Psicóloga revela que pessoas esgotadas pelo trabalho não precisam provar o tempo todo que merecem estar onde estão

Psicóloga alerta que hábitos digitais e pressão no trabalho aumentam o desgaste mental e recomenda limites para preservar o bem-estar


Por Yasmin Henrique

19/06/2026 às 18h23

Psicóloga revela que pessoas esgotadas pelo trabalho não precisam provar o tempo todo que merecem estar onde estão

A relação das pessoas com o trabalho passou por mudanças profundas nos últimos anos, e hábitos aparentemente simples da rotina profissional podem influenciar diretamente a saúde mental. Segundo a psicóloga Elena Arnaiz, abrir e-mails assim que começa o expediente, manter o celular sempre visível ou trabalhar com diversas abas abertas são comportamentos que mantêm o cérebro em estado constante de alerta e podem aumentar o desgaste emocional.

Para a especialista, o bem-estar não depende apenas de fatores tradicionalmente associados à saúde, como sono, alimentação e atividade física. A forma como o trabalhador se relaciona com suas atividades, estabelece limites e organiza a rotina também interfere na qualidade de vida.

Esgotamento no trabalho

Mudança na relação com o trabalho

  • Segundo Elena Arnaiz, gerações anteriores associavam o trabalho ao sacrifício, resistência e estabilidade como recompensa pelo esforço.
  • Já os profissionais mais jovens enfrentam pressões ligadas à insegurança, excesso de demandas e necessidade de provar seu valor.

Esgotamento e validação

  • O desgaste não vem apenas da quantidade de tarefas, mas da sensação de precisar demonstrar constantemente que merece permanecer no emprego.
  • A disponibilidade permanente pode levar à confusão entre produtividade e estar sempre ocupado.

Tecnologia e rotina profissional

  • A digitalização trouxe agilidade, mas reduziu pausas e interações que ajudavam na recuperação emocional.
  • A conexão constante dificultou a separação entre trabalho e vida pessoal.

Estratégias contra o desgaste

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que excesso de trabalho, baixa autonomia, insegurança profissional e falta de apoio aumentam os riscos à saúde mental. A entidade e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) recomendam medidas para reduzir fatores psicossociais no ambiente profissional.

Estudos da psicologia cognitiva também indicam que a multitarefa prejudica a concentração, aumenta o esforço mental e favorece a exaustão. Entre as estratégias para reduzir o desgaste estão organizar prioridades, limitar notificações e criar períodos de foco sem interrupções. Ambientes com apoio e segurança psicológica também contribuem para o bem-estar dos trabalhadores.