Audiência discute falta de vagas nas escolas

Secretária Denise Vieira disse que falta adesão a cadastro que sinaliza a quantidade de vagas necessárias (FERNANDO PRIAMO/22-02-16)
A dificuldade de alunos para conseguir vagas nas escolas da rede pública foi tema de audiência realizada ontem na Câmara Municipal de Juiz de Fora. De acordo com o vereador e proponente do debate Luiz Otávio Fernandes Coelho (Pardal-PTC), o problema é mais grave entre os estudantes do ensino médio. A informação, no entanto, não foi confirmada pela Superintendência Regional de Ensino (SRE).
Já a Secretaria de Educação (SE) destacou que é dever do Estado garantir o ensino médio, mas há oito escolas municipais com esta oferta, além do projeto de Educação de Jovens e Adultos (EJA). De acordo com a representante da SRE, Lívia Caldas Coelho, não há problema com relação ao número de vagas na rede de ensino estadual. “O que acontece é que os alunos têm preferência pelas escolas Duque de Caxias, Sebastião Patrus de Sousa e Antônio Carlos. Nestas instituições, infelizmente, não temos mais como fazer matrículas. Mas temos vagas para outros colégios, localizados no Centro e nos bairros.”
Segundo ela, a matrícula dos estudantes segue critério de zoneamento, obedecendo a proximidade entre a escola e a residência. A secretária de Educação, Denise Vieira Franco, informou que a rede municipal atende parte desta demanda. “Temos um cadastro que sinaliza a quantidade de vagas necessárias para a comunidade, mas percebemos que não houve adesão da sociedade.” Ela expôs que o cadastro automático, referente aos alunos já matriculados, contabilizou 2.249 vagas, enquanto o cadastro “espontâneo” registrou apenas 126 pedidos de vagas. Já o EJA atende 3.628 estudantes.
Denise ressaltou, ainda, que “não tem como o Município delegar as suas funções, que são os ensinos infantil e fundamental, e priorizar o ensino médio, que é dever do Estado.” Quando o microfone foi aberto ao plenário, o estudante do primeiro ano do ensino médio do Instituto Estadual de Educação, Gabriel Bittencourt Valle, relatou as várias dificuldades enfrentadas pelos alunos da rede pública. “Não há como ter aumento de vagas se não há material didático, professor para dar aulas e condições no ambiente escolar. Na minha escola, não tem luz e os banheiros estão sem porta”, afirmou.
“É triste e desmotivador ver a educação ruir. Cabe ao Estado garantir o ensino médio, mas sabemos que o problema do ensino também ocorre nos anos iniciais. Mas sentimos que nem o Estado e nem a Prefeitura estão preocupados. Os jovens de Juiz de Fora estão abandonados.” A vereadora e presidente da Comissão de Educação da Câmara Ana Rossignoli (PMDB) propôs um encontro entre o Executivo e a SRE para a elaboração de uma representação a ser encaminhada ao Governo de Minas. O vereador e presidente da Comissão dos Direitos da Criança e do Adolescente, Jucelio Maria, sugeriu uma visita ao Instituto Estadual de Educação, conhecido como Escola Normal, e as demais escolas da rede estadual para verificar as condições das instalações.









