Benefício mais valorizado pelos brasileiros já não cobre os gastos mensais com comida
Alta dos preços da comida reduz o poder de compra dos trabalhadores, e 62% precisam complementar os gastos com o próprio salário

Embora os benefícios de alimentação continuem entre os mais valorizados pelos trabalhadores brasileiros, o aumento do custo de vida tem reduzido seu poder de compra. A pesquisa “Retrato do Trabalhador Formal“, realizada pela Pluxee, mostra que 62% dos trabalhadores precisam complementar as compras de supermercado com recursos do próprio salário, já que o vale-alimentação não cobre os gastos mensais.
O levantamento aponta que o benefício tem valor médio de R$ 537, enquanto a cesta básica custa cerca de R$ 740. Dados da Fipe indicam ainda que o saldo do vale-alimentação durou, em média, apenas 14,3 dias em março de 2026.
No caso do vale-refeição, a perda de poder aquisitivo é ainda mais evidente. Segundo a Pluxee, em 2019 o benefício custeava cerca de 18 dias úteis de refeições, enquanto atualmente cobre aproximadamente 10 dias, acompanhando a alta dos preços no setor de alimentação.
Benefício mais valorizado
Apesar da perda de poder de compra, os benefícios de alimentação seguem entre os mais valorizados pelos trabalhadores e têm papel cada vez mais relevante nas estratégias de atração e retenção de talentos das empresas. Levantamento da Ticket aponta que 76% dos profissionais acreditam que o vale-alimentação e o vale-refeição contribuem para uma rotina de trabalho mais saudável.
Entre as opções oferecidas pelas empresas, o vale-alimentação lidera a preferência dos trabalhadores. Pesquisa da Pluxee mostra que 49% dos entrevistados consideram esse benefício o mais importante, enquanto 31% apontam o vale-refeição como a principal vantagem.
Ampliação do uso
Com o objetivo de ampliar a concorrência e a liberdade de uso dos benefícios, novas regras do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) entraram em vigor em fevereiro de 2026. Entre as mudanças estão a aceitação dos cartões em qualquer maquininha de pagamento, a limitação das taxas das operadoras a 3,6% e a redução do prazo de repasse aos estabelecimentos para até 15 dias.
As medidas foram alvo de disputas judiciais, mas voltaram a valer integralmente após a derrubada de liminares concedidas a empresas do setor. A Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador (ABBT) alerta que a abertura dos arranjos pode descaracterizar a finalidade dos benefícios e aproximá-los de um meio de pagamento comum.









