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Teste às cegas elege as três melhores granolas dos supermercados

Especialistas avaliaram aparência, textura, aroma e sabor de 11 granolas vendidas em supermercados


Por Estadão Conteúdo

28/07/2026 às 14h11

Criada inicialmente com finalidade medicinal, a granola atravessou diferentes períodos históricos até se tornar um alimento associado a um estilo de vida natural. Atualmente, o produto é consumido no café da manhã, em lanches e como acompanhamento de frutas, iogurtes, sobremesas e outras receitas.

Um teste às cegas realizado pelo Paladar avaliou 11 granolas tradicionais encontradas em supermercados de São Paulo. Os jurados analisaram aparência, textura, aroma e sabor. As marcas Austrália, Tia Sônia e GranoSquare ocuparam as três primeiras posições.

Durante a avaliação, os especialistas apontaram problemas como excesso de açúcar, uso elevado de gorduras e falta de qualidade ou diversidade nos ingredientes. Os produtos com grãos integrais, castanhas, oleaginosas e equilíbrio entre adoçantes e óleos receberam as melhores avaliações.

Teste às cegas elege as três melhores granolas dos supermercados
Foto: Pexels

O que é granola?

A granola é produzida principalmente com aveia em flocos, combinada a oleaginosas, como nozes, castanhas, pistache e amendoim, além de outras sementes. A composição também pode incluir frutas secas, adoçantes, como mel ou açúcar, e algum tipo de gordura, como óleo de coco.

Uma das principais características do produto é o processo de forno, responsável por proporcionar a textura crocante. Apesar de ter sido criada como um cereal matinal, a granola passou a ser consumida em diferentes momentos do dia por ser prática e fornecer energia.

Qual é a origem da granola?

A invenção da granola é atribuída ao médico James Caleb Jackson, que desenvolveu, em 1863, um alimento chamado “granula” em uma clínica de Nova York, nos Estados Unidos. Jackson acreditava que diversas doenças estavam relacionadas à digestão e defendia o consumo de cereais como forma de tratamento.

Anos depois, o médico John Harvey Kellogg, responsável pela criação dos Corn Flakes, desenvolveu uma receita semelhante. Após uma disputa pelo uso do nome, ele passou a chamar o alimento de “granola”, termo que se popularizou.

Na década de 1960, o produto ressurgiu como uma alternativa aos cereais industrializados. A granola ganhou projeção durante o festival de Woodstock, quando foi distribuída ao público diante da falta de estruturas de alimentação como as encontradas atualmente em grandes eventos.

A partir daquele momento, o produto passou a ser associado à cultura hippie e à busca por uma alimentação mais natural. Na década de 1970, consolidou-se comercialmente e começou a ser usada em barrinhas de cereais, coberturas para sorvetes e versões industriais e artesanais em diferentes países.

Como consumir granola?

A granola pode ser consumida no café da manhã acompanhada de leite, iogurte, bebidas vegetais ou frutas frescas. Também pode ser ingerida pura, em barrinhas ou adicionada a vitaminas, sobremesas e saladas.

O valor nutricional, no entanto, pode variar conforme a composição. Algumas versões industrializadas apresentam quantidades elevadas de açúcar e gordura. Já as receitas caseiras permitem maior controle sobre os ingredientes utilizados.

Como foi realizado o teste às cegas?

O teste de granolas foi realizado no Mag Market, no Bairro Itaim, em São Paulo. A avaliação contou com profissionais responsáveis por algumas das granolas artesanais da cidade.

Participaram Juliana Coladela, chef da doceria de Tássia Magalhães; Neka Mena Barreto, banqueteira; Rafael Santos, subchef do La Cura Gastronomia; e Ricardo Moisés, chef padeiro da Mediterrain Padaria Artesanal.

Foram analisadas 11 granolas tradicionais vendidas em supermercados da capital paulista. Os produtos foram consumidos sem leite ou iogurte para evitar interferências na avaliação. Aparência, textura, aroma e sabor estiveram entre os critérios considerados.

Os jurados criticaram principalmente o excesso de açúcar e de gorduras, que pode provocar sabor rançoso, além da qualidade irregular dos ingredientes. Os especialistas valorizaram produtos com ingredientes integrais, presença de castanhas e oleaginosas e equilíbrio no uso de adoçantes e óleos.

