Mato Grosso do Sul pede ajuda federal contra incêndios no Pantanal

Segundo estimativa do Ibama, fogo já consumiu um milhão de hectares no estado


Por José Maria Tomazela para Agência Estado

12/09/2019 às 13h37- Atualizada 12/09/2019 às 13h42

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Brigadistas do Ibama combatem o foto em Corumbá (Foto: Divulgação/PrevFogo)

O governo de Mato Grosso do Sul decretou situação de emergência por causa dos incêndios florestais que devastam principalmente o Pantanal, um dos mais importantes ecossistemas brasileiros, considerado patrimônio natural mundial. Até esta quinta-feira (12), o fogo havia consumido 1 milhão de hectares, segundo estimativa do Ibama.

O decreto, assinado pelo governador Reinaldo Azambuja, foi publicado no Diário Oficial desta quinta-feira e tem o objetivo de garantir recursos e apoio do governo federal para o combate às chamas que avançam sem controle áreas rurais em nove municípios.

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que o número de incêndios de janeiro a setembro deste ano mais que triplicou em relação ao mesmo período do ano passado, subindo de 1.902 para 6.301. O município de Corumbá, no Pantanal Sul, assumiu a liderança no ranking nacional de queimadas, com 1.834 focos este ano – 634 só este mês. Nas últimas 48 horas, no Estado, foram 397 novos pontos de fogo, 90% deles criminosos, disse o secretário Jaime Verruck, do Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar.

O fogo se concentra nos municípios de Corumbá, Aquidauana, Anastácio, Bonito, Miranda, Bodoquena, Ladário e Porto Murtinho, todos na região do Pantanal e do Parque Nacional Serra da Bodoquena. O decreto considera o mês de setembro como o mais crítico para incêndios florestais em razão da estiagem de quase 60 dias, a baixa umidade do ar e os alertas para ondas de calor no Estado, com alto risco à população. Conforme o governo estadual, houve aumento expressivo no atendimento em unidades de saúde por doenças relacionadas à qualidade do ar.

A situação de emergência vigora por 180 dias e autoriza a mobilização de toda a estrutura do Estado em ações de resposta ao desastre. O governo pode convocar voluntários para reforçar o aparato oficial. Segundo o secretário Verruck, o número de focos sofreu alteração drástica nos últimos dias e o fogo se expandiu velozmente.

O Corpo de Bombeiros deslocou 200 homens, inclusive militares que estavam de folga, para as frentes de combate às chamas, mas espera por reforços em pessoal e equipamentos do Ministério da Integração Regional e do Exército. Foi pedido também apoio operacional às empresas de celulose e entidades ligadas ao agronegócio.

Nesta quinta-feira, o governo esperava a chegada de aeronaves pedidas ao Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad), órgão do Ministério, para se juntar aos dois aviões que já estão na área. O comandante do Corpo de Bombeiros, tenente-coronel Fernando Carminati, sobrevoou a região durante seis horas na tarde de Quarta-feira (11) e constatou os focos de maior gravidade estão na região do Pantanal e em sua borda, abrangendo os municípios de Aquidauana, Miranda e Corumbá. Ele contou que o piloto foi obrigado a operar a aeronave por instrumentos devido à densa fumaça.

O fogo mais intenso consumia matas da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Estância Caiman, um polo de turismo ecológico importante do Pantanal e que desenvolve projetos de preservação da fauna. Um avião agrícola é usado no combate às chamas. As queimadas lançaram uma cortina de fumaça sobre a capital, Campo Grande, e os pilotos que usavam o aeroporto internacional precisaram recorrer à ajuda de instrumentos por falta de visibilidade na manhã desta quinta-feira.

Os incêndios em números:

– Área queimada este ano: 1 milhão de hectares

– Total de focos este ano: 6.301

– Focos no mesmo período em 2018: 1.902

– Focos em Corumbá: 1.834

– Focos nas últimas 48 horas: 397

– Número de municípios em emergência: 9

– Bombeiros na frente de combate: 200

Fontes: Defesa Civil e Inpe