistos no Sony Bravia Internet Video, disponível nos aparelhos Sony com conexão à internet, entre eles, televisores e blu-ray players. A MTV também pode ser vista fora da TV, inclusive ao vivo. A emissora conta com diversos aplicativos disponíveis para download, como o MTV ao vivo, que transmite a sua programação, em tempo real, em iPods, iPhones e alguns modelos de celulares da marca Nokia. E ainda com o serviço de vídeo pela internet MTV on demand e a plataforma de jornalismo transmídia MTV news, que atraem mais jovens para o portal da rede. Isso sem contar na interação de vários programas com os internautas, através das redes sociais. A MTV foi a primeira emissora a se preocupar com integração em redes sociais na internet. Até porque o nosso público já está inserido nesse meio desde que nasceu. E isso só faz alavancar nossa programação, defende Zico Góes, diretor de programação da MTV, que estabeleceu recentemente parceria exclusiva com a Twitcam, que abre a possibilidade do público jovem oferecer vídeos na web que podem chegar a ser exibidos na TV.
A Globo também estabelece parcerias importantes no ambiente virtual, mas a prioridade agora é valorizar as afiliadas e, de quebra, seu portal Globo.com. A emissora já lançou portais regionais da Bahia, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Minas Gerais. E a previsão é terminar o ano com mais seis, todos atuando em parceria com as emissoras de cada estado e com o portal nacional. Vivemos cada vez mais uma era multimídia. Já investimos em canais fechados e portais há algum tempo, e a tendência é inserir a Globo cada vez nesse conceito, explica Octávio Florisbal, diretor geral da emissora. Dessa forma, ampliam-se também as possibilidades de anunciantes e patrocinadores locais, o que gera mais renda para a rede e suas afiliadas. Mas a proposta da Globo não se justifica apenas pela tendência da internet. Na verdade, o interesse tem fundamentação econômica. As regiões vão crescer cada vez mais. Nos próximos cinco, dez anos, elas vão representar PIBs maiores que países de economia média. Nossa meta é chegarmos a todos os estados assim, planeja Florisbal.
Marcelo Tas também quer alcançar e dar voz a todas as regiões do Brasil. E usa o CQC 3.0 para isso. Todas as segundas, após a exibição do CQC, na Band, os apresentadores interagem com o público da web no site cqc.band.com.br/cqc30aovivo. Alguns deles conseguem até aparecer no programa virtual, através de uma webcam e do software Skype. O projeto começou pequeno e bateu todos os recordes de transmídia das emissoras brasileiras. Chegamos a ter 200 mil pessoas online nas transmissões do ‘CQC’, mais de 20 vezes o recorde das outras emissoras. Nossa média de audiência é 50 mil, garante Tas. Vale ressaltar que Rafinha Bastos, apresentador do programa ao lado de Tas e Marco Luque, foi eleito recentemente, pelo jornal The New York Times, a personalidade mais influente do Twitter no mundo.
Em tempo real
Muitos defendem que o número de pessoas que navegam na internet enquanto assistem TV cresce sem parar. Isso justifica o aumento na participação da internet e das redes sociais em programas ao vivo, caso do Mais você e do próprio reality show Big Brother Brasil, na Globo, e do Acesso, Rockgol e Adnet ao vivo, na MTV. Uma alternativa que, além de prender a atenção do telespectador, também serve como espécie de termômetro para saber se um assunto está funcionando ou não no ar. O nosso espaço para atender o público da web vem crescendo sempre. Aqui, as pessoas sugerem, reclamam, elogiam, enfim, elas realmente participam, valoriza Zico Góes.








