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Jornalista e escritor Alberto Dines morre aos 86 anos

Ele estava internado há dez dias no Hospital Albert Einstein, no Morumbi, em São Paulo.


Por Agência Estado

22/05/2018 às 10h54

alberto dines foto Rodrigo Ricardo EBC
Foto: Rodrigo Ricardo/EBC

O jornalista, professor e escritor Alberto Dines, fundador do Observatório da Imprensa, morreu nesta terça-feira, 22, aos 86 anos, em São Paulo. Ele estava internado há dez dias no Hospital Albert Einstein, no Morumbi (zona sul). O hospital informou que o falecimento ocorreu às 7h15, sem revelar o motivo.

Em nota, o Observatório da Imprensa lamentou o ocorrido. “É com profunda tristeza que a equipe do Observatório da Imprensa comunica o falecimento de seu fundador, Alberto Dines (1932-2018), na manhã de hoje no hospital Albert Einstein, em São Paulo. Estamos preparando uma edição especial sobre o legado do Mestre Dines a ser publicada em breve”, diz o texto publicado pela entidade no Facebook.

 

Biografia

De acordo com o Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro, elaborado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), Alberto Dines nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, em 19 de fevereiro de 1932, filho de Israel Dines e de Raquel Dines. Iniciou sua carreira em 1952 como crítico de cinema da revista A Cena Muda. No ano seguinte, foi convidado por Nahum Sirotsky para trabalhar como repórter na recém-fundada revista Visão, cobrindo assuntos ligados à vida artística, ao teatro e ao cinema. Posteriormente passou a fazer reportagens políticas. Permaneceu na Visão até 1957, quando foi levado por Nahum Sirotsky para a revista Manchete. Tornou-se assistente de direção e secretário de redação. Após desentendimentos com seu proprietário, Adolpho Bloch, demitiu-se da empresa.

Em 1959, assumiu a direção do segundo caderno do jornal Última Hora. No ano seguinte, foi nomeado editor-chefe da recém-criada revista Fatos e Fotos, tendo colaborado, nessa ocasião, no jornal Tribuna da Imprensa, então pertencente ao Jornal do Brasil. Em 1960, convidado por João Calmon, dirigiu o Diário da Noite, dos Diários Associados de Assis Chateaubriand, convertendo-o em tablóide vespertino.

Ingressou em janeiro de 1962 no Jornal do Brasil como editor-chefe. Com sua entrada a reformulação do jornal foi afinal consolidada, pois ele sistematizou as modificações que levaram o periódico a ocupar posição de destaque na imprensa brasileira, influindo na formação da opinião pública e estimulando a reestruturação gráfica dos demais jornais.

Em 1963, criou e ocupou a cadeira de jornalismo comparado na Faculdade de Jornalismo da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Nesse período, fundou, dirigiu e colaborou regularmente com os Cadernos de Jornalismo e Comunicação do Jornal do Brasil. Em 1965, instituiu a cadeira de teoria da imprensa na PUC-RJ, onde lecionou até 1966.

Convidado para paraninfar uma turma desta Faculdade logo após a edição do AI-5, fez um discurso criticando a censura e, em consequência, foi preso em dezembro de 1968 e submetido a inquérito. Em 1971, recebeu o Prêmio Maria Moors Cabot da Universidade de Colúmbia, nos Estados Unidos.

Foi demitido em 1973 do Jornal do Brasil, depois de 12 anos como editor. No JB, criou o Departamento de Pesquisa, a Editoria de Fotografia, a Agência JB, além dos Cadernos de Jornalismo. Em 1974 deixou a Fatos e Fotos, viajando para os Estados Unidos, onde foi professor-visitante na Universidade de Colúmbia durante um ano,

Retornou ao Rio de Janeiro em julho de 1975 e assumiu a chefia da sucursal carioca da Folha de S. Paulo, convidado por Cláudio Abramo, diretor de redação. Em 1980, deixou o jornal e passou a colaborar no semanário O Pasquim, onde reeditou a coluna “Jornal dos jornais”. Em seguida assumiu o cargo de secretário editorial da Editora Abril, em São Paulo. Como diretor-editorial-adjunto, participou da criação de revistas como a Exame de Portugal.

Entre 1988 e 1995, residiu em Lisboa como diretor do Grupo Abril em Portugal. Foi também diretor da empresa Jornalistas Associados, que prestava serviços de consultoria no Brasil e em Portugal. Em 1994 criou em Portugal o Observatório da Imprensa.

De volta ao Brasil em 1994, foi o responsável pela criação do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Passou também a escrever, entre agosto de 1994 e setembro de 1995, uma coluna de crítica ao jornalismo na revista Imprensa.

Em abril de 1996 lançou a versão eletrônica do Observatório da Imprensa, jornal de crítica e debate sobre o jornalismo contemporâneo, que passou a ter uma edição na TV Educativa do Rio de Janeiro em maio de 1998. Voltou ao Jornal do Brasil em outubro de 1998, onde passou a manter coluna semanal de crítica jornalística.

Recebeu o título de notório saber em história e jornalismo pela Universidade do Estado de São Paulo (Usp), na qual também é membro da comissão de avaliação do curso de jornalismo. Casou-se em primeiras núpcias com Ester Rosali Dines, sobrinha de Adolfo Bloch, com quem teve quatro filhos, e em segundas núpcias com a jornalista Norma Couri.