Seleção do Haiti não pode jogar no próprio país e disputará com Brasil pela Copa após 52 anos
Haiti volta à Copa após 52 anos, mesmo sem jogar em casa por causa da violência e com atletas da diáspora haitiana

A seleção do Haiti garantiu vaga na Copa do Mundo de 2026 após 52 anos de ausência, em uma das histórias mais improváveis do futebol. A classificação veio com a vitória por 2 a 0 sobre a Nicarágua nas Eliminatórias da Concacaf, que garantiu a liderança do grupo e a segunda participação haitiana em Mundiais.
Desde 2021, porém, a equipe não pode jogar em seu território devido à violência armada e passou a disputar partidas como mandante em campos neutros, tornando-se uma das raras seleções a chegar à Copa sem atuar em casa nas Eliminatórias.
Instabilidade no Haiti
Em 2021, o assassinato do presidente Jovenel Moïse intensificou a instabilidade política e o avanço das gangues armadas no país.
- 2021 – Centro de treinamento tomado por gangue: O Ranch de Croix-des-Bouquets, principal centro de treinamento da seleção haitiana, foi ocupado pela gangue 400 Mawozo. Posteriormente, parte das instalações foi danificada e incendiada em confrontos entre criminosos e policiais.
- 2024 – Estádio nacional ocupado: O Stade Sylvio Cator, principal estádio do país, foi tomado por grupos armados. Segundo a Federação Haitiana de Futebol, um funcionário chegou a ser sequestrado e ameaçado durante a escalada da violência.
A seleção haitiana também reflete a diáspora do país. Dos 26 convocados para a Copa de 2026, apenas dez nasceram no Haiti, enquanto a maioria nasceu ou foi criada em países como França, Estados Unidos, Canadá e Suíça.
Apenas um jogador atua em um clube haitiano. Alguns atletas nunca disputaram uma partida no Haiti e, em certos casos, sequer visitaram o país, embora mantenham laços familiares e culturais com a nação caribenha.
Segunda vez na Copa do Mundo
Mesmo longe de sua estrutura esportiva e sem poder contar com o apoio da torcida em casa, o Haiti garantiu uma classificação histórica para a Copa do Mundo de 2026. Confirmada em novembro de 2025, a vaga foi recebida como um momento de união e esperança por haitianos no país e pela diáspora espalhada pelo mundo.
Com mais de 1,5 milhão de haitianos vivendo no exterior, a celebração alcançou comunidades em diferentes países. No Mundial, a equipe integra o Grupo C com Escócia, Marrocos e Brasil, em uma campanha que, segundo o técnico Sébastien Migné, representa orgulho e inspiração para a população.










