Ouça agora

Ao menos 30% das notícias mais divulgadas de Brumadinho eram falsas

Último balanço atualizado aponta 134 pessoas mortas; 199 permanecem desaparecidas


Por Agência Estado

04/02/2019 às 20h53- Atualizada 05/02/2019 às 18h13

Pelo menos 30% das notícias mais divulgadas sobre a tragédia de Brumadinho na última semana eram falsas ou incorretas, segundo aponta um estudo da Diretoria de Análises de Políticas Públicas (DAPP) da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Diferentemente do que ocorre num contexto eleitoral – em que as fake news teriam por objetivo trazer vantagens para determinados grupos políticos -, no caso da tragédia, a meta é atrair cliques. Essas notícias falsas são divulgadas mesmo a custo da propagação de mentiras ou desinformação.

“A notícia sensacionalista, de aspecto emocional, gera clique”, resume o pesquisador Lucas Calil, da DAPP/FGV. “Quanto mais emocionais elas são, maior o engajamento.” Mesmo assim, segundo o pesquisador, sempre pode existir um interesse político subjacente. “Sempre pode interessar a um grupo político acelerar a investigação sobre as causas da tragédia, por exemplo”, afirmou. “Nesse caso específico, há centenas de forças envolvidas, as mineradoras, o governo do Estado, o governo federal, os governos anteriores.”

O levantamento foi feito a partir de todos os links sobre o rompimento da barragem compartilhados no Facebook das 12h de sexta-feira, dia 25 de janeiro, até as 12h da sexta-feira seguinte, dia primeiro de fevereiro. Os pesquisadores destacaram, então, os 100 links com maior volume de interações (um total de 26,9 milhões de comentários, compartilhamentos e reações), foram analisados mais a fundo. Nada menos que 30 deles apresentaram recursos de desinformação.

bra brumadinho
Nesta segunda, buscas foram suspensas no período da manhã por causa da chuva que caiu na região do acidente (Foto: Tulio Santos/EM/D.A Press)

Segundo o estudo, a maior parte dos links de maior alcance de desinformação é de aspecto emocional. Ou seja, os links mostram imagens de resgate de pessoas e, principalmente, de animais que, na verdade, não tem veracidade comprovada. Um dos vídeos mais divulgados, segundo o levantamento, atribuído a um salvamento dos militares israelenses, ocorreu, na verdade, na guerra da Síria.
Outro levantamento feito pela FGV nos primeiros dias depois da tragédia, revelou uma grande mobilização no Twitter. Entre as 12h de sexta-feira, 25 de janeiro, dia do rompimento, até as 12h de segunda-feira, dia 28, foram 3,95 milhões de menções na rede social. Nesse caso, a maior parte das postagens (110 mil) era em solidariedade às vítimas e pedidos de ajuda.

Mortes

As buscas por vítimas do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, em Minas Gerais, foram retomadas na tarde desta segunda-feira, 4, depois de ficarem suspensas no período da manhã por causa da chuva que caiu na região do acidente. “Aeronaves com condições de voo seguro. As equipes retomaram, normalmente, os trabalhos, exceto em um ponto à direita da barragem rompida, que oferece menor segurança”, informou o Corpo de Bombeiros. Por volta do meio-dia, foram divulgados novos números. Segundo a corporação, 134 pessoas morreram e 199 permanecem desaparecidas.

CPI

Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as causas do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, na Grande Belo Horizonte, foi protocolada nesta segunda (4), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, com a assinatura de 36 de um total de 77 deputados. O mínimo necessário de parlamentares para o registro do pedido era de 26. Segundo a autora da solicitação de CPI, deputada Beatriz Cerqueira (PT), as investigações vão envolver empresas e órgãos de fiscalização ambiental.

Para que comece a funcionar, no entanto, o pedido precisa agora passar por análise da Mesa Diretora da Casa. Inicialmente será analisada a existência de pré-requisitos para a instalação da comissão, como número suficiente de assinaturas e fato determinado. Em seguida, será comunicada ao Plenário a chegada do pedido. A partir deste ponto, líderes discutem nomes para a presidência, relator e outros integrantes da comissão. Não há data prevista para que tudo isso ocorra.