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Falta de terapeutas ocupacionais impulsiona novo curso voltado às demandas da saúde regional 

Crescimento da demanda por reabilitação, envelhecimento da população e aumento dos diagnósticos de neurodivergências reforçam a necessidade de novos terapeutas ocupacionais. 


Por Tribuna de Minas

20/07/2026 às 11h00

Encontrar um terapeuta ocupacional disponível tem se tornado uma tarefa cada vez mais difícil para pacientes e famílias. Em Juiz de Fora, referência regional em saúde, o desafio é sentido diariamente. A cidade recebe pessoas de diversas localidades da Zona da Mata que percorrem quilômetros em busca de reabilitação e atendimento especializado, aumentando a pressão sobre uma rede que atende muito além de sua área de abrangência. A demanda por esses profissionais se estende a hospitais, Unidades Básicas de Saúde (UBS), serviços de saúde mental, centros de reabilitação, instituições de longa permanência para idosos e projetos sociais. 

É uma procura que se repete em todo o território mineiro, onde a escassez de terapeutas ocupacionais – profissionais que auxiliam pessoas de todas as idades a desenvolver, recuperar ou adaptar habilidades necessárias para realizar as atividades do cotidiano com autonomia e segurança – já motivou debates na Assembleia Legislativa. Em todo o país, o envelhecimento da população, o aumento dos diagnósticos de neurodivergências e a maior procura por reabilitação física têm impulsionado a busca por terapeutas ocupacionais, levando o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Coffito) a ampliar iniciativas para valorização da profissão, como a criação de uma plataforma para consulta de especialistas com títulos oficialmente reconhecidos. 

Juiz de Fora também passou a responder a essa demanda. Para formar profissionais capazes de atuar na reabilitação e na promoção da autonomia de pessoas de diferentes faixas etárias, o UniAcademia lançou o curso presencial de graduação em Terapia Ocupacional, com título de bacharelado. A proposta, segundo a coordenadora do curso, Paula Abreu, é aliar sólida formação técnica a uma abordagem humanizada. “Queremos formar profissionais tecnicamente preparados, mas também sensíveis às necessidades das pessoas e capazes de atuar em equipes interdisciplinares”, resume.

A autonomia costuma ser tratada como um ponto de chegada. Mas, para Paula Abreu, coordenadora do curso de Terapia Ocupacional do UniAcademia, ela é, antes de tudo, um processo que pode ser construído mesmo diante de limitações físicas, sensoriais, cognitivas, mentais ou sociais. É justamente essa atuação, voltada à promoção da independência e da participação nas atividades do cotidiano, que tem ampliado a demanda por terapeutas ocupacionais em diferentes áreas da saúde. 

Um dos exemplos está no acompanhamento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Nesses casos, um atendimento individualizado, adaptado às características e necessidades de cada pessoa, favorece o desenvolvimento de habilidades, amplia a autonomia e fortalece a participação na vida cotidiana.  Esse cuidado, no entanto, vai além do acompanhamento de pessoas com TEA. A terapia ocupacional está presente em diferentes fases da vida, da infância ao envelhecimento. Da criança que aprende a brincar e a escrever ao idoso que deseja continuar indo sozinho ao banco, ao parque ou ao mercado, o objetivo é preservar ou desenvolver a autonomia para que cada pessoa participe do cotidiano com independência, significado e pertencimento. 

Para o reitor do UniAcademia, prof. Giovânio Aguiar, a escassez de terapeutas ocupacionais produz impactos que vão além da área da saúde, afetando diretamente a qualidade de vida da população. “Quando uma família precisa esperar meses por uma consulta de terapia ocupacional para uma criança autista ou para um idoso em reabilitação física, percebemos que o impacto dessa escassez é social e humano”, afirma. Segundo ele, a expectativa é que, no longo prazo, a implantação do curso contribua para consolidar Juiz de Fora e a Zona da Mata como um polo de referência ainda mais robusto em saúde integral.  

Demanda faz surgir faculdade de Terapia Ocupacional em Juiz de Fora 

Se a escassez de terapeutas ocupacionais ajuda a explicar a criação do novo curso, a proposta pedagógica revela como a instituição pretende formar esses profissionais. A matriz curricular foi estruturada para aproximar os estudantes da prática desde os primeiros períodos, em contato direto com serviços de saúde, equipamentos públicos e diferentes realidades sociais. Outro eixo da proposta é o uso de atividades e recursos terapêuticos como parte do processo de cuidado. Artes, dança, movimento, música e atividades manuais deixam de ser apenas ferramentas complementares e passam a integrar a formação voltada para uma prática humanizada, criativa e centrada nas necessidades de cada pessoa. A matriz também incorpora conteúdos ligados às transformações da área, como Tecnologia Assistiva, Terapia Ocupacional Digital e outras tecnologias aplicadas ao cuidado.

Para o reitor do UniAcademia, a Terapia Ocupacional mantém sua tradição humanista, mas precisa acompanhar as transformações tecnológicas que impactam a área. Segundo ele, a inclusão de disciplinas como Tecnologia Assistiva e Terapia Ocupacional Digital busca preparar os estudantes para desenvolver soluções personalizadas de acessibilidade. “Quando trazemos para a sala de aula disciplinas como Tecnologia Assistiva e Terapia Ocupacional Digital, estamos preparando o estudante para criar soluções personalizadas de acessibilidade, usando desde recursos de impressão 3D até plataformas digitais de reabilitação”, afirma Aguiar. O diferencial do curso, acrescenta, é que o aluno não aprende esses conteúdos de forma passiva. 

Ao longo da graduação, os alunos desenvolvem projetos de extensão em todos os semestres e participam de Projetos Integradores voltados a desafios contemporâneos, em uma perspectiva multiprofissional e voltada para Metodologias Ativas e Aprendizado Baseado em Projetos (PBL).  Nos períodos finais, a carga horária é concentrada em estágios supervisionados em hospitais, serviços de saúde, reabilitação física, saúde mental, assistência social e atenção à pessoa com deficiência. 

Para quem busca uma carreira voltada ao cuidado, à inclusão e à promoção da autonomia, e oportunidades de estágio e emprego com diversas áreas de atuação, o novo curso presencial de bacharelado em Terapia Ocupacional do UniAcademia está com inscrições abertas. Informações sobre a matriz curricular, a estrutura de laboratórios, as formas de ingresso e todos os detalhes da formação podem ser consultadas no site da instituição