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Seu pet está se coçando mais? Primavera pode agravar alergias

Pólen, ácaros, fungos e aumento de pulgas podem intensificar alergias em cães e gatos durante a primavera


Por Tribuna de Minas

27/09/2026 às 06h00

A chegada da primavera pode aumentar a ocorrência de problemas dermatológicos em cães e gatos, principalmente entre animais que já apresentam predisposição a alergias. Mudanças de temperatura, umidade e vegetação favorecem a exposição a agentes como pólens, ácaros, fungos e ectoparasitas, que podem desencadear ou agravar crises.

Entre os problemas mais comuns estão a dermatite atópica e a dermatite alérgica à saliva da pulga (Dasp). O clima mais quente e úmido também pode favorecer a proliferação de fungos, ácaros, pulgas e carrapatos, ampliando os riscos para animais sensíveis.

Segundo a médica-veterinária Flávia Jávare, do Hospital Veterinário do Centro Universitário Max Planck (UniMAX Indaiatuba) e especialista em Dermatologia em Animais e Cia., a mudança de estação pode interferir diretamente na rotina dos pets que já apresentam sensibilidade.

“Na primavera, pode haver uma maior exposição aos alérgenos ambientais, como os pólens pela polinização das plantas. O aumento da umidade também favorece a proliferação de fungos ambientais e ácaros, aumentando a exposição aos alérgenos e causando crises nos indivíduos alérgicos”, explica a veterinária.

Seu pet está se coçando mais? Primavera pode agravar alergias
Foto: Magnific

Doenças de pele podem se intensificar na primavera

Uma das condições que pode sofrer influência da estação é a dermatite atópica, também chamada de atopia. A doença é crônica e inflamatória e provoca coceira, além de poder apresentar variações conforme fatores ambientais e sazonais.

Outro quadro que exige atenção é a dermatite alérgica à saliva da pulga. Com o aumento da atividade desses parasitas em períodos mais quentes e úmidos, animais alérgicos podem apresentar piora dos sintomas após as picadas.

Entre os agentes ambientais associados a alergias estão ácaros da poeira doméstica, como Dermatophagoides farinae e Blomia tropicalis, pólens de gramíneas, como Paspalum notatum e Cynodon dactylon, além de fungos como Aspergillus fumigatus e Alternaria alternata.

A primavera também pode favorecer outros problemas de pele, como piodermites secundárias, picadas de pulgas e carrapatos, dermatites em dobras, principalmente em cães braquicefálicos, e dermatofitoses, causadas por fungos.

Coceira nem sempre significa alergia

A coceira é um dos principais sinais associados a problemas alérgicos, mas não deve ser considerada isoladamente. O animal pode se coçar com as patas, morder ou lamber determinadas regiões do corpo de forma excessiva.

Outras doenças dermatológicas, como a escabiose, também podem provocar coceira intensa. Por isso, é importante observar sinais como vermelhidão, feridas, queda de pelos, descamação, mau odor e infecções de ouvido recorrentes.

A frequência, a duração e a evolução dos sintomas também devem ser levadas em consideração durante a avaliação veterinária.

“A coceira excessiva não significa necessariamente que o animal tenha uma alergia. Para diferenciar uma doença alérgica de outras afecções dermatológicas, é importante avaliar a distribuição e a evolução das lesões, a intensidade da coceira e outros sinais clínicos associados. Como a alergia é uma doença crônica, inflamatória e pruriginosa, os sinais podem se intensificar ao longo do tempo e sofrer influência de fatores ambientais e sazonais”, destaca a Dra. Flávia Jávare.

Como é feito o diagnóstico?

A investigação das alergias em cães e gatos pode incluir exames dermatológicos, como raspados cutâneos e citologias, além de culturas, triagens alérgicas e testes cutâneos.

Nos casos em que há suspeita de alergia alimentar, o veterinário pode indicar uma dieta de eliminação. Já os testes alérgicos podem ajudar a identificar os agentes envolvidos e auxiliar na definição do tratamento, inclusive com eventual indicação de imunoterapia.

“A avaliação profissional é importante não apenas para controlar os sintomas, mas para investigar a causa e definir a estratégia de tratamento. Em doenças dermatológicas, identificar corretamente o problema é fundamental para evitar que um sinal aparentemente simples, como uma coceira, se transforme em um quadro persistente”, ressalta Dra. Flávia Jávare.

Algumas raças têm maior predisposição

Entre os cães, algumas raças apresentam maior predisposição ao desenvolvimento de alergias, como shih tzu, buldogue francês, yorkshire terrier e golden retriever.

Nos gatos, essa associação com raças é menos estabelecida, mas pode ser observada em animais siamês, persa e também sem raça definida.

Apesar de não ser possível eliminar completamente os alérgenos presentes no ambiente, algumas medidas podem ajudar a reduzir a exposição:

  • manter a casa limpa e ventilada;
  • aspirar regularmente os locais onde os animais permanecem;
  • higienizar camas, mantas, estofados e outros objetos usados pelos pets;
  • manter o controle de pulgas, carrapatos e outros ectoparasitas.

Nos animais que já apresentam alergias, o controle ambiental deve ser acompanhado de tratamento veterinário adequado. A abordagem depende de cada caso e pode envolver banhos terapêuticos, medicamentos imunomoduladores, anti-inflamatórios, antibacterianos e antifúngicos, além de controle de ectoparasitas.

Em determinadas situações, também pode ser indicada a imunoterapia imuno-específica, que busca reduzir a sensibilidade do animal aos alérgenos e contribuir para o controle da doença a longo prazo.

“O objetivo do controle ambiental é reduzir a carga de exposição aos agentes alergênicos. Nos animais alérgicos, essas medidas devem estar associadas ao tratamento adequado, que precisa ser individualizado de acordo com as características e necessidades de cada paciente”, conclui a médica-veterinária Flávia Jávare.

Texto reescrito com o auxílio do Chat GPT e revisado por nossa equipe