Mulher que morreu ao ser lançada sem corda em ponte de São Paulo pagou R$330 aos instrutores

Maria Eduarda Rodrigues, de 21 anos, morreu após ser lançada sem cordas em um salto de rope jump; seis pessoas são investigadas e três permanecem presas.


Por Evellyn Nascimento

15/06/2026 às 14h36

Mulher que morreu ao ser lançada sem corda em ponte de São Paulo pagou R$330 aos instrutores

O que deveria ser uma experiência de aventura terminou em tragédia no interior de São Paulo. Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, morreu após ser lançada de uma altura de cerca de 40 metros durante um salto de rope jump na chamada Ponte do Esqueleto, entre os municípios de Limeira e Cordeirópolis, no sábado, 13 de junho.

A jovem havia pago R$330 pela atividade, sendo R$180 pelo salto na modalidade conhecida como “aviãozinho” e outros R$150 para registrar a experiência com uma câmera 360 graus. Segundo a investigação, ela foi arremessada sem que as cordas de segurança estivessem presas ao seu corpo. O caso levou à prisão de três instrutores e abriu uma investigação sobre possíveis falhas na organização da atividade.

O que aconteceu no momento do salto

Vídeos gravados por pessoas que estavam no local registraram os instantes que antecederam a queda. Nas imagens, Maria Eduarda aparece sendo carregada por três homens até a plataforma antes de ser lançada.

Pouco depois do salto, pessoas que acompanhavam a atividade começam a gritar ao perceber a falha.

“A corda! Gente, a corda!”

A gravação rapidamente se espalhou pelas redes sociais e passou a ser uma das principais provas analisadas pelos investigadores.

De acordo com a Polícia Civil, a jovem foi a primeira participante a saltar naquele dia. A modalidade escolhida, chamada de “aviãozinho”, consiste em manter a pessoa na posição horizontal antes do lançamento, enquanto os instrutores a seguram pelos braços e pelas pernas.

O relato dos instrutores

Os três homens responsáveis pelo arremesso foram presos em flagrante por homicídio com dolo eventual, quando a pessoa não deseja diretamente provocar a morte, mas assume o risco de que ela aconteça.

Segundo a delegada Andréa Dantas Levy, responsável pelo atendimento inicial do caso, dois dos envolvidos afirmaram ter sofrido um “apagão” durante a preparação do equipamento.

“Eles disseram que não conseguem se recordar onde e quando ocorreu a falha, quem teria de ter colocado e não colocou. Em um esporte de risco desse, era para terem checado três vezes”, afirmou a delegada ao jornal O Globo.

Além dos três presos, outras três pessoas que atuavam na organização do salto foram levadas para prestar depoimento. Elas foram liberadas porque, segundo a investigação, não tinham responsabilidade direta sobre a instalação das cordas nem visão do momento do salto.

Quem era Maria Eduarda

Maria Eduarda
Foto: Reprodução/Redes Sociais

Moradora de Jandira, na Grande São Paulo, Maria Eduarda havia se formado recentemente em Educação Física e Gestão Esportiva. Em suas redes sociais, compartilhava conteúdos relacionados à prática de atividades físicas, viagens, natureza e bem-estar.

Pouco antes do salto, ela publicou uma mensagem em tom de brincadeira nos stories do Instagram.

“Quem foi o doido que deixou eu vir pular de uma ponte?”

Horas depois da tragédia, seu perfil foi retirado do ar.

Segundo relatos divulgados pela imprensa, uma pessoa que a acompanhava no local passou mal ao presenciar o acidente e precisou receber atendimento médico. A polícia ainda pretende ouvi-lo durante a investigação.

Ponte do Esqueleto já era alvo de alertas

A tragédia também reacendeu discussões sobre a segurança da Ponte do Esqueleto, estrutura que há anos é associada a acidentes e ocorrências graves. Segundo a delegada responsável pelo caso, o local já foi cenário de mortes acidentais, suicídios e outros episódios envolvendo falhas em atividades de aventura.

A Prefeitura de Limeira afirma que vinha cobrando providências dos órgãos federais responsáveis pela área. Em nota, o município declarou que já havia enviado ofícios solicitando medidas de segurança e que pretende buscar responsabilização pela falta de controle de acesso ao local.

Já a Secretaria de Patrimônio da União (SPU) informou que nunca autorizou atividades esportivas na ponte e afirmou que vinha tentando restringir o acesso à estrutura desde 2024.

O que é o rope jump

O rope jump é uma modalidade de esporte radical que combina salto em altura e técnicas de escalada. Após a queda livre, o praticante é desacelerado por cordas de segurança fixadas em pontos de ancoragem.

A atividade ganhou popularidade internacional nos anos 1990 graças ao escalador norte-americano Dan Osman, considerado um dos pioneiros da modalidade. Curiosamente, o próprio atleta morreu em 1998 durante um salto após uma falha no sistema de cordas utilizado na atividade.

No caso de Maria Eduarda, porém, a principal linha de investigação não aponta para um defeito no equipamento, mas para uma falha humana durante a preparação do salto. A Polícia Civil busca esclarecer como uma atividade que depende justamente da conferência rigorosa das cordas foi iniciada sem que o principal sistema de segurança estivesse conectado à participante.