Trump anuncia imposição de sanções adicionais ao Irã
Em live, Bolsonaro reforça apoio aos EUA; Brasil desmarca reunião com autoridades iranianas
O presidente americano, Donald Trump, anunciou em pronunciamento nesta quarta-feira (8), na Casa Branca, que vai impor sanções econômicas adicionais ao Irã “imediatamente”. “Essas sanções permanecerão [em vigor] até o Irã mudar de comportamento”, acrescentou. As declarações foram feitas após o regime iraniano ter lançado mísseis a bases militares utilizadas por forças americanas no Iraque, na sequência de um ataque aéreo feito pelo governo americano em Badgá e que culminou na morte do general iraniano Qassim Suleimani, que comandava as Força Quds, unidade especial da Guarda Revolucionária do Irã.
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Após o ataque iraniano de terça, Trump afirmou que o Irã “parece estar se resignando, o que é uma coisa boa”. O republicano elogiou as forças militares de seu país, “mais fortes do que nunca”, mas afirmou que espera não precisar utilizá-las na hipótese de um conflito com a nação persa. Mesmo assim, disse que o Exército dos Estados Unidos está preparado para “qualquer coisa”.
“Toleramos o comportamento do Irã por muito tempo, mas esses dias terminaram”, atacou Trump. Ele defendeu que o Ocidente trabalhe “junto” por um acordo com o regime iraniano que torne o mundo “um lugar mais seguro”. O governo americano deixou o acordo nuclear de 2015 com o Irã e, após a escala de conflitos na última semana, o país persa afirmou que também não o cumprirá mais. “Enquanto eu for presidente, o Irã nunca terá uma arma nuclear”, voltou a dizer.
Trump também anunciou que vai pedir à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que se torne “muito mais envolvida” nas questões no Oriente Médio.
“Suleimani deveria ter sido eliminado muito antes”, afirmou Trump. Ele defendeu que o Irã abandone “suas ambições nucleares” e acabe com seu “apoio ao terrorismo”. Ele apontou ainda que nenhuma vida foi perdida após o lançamento dos mísseis, graças aos preparativos de segurança feitos com antecedência.
Em live, Bolsonaro reforça apoio aos EUA
Em meio ao conflito entre Irã e Estados Unidos, o presidente Jair Bolsonaro fez mais um gesto de apoio ao presidente norte-americano, Donald Trump. Na tarde desta quarta-feira, Bolsonaro participou de uma transmissão ao vivo nas redes sociais na qual aparecia assistindo ao discurso de Trump na televisão.
Ao final do vídeo, Bolsonaro afirmou que “muitos acham que o Brasil deve se omitir aos acontecimentos” e fez diversas referências ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nesta quarta, Lula criticou a atuação do governo Bolsonaro na crise entre Irã e EUA. Em entrevista ao site Diário do Centro do Mundo, o petista defendeu que “o momento não é adequado para o Brasil se meter em uma briga externa” e chamou Bolsonaro de “lambe botas do Trump”.
“Muitos acham que o Brasil deve se omitir nos tocantes aos conhecimentos… Só quero dizer uma coisa: o senhor Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto presidente da República, esteve no Irã e lá defendeu que aquele regime pudesse enriquecer urânio acima de 20%, que seria para fins pacíficos”, disse Bolsonaro na live.
Durante a transmissão ao vivo, que durou cerca de 10 minutos, Bolsonaro ficou o tempo todo sentado. Enquanto assistiu ao discurso de Trump, ele também segurou um exemplar da Constituição e marcou alguns trechos com marca-texto. Sobre um deles, citou que o Brasil tem como princípio das relações internacionais a “defesa da paz e o repúdio ao terrorismo”.
O presidente brasileiro também afirmou que “nós temos que seguir as nossas leis” e “não podemos extrapolar”. “Acredito que a verdade tem que fazer parte do nosso dia a dia, que nós queremos paz no mundo”, declarou.
“A nossa Constituição aqui diz no artigo 4 ‘A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios a defesa da paz e no repúdio ao terrorismo’. Uma boa tarde a todos e que Deus abençoe o nosso Brasil”, concluiu Bolsonaro.
Brasil desmarca reunião com autoridades iranianas
Uma reunião de rotina que estava previamente agendada entre a representante do Brasil em Teerã e autoridades iranianas foi desmarcada nesta quarta. Segundo o Itamaraty, o encontro foi adiado a pedido do governo brasileiro por considerar que “o atual momento é delicado”. A ideia é esperar o retorno ao país do embaixador Rodrigo Azeredo, que está de férias.
“A reunião para tratar de temas culturais estava agendada e foi adiada a pedido do Brasil, no entendimento de que o atual momento é delicado. O assunto será reanalisado oportunamente, quando do regresso do Embaixador do Brasil em Teerã ao posto, e uma nova data para o encontro deverá ser agendada”, informou o Ministério de Relações Exteriores ao Broadcast Político, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
Esta seria a segunda conversa em uma semana que a encarregada de negócios da embaixada brasileira em Teerã, Maria Cristina Lopes, teria com os iranianos. Há três dias, ela foi convocada a prestar esclarecimentos sobre a posição do Brasil em relação à morte do general iraniano, Qassim Suleimani, que ocorreu durante um ataque ordenado pelo governo dos Estados Unidos.
Na ocasião, segundo uma fonte, Maria Cristina enfatizou que a nota do Itamaraty sobre a morte de Suleimani não era contra o Irã e que há outros aspectos das relações bilaterias, como o comércio, que os brasileiros não gostariam de ver afetados.
O encontro desta quarta entre a diplomata brasileira e os iranianos havia sido agendado para tratar de cooperação de modo geral, com foco maior na área da cultura. “Seriam assuntos cotidianos das relações bilaterais”, disse um integrante do Itamaraty que acompanha as conversas.










