Morre o ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência Gustavo Bebianno

Ele estava em sua casa, em Teresópolis, na região serrana do Rio, e teria sofrido um infarto


Por Agência Estado

14/03/2020 às 14h27- Atualizada 14/03/2020 às 18h43

O ex-secretário geral da Presidência Gustavo Bebianno morreu na madrugada deste sábado em Teresópolis, aos 56 anos, e foi enterrado no Cemitério Municipal Carlinda Berlim, na mesma cidade, na Região Serrana fluminense. O enterro em Teresópolis seria um desejo de Bebianno, que considerava o sítio na cidade serrana um de seus locais preferidos. Segundo o presidente estadual do PSDB do Rio, Paulo Marinho, Bebianno estava em um sítio com seu filho quando se sentiu mal, por volta das 4h. Marinho ainda disse que ele foi levado a um hospital da cidade, onde teria tido um ‘infarto fulminante’.

Pouco antes de falecer, Bebianno trabalhava num livro sobre os bastidores da campanha presidencial de 2018. Bebianno foi coordenador da campanha que elegeu o presidente Jair Bolsonaro, mas deixou o governo ainda em fevereiro de 2019, após desavenças com o núcleo duro do Planalto, incluindo os filhos do presidente. Após deixar o governo, Bebianno passou uma temporada nos Estados Unidos. Na volta ao Brasil, se aproximou de João Doria, para quem vinha prestando consultoria. Filiado ao PSDB, ele chegou a confirmar sua pré-candidatura a prefeitura do Rio no início do mês.

A revelação de que Bebianno trabalhava no livro foi feita na tarde de sábado pelo empresário Paulo Marinho. Segundo Marinho, Bebianno teve uma reunião com representantes da editora Top Books, na sede de outra editora, a Ediouro, no Centro do Rio, na manhã de sexta-feira, 13. Em seguida, Marinho e Bebianno almoçaram, ao lado do ex-deputado estadual do Rio Carlos Osório (PSDB), num restaurante no Leblon. Marinho contou que seu último contato com Bebianno foi por volta de 18h de sexta, quando o pré-candidato a prefeito do Rio disse que viajaria a Teresópolis, para descansar durante o fim de semana.

“Tenho uma tese: o Gustavo morreu de tristeza”, afirmou Marinho, numa referência à saída de Bebianno do governo Bolsonaro. O presidente estadual do PSDB lembrou que Bebianno tinha saúde de “atleta”, praticava jiu-jítsu, mas vinha se alimentando mal. Somada à tristeza, Marinho citou o “estresse” da campanha eleitoral, do período de transição de governo e dos primeiros meses de governo. Além disso, como não era uma pessoa da “política”, Bebianno era “puro”, disse, “sem ambições”, o que causava mais estresse ao se relacionar no mundo da política, palco habitual de traições e disputas.

Além do livro sobre os bastidores da campanha eleitoral de 2018, que já teria até título (“Uma eleição improvável”, disse Marinho), há uma semana, no sábado, 7, Bebianno havia gravado imagens para um documentário sobre as eleições vencidas por Bolsonaro. Com direção do cineasta Bruno Barreto, o documentário ainda está na fase de coleta de depoimentos. Embora tenha dito que Bebianno se sentia ameaçado, tinha porte de armas e andava frequentemente com uma pistola Glock, Marinho descartou suspeitas sobre as causas da morte. Conforme Marinho, o infarto foi confirmado na autópsia.