Advogado de Bolsonaro virá a JF para estudar processo

Frederick Wassef, que assumiu a defesa do presidente, quer estudar os detalhes do processo contra Adelio Bispo


Por Agência Estado

02/10/2019 às 21h36

O advogado Frederick Wassef, que assumiu a defesa do presidente Jair Bolsonaro, virá a Juiz de Fora para estudar os detalhes do processo relacionado à facada desferida por Adelio Bispo no então candidato à Presidência durante campanha na cidade, em 6 de setembro de 2018. O defensor disse, nesta terça-feira (1º de outubro), concordar “integralmente” com o procurador-geral da República, Augusto Aras, para quem Adelio Bispo não agiu sozinho no episódio da facada.

Wassef acredita que foi um equívoco a defesa de Bolsonaro não ter recorrido do arquivamento do caso, pedido pelo Ministério Público Federal. “Era necessário provar que Adelio não é louco. É um assassino profissional e foi pago para isso”, afirmou Wassef ao jornal O Estado de S. Paulo. Em entrevista ao Estado, Wassef politizou o caso ao cobrar o mesmo destaque dado ao assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL), morta a tiros em 2018 no Rio de Janeiro.

Na avaliação do defensor do presidente, há uma “organização criminosa” por trás da tentativa de assassinato de Bolsonaro. Com a procuração nas mãos para defender o presidente, o advogado – que também representa o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) no caso das movimentações financeiras atípicas, virá a Juiz de Fora (MG) estudar os detalhes do processo arquivado.

‘Julgamento acabou’

O advogado Zanone Manuel de Oliveira Júnior, responsável pela defesa de Adelio Bispo de Oliveira, disse nesta quarta-feira que a tentativa de ressuscitar o caso de seu cliente é algo tardio, pois o julgamento de Adelio já transitou em julgado, ou seja, esgotou todas as possibilidades de recurso.
Sobre as afirmações de Wassef, Zanone rebateu: “Pena que ele (Wassef) chegou tarde. Já transitou em julgado. O julgamento do Adelio acabou. Aquilo ali nunca mais. Talvez na próxima encarnação”.

Segundo o advogado, existe interesse político do presidente em manter o caso Adelio em evidência. “A participação do novo advogado é absolutamente legítima. A gente já percebeu que é politicamente conveniente que este assunto não morra”, afirmou.

Em 2018, a PF concluiu que o autor da facada agiu sozinho. Segundo a Justiça Federal em Juiz de Fora, Adelio é inimputável por sofrer de distúrbios mentais. Bolsonaro e o Ministério Público Federal optaram por não recorrer da decisão. Dentro de três anos o autor da facada será submetido a nova perícia. Segundo o advogado, se for constatado que ele está são, Adelio pode ser libertado.

TRF-1

Nesta quarta-feira, 2, o Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (TRF-1) formou maioria a favor do entendimento de que é competência do Supremo Tribunal Federal (STF) analisar a legalidade da operação contra o advogado Zanone Júnior, defensor de Adelio Bispo.

Zanone foi alvo de uma busca e apreensão da Polícia Federal, mas o material apreendido na operação não foi analisado por força de uma decisão liminar.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) argumenta que a apreensão fere a prerrogativa profissional que garante sigilo entre advogado e cliente.
O caso levou Bolsonaro a fazer ataques contra o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, alvo de insinuações do presidente sobre a morte de seu pai, Fernando Santa Cruz, desaparecido durante a ditadura militar depois de ser preso por agentes do DOI-CODI no Rio de Janeiro, em 1972.

Zanone acredita que seu celular já foi periciado – até porque a liminar em favor da OAB saiu semanas depois da apreensão do aparelho – e que ele próprio e sua família são alvo de investigações dos órgãos de segurança do governo. “Eles estão tentando ver se tem um mandante e é legítimo. Mas você acha que a PF, a Abin (Agência Brasileira de Inteligência), a inteligência do Exército não estão todo mundo me monitorando desde o primeiro dia, monitorando meus parentes, meu sigilo fiscal, meu sigilo sexual, tudo, até o útero da minha mãe?”, disse o advogado.

Zanone disse que foi contratado por uma pessoa que ele não quer identificar para fazer a defesa de Adelio. Pessoas próximas desconfiam que o advogado, na verdade, decidiu entrar no caso por conta própria para aproveitar a visibilidade que o julgamento poderia lhe dar.
Segundo ele, o suposto contratante não entrou mais em contato. “Não tive mais acesso à pessoa que me contratou”, afirmou.