Crimes caem em JF e crescem em MG
Enquanto a criminalidade violenta aumentou 10,8% em Minas Gerais, Juiz de Fora apresentou queda no número destes casos, que envolvem homicídios, homicídios tentados, estupros, roubos e roubos a mão armada. No município, foram 1.177 crimes (taxa de 221,04 para cada cem mil habitantes) em 2010, contra 1.075 (taxa de 199,83) no ano passado, o que representa queda de 9,6%. Entre os anos de 2004 e 2011, a taxa de criminalidade violenta caiu 50,41% na cidade, passando de 402,96 para 199,83.
Levando-se em conta apenas os homicídios, conforme levantamento da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), Juiz de Fora apresentou redução de 7,7% para cada grupo de cem mil habitantes: de 8,26, em 2010, para 7,62, em 2011. Em números absolutos, foram 44 registros contra 41. Se comparados os últimos oito anos, os números aumentaram 10,48%, de 6,90 para 7,62. As ocorrências de homicídio subiram de 34 para 41.
Já a criminalidade violenta em Minas Gerais aumentou 10,8% no ano passado em comparação com 2010. A taxa, por grupo de cem mil habitantes, pulou de 250,52 para 277,78. Os dados foram divulgados ontem, em Belo Horizonte, 12 dias após o governador Antonio Anastasia (PSDB) revogar o memorando que impedia a Polícia Militar de repassar à imprensa dados sobre criminalidade violenta. Para a Seds, o crescimento tem como principal causa o aumento da violência armada associada ao tráfico de drogas, como brigas de gangues, disputa de quadrilhas pelo controle de territórios e pontos de drogas e da cobrança de dívidas de usuários. Em números absolutos, os crimes passaram de 50.625 para 56.593.
O aumento da criminalidade violenta interrompe uma queda sucessiva verificada desde 2004, quando começou a ser implantado o atual modelo de segurança pública no estado. Naquele ano, a taxa era de 539,15 para cada grupo de cem mil habitantes.
Maquiagem de BO é debatida na ALMG
Os indícios de manipulação das informações sobre a violência foi debatido ontem na capital. Uma audiência pública na Assembleia Legislativa discutiu as alterações das naturezas de boletins de ocorrência, a fim de amenizar os crimes. Nos dois últimos anos, a Tribuna mostrou casos de homicídios que eram registrados como encontros de cadáver, assaltos à mão armada que viravam extorsão e tentativas de homicídio que se transformavam em lesão corporal. Na audiência, o professor da PUC Minas e ex-secretário de Estado de Defesa Social, Luís Flávio Sapori, confirmou que "há indícios seríssimos" de que os dados estão sendo manipulados. Para ele, o principal motivo está na política de metas do Governo, estratégia que o próprio Sapori ajudou a pensar no estado. "Minas Gerais passou a premiar quem atendia as metas e a punir quem não as atingia", explicou, acrescentando que o modelo "é muito bom, mas que agora, infelizmente, está vazando água".
A pressão sobre os policiais foi confirmada pelos representantes dos trabalhadores. O integrante da Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares de Minas Gerais (Aspra), Luiz Gonzaga Ribeiro, afirmou, categoricamente, que há orientação dos comandantes para que os policiais subnotifiquem casos de violência. Ele disse que os militares que se recusam recebem processo disciplinar e têm sua avaliação de desempenho prejudicada. Falando em nome do Sindicato dos Policiais Civis (Sindipol), Denilson Martins acrescentou que, para aumentar a estatística de apreensão de drogas, os policiais estão fracionando as quantidades capturadas. "Se for crime violento, a maquiagem é para aparecer pouco; se for apreensão de armas e drogas, é para aparecer muito", denunciou.
O Governo se defendeu. "Vivemos uma onda de denuncismo, as pessoas falam sem compromisso com a verdade", rebateu o diretor de Apoio Operacional da PM, coronel Cláudio Antônio Mendes. Já o subsecretário de Promoção da Qualidade e Integração do Sistema de Defesa Social, Frederico César do Carmo, garantiu que os boletins de ocorrência incorretos estão sendo investigados, mas ponderou que não se pode "aceitar denúncias sem nomes e sem fundamento".
Durante a audiência, foi sugerido que o governador determine auditoria externa sobre os dados estatísticos produzidos pelos órgãos estaduais de segurança pública nos últimos cinco anos.








