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Kayky se foi imberbe

Ele provavelmente deixará o Fluminense sem ter entrado em campo no Maracanã uma vez sequer diante dos tricolores

Por Gabriel Ferreira Borges

27/04/2021 às 07h00 - Atualizada 27/04/2021 às 13h45

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É melancólico que a saída de Kayky soe daqui a alguns anos apenas como uma efeméride (Foto: Lucas Merçon/Fluminense/Divulgação)

Estreou, seduziu, subjugou e partiu. Kayky foi vendido ao Manchester City como um par de sacas de soja. Nem tempo para leilão houve. Kayky deixará o Fluminense como o mais jovem a defender as fileiras tricolores na Libertadores da América. Não tão novo para ser vendido. Qualquer tricolor se orgulha dos aluviões de ouro que tem Xerém. Mas no Brasil ouro não se vê, muito menos se observa. É commodity que vai embora mesmo sem ser fundida. Kayky provavelmente deixará o Fluminense sem ter entrado em campo no Maracanã uma vez sequer diante dos tricolores. Sem ser saudado por pó de arroz. Sem escutar que amar o Fluminense é a nossa raiz.

Ele não é o primeiro a deixar, imberbe, o Fluminense. João Pedro, por exemplo, mal podia tirar a carteira de habilitação quando se despediu. Como Kayky, havia sido comprado pelo Watford antes da maioridade. Com o Watford caiu, mas com o Watford subiu. Inclusive, como protagonista. Foram nove gols roubados do Maracanã. Mas os bandeirantes inglês não foram os primeiros a invadir Xerém. Já vieram de Florença, Roma e Bérgamo. Até de Lisboa desembarcaram, depois de 500 anos, para levar Wendel. E Kayky não será o último. Já se faz contas nas Laranjeiras com o dinheiro de Metinho.

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Kayky e Metinho, ao que tudo indica, terão sortes distintas na roleta russa do City Football Group. O futuro é um jogo de azar entre Lommel e Girona. A holding, que administra outras subsidiárias além do Manchester City, promete de pés juntos manter Kayky em Manchester. Mas já se comenta por aí que Metinho passará uma temporada em Troyes, na França. Ao menos a região de Champagne-Ardenne é mais charmosa que o noroeste inglês. Não há quem me convença que qualquer destino que não seja levar o setor esquerdo do Flamengo a pedir clemência como fez contra o Nova Iguaçu fosse melhor para Kayky.

É certo que a carreira de um jogador profissional é curta. Assim como ganhar em libra faz com que receber em real seja um brincadeira como banco imobiliário. Mas é melancólico que a saída de Kayky soe daqui a alguns anos apenas como uma efeméride. Que a passagem seja tão fugaz quanto um amor de verão na adolescência. Até porque o Fluminense goza de uma tradição que poucos clubes reivindicam. Apenas o Santos. Qualquer criança mirrada de Xerém dispensa ritos litúrgicos de adaptação ao elenco profissional. Nem bênção pede. Vista a 37, vista a dez. Mas o Tricolor venderá Kayky para pagar Lucca. Se um dia voltar, vestirá a sete.

Gabriel Ferreira Borges

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