Muita gente ignora este sinal no ouvido sem saber o que ele realmente significa

Zumbido no ouvido é percepção de som sem fonte externa que pode afetar a saúde e a rotina e deve ser avaliado por médico


Por Yasmin Henrique

22/06/2026 às 11h05

Muita gente ignora este sinal no ouvido sem saber o que ele realmente significa

O zumbido no ouvido, percepção de sons sem fonte externa, pode afetar sono, concentração e rotina. Apesar de a perda auditiva ser uma das causas mais conhecidas, evidências recentes apontam um conjunto mais amplo de fatores, como exposição prolongada a ruído, uso de medicamentos, diabetes, hipertensão, alterações na mandíbula e problemas no ouvido.

Um estudo transversal publicado pela Springer Nature, com 203 pacientes, identificou perda auditiva associada em 20,7% dos casos. Também foram registrados exposição prolongada a ruído em 7,4%, uso crônico de anti-inflamatórios em 6,4%, cera impactada em 5,4% e exposição súbita a som intenso em 2,5%.

Zumbidos no ouvido

Características do zumbido e possíveis associações clínicas:

  • Pulsátil: pode estar relacionado a alterações na circulação sanguínea.
  • Com tontura: sugere possível envolvimento do ouvido interno.
  • Com dor, secreção ou sensação de ouvido tampado: pode indicar inflamação ou acúmulo de cera.
  • Bilateral: associado a início mais precoce, uso contínuo de anti-inflamatórios e consumo de álcool.

Epidemiologia e impacto:

  • Prevalência global: cerca de 10% a 15% da população apresenta tinnitus, com impacto relevante em parte dos casos.
  • Brasil: estimativa superior a 25 milhões de pessoas afetadas.
  • Fatores metabólicos e cardiovasculares: evidências associam o sintoma a condições sistêmicas.
  • Diabetes: meta-análise de 2025 indica aumento aproximado de 18% no risco de zumbido.
  • Hipertensão: estudos apontam associação, especialmente quando combinada com outras doenças vasculares.

Outros impactos e análises

O zumbido não se limita ao sistema auditivo. Estudos com EEG e fMRI indicam alterações em redes cerebrais ligadas à atenção, emoção e processamento sensorial, o que ajuda a explicar sua persistência mesmo com audição preservada. Estresse, ansiedade e privação de sono tendem a intensificar a percepção, sobretudo em ambientes silenciosos.

A exposição a sons altos segue como principal fator evitável, incluindo fones em volume elevado, shows, máquinas e trânsito intenso, com potencial de desencadear ou agravar o quadro. Especialistas recomendam proteção auditiva, controle da pressão arterial, revisão de medicamentos e cuidado com o sono.

A avaliação médica é indicada quando o sintoma é persistente, piora, ocorre em apenas um ouvido ou vem com perda auditiva, tontura, dor ou secreção, exigindo investigação do histórico e de possíveis causas associadas.