Mesmo sem conhecer as marcas avaliadas, os jurados também destacaram os produtos vendidos em embalagens que impedem a entrada de luz, característica que ajuda a preservar a granola.

Regulamento do ‘Paladar Testou’

Antes das avaliações realizadas pelo Paladar, a reportagem faz um levantamento das marcas disponíveis no mercado. Nos dias anteriores ao teste, as amostras são compradas em grandes redes de supermercados e empórios de São Paulo.

No caso dos produtos artesanais, as compras são realizadas anonimamente nas lojas virtuais das marcas. Dessa forma, as empresas não são informadas de que seus produtos participarão de uma degustação às cegas.

O júri também não recebe previamente informações sobre as marcas selecionadas. O “Paladar Testou” é uma iniciativa exclusivamente editorial.

Os preços dos produtos foram apurados na segunda quinzena de abril de 2026.

As três melhores granolas dos supermercados

Austrália

Apesar do nome, a granola é produzida no Rio Grande do Sul. Classificada como uma granola “viva”, foi elogiada pela crocância, pela variedade de grãos e pela diversidade de texturas.

Segundo o júri, o nível de dulçor não se sobrepõe aos demais sabores. A embalagem com 300 gramas custava R$ 59,98 no supermercado Mambo.

Tia Sônia

Produzida na Bahia, a granola reúne ingredientes como coco, rapadura e tapioca. Os jurados destacaram o tom dourado do produto e o sabor levemente salgado, que ajuda a equilibrar a composição.

Apesar dos elogios, o conjunto foi considerado um pouco mais doce do que o ideal. A embalagem com 200 gramas custava R$ 18,09 no Carrefour.

GranoSquare

A granola foi elogiada pelo aspecto brilhante, pelo aroma e pela crocância das oleaginosas. A mistura também contém flocos de milho, grãos envolvidos em calda e sementes de girassol, gergelim e linhaça.

O excesso de dulçor e o sabor de canela considerado artificial reduziram a avaliação. A marca também é produzida no Rio Grande do Sul. A embalagem com 200 gramas custava R$ 33,98 no Mambo.

Outras marcas avaliadas pelo júri

Carrefour

A granola apresentou pouco sabor, crocância e frescor, conforme os avaliadores. O aroma artificial e a aparência sem brilho também foram criticados. A embalagem com 300 gramas custava R$ 8,49.

Jasmine

O produto apresentou pouca variedade de ingredientes e textura levemente murcha. Segundo os jurados, o resultado foi uma granola sem profundidade de sabores. A embalagem com 250 gramas custava R$ 10,49 no Atacadão.

Kobber

A granola foi considerada doce, seca e previsível. A ausência de oleaginosas e a presença de flocos de milho industrializados contribuíram para a percepção de um produto “infantil no paladar”. A embalagem com 250 gramas custava R$ 12,90.

Mãe Terra

O visual opaco e o excesso de dulçor foram os principais aspectos apontados. Os jurados também perceberam um sabor residual semelhante ao de leite em pó.

A falta de contraste entre texturas e sabores deixou o resultado “meio tedioso”, de acordo com a avaliação. A embalagem com 400 gramas custava R$ 24,99.

Natural Life

Os avaliadores identificaram excesso de xarope e um sabor próximo ao de mel artificial. O produto foi considerado mais industrial do que natural. A embalagem com 300 gramas custava R$ 9,99.

Naturale

A textura recebeu avaliação positiva, mas o aroma artificial e a aparência foram criticados. A embalagem com 800 gramas custava R$ 19,99.

Villa Mar Castanha

O produto apresentou pouca presença de oleaginosas e uma composição considerada básica. A embalagem com 200 gramas custava R$ 7,90.

Vitao

A granola tinha grande quantidade de flocos processados, alguns deles com textura murcha, além de aroma levemente rançoso. As passas estavam secas, o que reforçou a percepção de falta de frescor. A embalagem com 800 gramas custava R$ 50,99.

Texto reescrito com o auxílio do Chat GPT e revisado por nossa equipe