Ministério da Saúde suspende vacina contra a dengue do Butantan
Unidades que aplicaram a vacina nas últimas três semanas devem fazer o acompanhamento de pessoas vacinadas
O Ministério da Saúde suspendeu preventivamente o uso da vacina do Butantan contra a dengue após registro de reações adversas que estão associadas temporalmente à aplicação do imunizante. O Instituto Butantan, responsável pela fabricação do imunizante, informou que irá reavaliar a estratégia vacinal.
Em Juiz de Fora, a decisão do Ministério da Saúde não causa impactos, pois de acordo com a Prefeitura, não houve aplicações da vacina do Butantan. A imunização contra a dengue na cidade tem sido feita com a vacina QDenga.
De acordo com a recomendação do Ministério da Saúde, unidades que aplicaram a vacina nas últimas três semanas devem realizar o acompanhamento de pessoas vacinadas para identificar se houve reações nesse grupo.
Segundo dados apresentados pela pasta, foram 42 reações apresentadas entre as 500 mil pessoas que receberam a vacina. Nesse universo, três pessoas tiveram reações graves, destas, duas morreram. O Ministério da Saúde disse que ainda não pode confirmar se os casos graves são consequência do uso da vacina.
Entenda os casos graves
Nos três casos graves, os pacientes registraram sintomas de dengue grave num espaço de até três semanas depois da vacina.
Nos dois casos de óbito, uma mulher de 48 anos teve comprometimento neurológico após manifestar os sintomas 19 dias após a vacinação. Na outra situação, um homem de 58 anos teve quadro febril cinco dias após tomar a vacina, com rápida evolução para sintomas de dengue grave, com choque refratário.
Nos últimos 21 dias, tanto pessoas individualmente quanto a unidade básica de saúde, tiveram acompanhamento especial para identificar se pessoas que tomaram a vacina acabaram desencadeando sinais de alerta ou reação adversa.
“Os 42 casos significam oito casos para cada 100 mil doses aplicadas. É um sinal de alerta que recomenda a descontinuidade até que se possa realizar todas as investigações necessárias para ver reação de causalidade, fatores relacionados dentro de 500 mil doses aplicadas”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
A jornalistas, Padilha afirmou que nenhum desses casos registrados foi detectado nos estudos clínicos da vacina, que foi feito com 11 mil pessoas. “Foram eventos inesperados que não foram observados em todos os estudos clínicos observados.”
Reavaliação da estratégia vacinal
O Instituto Butantan publicou nota afirmando que haverá reavaliação da estratégia vacinal, e que profissionais de saúde estavam sendo vacinadas com o imunizante neste momento. “A orientação ocorre em razão de alguns casos de reação adversa detectados, três deles com sinal de gravidade, em um universo de aproximadamente 500 mil vacinados, que podem ou não estar relacionados à vacinação. A medida visa garantir a segurança da população nas próximas etapas da vacinação.”
Além disso, o Butantan afirmou estar trabalhando juntamente com o Ministério da Saúde e com a Anvisa, fornecendo todas as informações necessárias sobre as vacinas. E completou: “Cabe ressaltar que a vacina teve eficácia global de 79,6% e 89% contra dengue grave em estudo publicado em revista científica internacional. Nos três municípios onde houve vacinação em massa da população – Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), o acompanhamento de farmacovigilância se mostrou positivo, sem casos importantes de reação adversa na população”.
A nota finaliza: “O Instituto Butantan, como já demonstrado em casos recentes, seguirá trabalhando com o mais absoluto rigor para aprofundar as informações sobre o uso da vacina para que, em se confirmando sua segurança, a vacinação possa ser retomada em breve, com toda a tranquilidade para a população atendida pelo SUS. O Instituto Butantan reafirma seu compromisso de entregar produtos seguros e eficazes para enfrentamento de problemas de saúde pública brasileira pelo SUS”.









