Pesquisas recentes indicam que cannabis medicinal e Alzheimer podem estar ligados a freio na progressão da doença
Pesquisas recentes sobre cannabis medicinal e Alzheimer, incluindo um ensaio clínico brasileiro com microdoses, indicam efeitos neuroprotetores e estabilização cognitiva em pacientes com doença de Alzheimer leve. Entenda o que a ciência já sabe e quais são os limites desse uso
A relação entre cannabis medicinal e Alzheimer deixou de ser apenas hipótese distante de laboratório para entrar no radar da prática clínica e do debate público. Em um cenário de envelhecimento acelerado da população e poucas opções eficazes de tratamento, qualquer evidência sólida de neuroproteção chama atenção.
No Tribuna no Ar, o convidado Diego Rodrigues, pesquisador em cannabis medicinal e fundador da MEDKAYA, ajudou a traduzir o que os estudos mais recentes têm mostrado sobre microdoses subpsicoativas de canabinoides em idosos com doença de Alzheimer leve – com foco em segurança, impacto na memória e possíveis efeitos na progressão da doença.
Cannabis medicinal e Alzheimer: por que o tema é urgente?
Os números explicam a urgência. De acordo com estimativas baseadas em dados da Alzheimer’s Disease International, cerca de 1,2 milhão de pessoas vivem com algum tipo de demência no Brasil, com aproximadamente 100 mil novos casos por ano. No mundo, são cerca de 50 milhões de pessoas, com projeções que apontam para 74,7 milhões em 2030 e 131,5 milhões em 2050, impulsionadas pelo envelhecimento populacional.
Um ensaio clínico conduzido pela UNILA avaliou o efeito de microdoses diárias de extrato de cannabis em pacientes com doença de Alzheimer em estágio leve. O desenho da pesquisa seguiu o padrão considerado “padrão ouro” na ciência:
randomizado (os pacientes são distribuídos aleatoriamente entre os grupos);
duplo-cego (nem pacientes nem pesquisadores sabem quem está recebendo cannabis ou placebo durante o estudo);
controlado por placebo (grupo comparador recebe substância inativa, mas com mesma aparência).









