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Casos de sarampo reforçam importância da vacinação, São Paulo confirma mais de 15 pacientes infectados

O registro de novos casos de sarampo no Brasil e o aumento de surtos em outros países voltaram a acender o alerta das autoridades de saúde sobre uma doença que já havia sido considerada eliminada da circulação contínua no país.


Por Natália Mancio

06/08/2026 às 22h15

O registro de novos casos de sarampo no Brasil e o aumento de surtos em outros países voltaram a acender o alerta das autoridades de saúde sobre uma doença que já havia sido considerada eliminada da circulação contínua no país. Embora o Brasil tenha recuperado, em 2024, a certificação de país livre do sarampo, especialistas reforçam que a manutenção desse status depende diretamente da alta cobertura vacinal da população.

O tema foi abordado no programa Tribuna no Ar pelo médico infectologista Dr. Marcos Moura, que destacou que a redução da vacinação nos últimos anos criou grupos mais vulneráveis à circulação do vírus. Segundo ele, a desinformação e o crescimento dos movimentos antivacina contribuíram para diminuir a proteção coletiva, aumentando o risco de novos surtos.

O infectologista explica que o sarampo está entre as doenças infecciosas de maior capacidade de transmissão. O vírus se espalha pelo ar, por meio de gotículas eliminadas ao tossir, espirrar ou falar, facilitando a disseminação em ambientes com grande circulação de pessoas, como escolas, creches e transportes públicos.

Outro fator de preocupação é o período de incubação da doença. Uma pessoa infectada pode viajar entre cidades ou estados antes mesmo do aparecimento dos primeiros sintomas, favorecendo a introdução do vírus em novas regiões.

Os primeiros sinais costumam surgir após o período de incubação e incluem febre alta, tosse, coriza e conjuntivite.

Somente depois desses sintomas aparecem as manchas vermelhas características da doença, que se espalham pelo corpo. Segundo Dr. Marcos Moura, embora algumas pessoas apresentem quadros leves, o sarampo pode evoluir para complicações graves, especialmente em crianças pequenas, idosos e pessoas com baixa imunidade.

Entre os riscos associados ao sarampo estão pneumonia, internações e complicações neurológicas que podem deixar sequelas permanentes ou até levar à morte. Por isso, o especialista destaca que a prevenção continua sendo a estratégia mais eficaz para impedir a circulação do vírus.

Vacinação protege toda a população para evitar novos casos de sarampo

A principal forma de prevenção é a vacina Tríplice Viral, oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Além de proteger quem recebe o imunizante, a vacinação contribui para criar uma barreira coletiva contra a transmissão da doença, reduzindo o risco para pessoas que não podem ser vacinadas por motivos médicos, como pacientes imunossuprimidos ou em tratamento oncológico. Segundo o infectologista, manter altas coberturas vacinais é fundamental para evitar que casos importados desencadeiem surtos locais.

O registro de novos casos de sarampo no Brasil e o aumento de surtos em outros países voltaram a acender o alerta das autoridades de saúde sobre uma doença que já havia sido considerada eliminada da circulação contínua no país.

Centro especializado atende pacientes com indicação especial

Durante a entrevista, Dr. Marcos Moura lembrou que pacientes com condições específicas, como pessoas imunossuprimidas ou com determinadas comorbidades, devem receber avaliação individualizada antes da vacinação. Em Juiz de Fora, esse atendimento é realizado pelo Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE), localizado na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), que oferece orientação e imunização para grupos que necessitam de protocolos diferenciados.

A orientação do especialista é que toda a população procure uma unidade básica de saúde para verificar se o esquema vacinal está completo, tanto para o sarampo quanto para outras doenças imunopreveníveis. Segundo Dr. Marcos Moura, a decisão individual de não se vacinar ultrapassa o âmbito pessoal e pode comprometer a proteção coletiva, permitindo o retorno de doenças que já estavam controladas no país.