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Lista nacional de espécies ameaçadas é atualizada e inclui plantas da Zona da Mata; veja quais

Entre as espécies com ocorrência na região, cinco estão classificadas como vulneráveis e três em perigo de extinção; biólogo reforça importância da conservação da Mata Atlântica


Por Nayara Zanetti

31/10/2026 às 06h00

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Palmeira-juçara é conhecida por produzir o produzir o juçaí, também chamado de açaí da Mata Atlântica. (Foto: Helcio-Lavall/Jardim Botânico UFJF)

A atualização da Lista Nacional Oficial de Espécies da Flora Ameaçadas de Extinção, publicada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima na última quarta-feira (28), inclui pelo menos nove espécies com ocorrência na Zona da Mata mineira. Entre elas estão árvores como o jequitibá-rosa, o cedro e a braúna, além do palmito-juçara, espécie importante para a alimentação da fauna nativa. Para o biólogo Breno Motta, a presença dessas plantas na lista evidencia a importância da conservação dos remanescentes de Mata Atlântica na região.

A nova lista foi estabelecida pela Portaria GM/MMA nº 1.783, assinada em 26 de outubro e publicada no Diário Oficial da União no dia 28. O documento substitui a relação de 2022 e reúne 3.730 espécies avaliadas, ante 3.209 na versão anterior. O especialista explica que o aumento de 521 registros, equivalente a cerca de 16,2%, não significa necessariamente que todas essas espécies tenham passado a correr maior risco: a diferença também pode envolver alterações na nomenclatura e nas classificações.

“Cada espécie representa diferentes níveis de ameaça à sobrevivência das populações naturais. A atualização das listas é fundamental para orientar políticas públicas, pesquisas científicas e ações de conservação”, avalia, à Tribuna de Minas.

Entre as plantas com ocorrência na Zona da Mata estão cinco classificadas como vulneráveis e três em perigo de extinção. A categoria vulnerável (VU) indica alto risco de extinção na natureza, enquanto a classificação em perigo (EN) representa um risco muito alto.

Espécies dependem da conservação das florestas

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Exemplar de pau-brasil, no Jardim Botânico (Foto: Breno Motta)

As nove espécies são o palmito-juçara (Euterpe edulis), a embira-branca (Trigynaea oblongifolia), o breu (Trattinnickia ferruginea), a garapa (Apuleia leiocarpa), o jacarandá-da-bahia (Dalbergia nigra), a braúna (Melanoxylon brauna), o jequitibá-rosa (Cariniana legalis), o cedro (Cedrela fissilis) e o pau-brasil (Paubrasilia echinata).

De acordo com Motta, que também é diretor do Jardim Botânico da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), a sobrevivência dessas espécies está relacionada à conservação dos ambientes naturais em que ocorrem. Na Zona da Mata, os registros estão associados principalmente a remanescentes de Floresta Estacional Semidecidual, formação vegetal da Mata Atlântica que originalmente ocupava extensas áreas da região.

A perda e a degradação desses ambientes estão entre as principais ameaças à flora nativa. Como explica o biólogo, o desmatamento para a expansão urbana, a abertura de áreas para atividades agropecuárias, a mineração e a implantação de empreendimentos podem reduzir e fragmentar as florestas, isolando populações vegetais e dificultando sua reprodução.

Além disso, ele também reforça que a exploração de madeira predatória também pressiona espécies como o jacarandá-da-bahia, a garapa, a braúna e o cedro. Já o palmito-juçara sofre com a extração ilegal, que geralmente provoca a morte da planta, pois seu corte elimina o único ponto de crescimento do caule.

“Incêndios florestais, invasão de espécies exóticas e falta de fiscalização também pressionam os fragmentos florestais, especialmente em áreas urbanas e periurbanas. Em Juiz de Fora, essas ameaças tornam ainda mais importante a conservação dos fragmentos florestais”, afirma o especialista.

Desaparecimento de plantas afeta a fauna

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Fruto do palmito-juçara no Jardim Botânico. (Foto: Helcio-Lavall/Jardim Botânico UFJF)

Segundo Motta, o desaparecimento de plantas ameaçadas da Zona da Mata mineira pode provocar desequilíbrios em toda a cadeia ecológica. A conservação dessas espécies, no entanto, não se limita à manutenção da diversidade vegetal. As plantas também desempenham funções importantes para o equilíbrio dos ecossistemas, oferecendo alimento e abrigo à fauna e contribuindo para a regeneração das florestas.

O palmito-juçara, por exemplo, produz frutos consumidos por diferentes espécies de aves e mamíferos. Sua redução pode comprometer a disponibilidade de alimento e afetar as interações ecológicas que contribuem para a dispersão de sementes. Outras plantas também fornecem recursos essenciais a polinizadores, como abelhas e borboletas, e participam dos processos de recuperação natural da vegetação.

“Com menos alimento e abrigo, animais podem desaparecer de determinados ambientes, prejudicando outras interações ecológicas. Forma-se, assim, um efeito em cadeia que ameaça a biodiversidade e a capacidade de recuperação dos fragmentos florestais”, complementa.

Em Juiz de Fora, áreas protegidas como o Jardim Botânico da UFJF e a Mata do Krambeck têm papel importante na conservação da flora regional. A presença de espécies ameaçadas nesses remanescentes reforça a necessidade de proteger os fragmentos florestais e manter as condições ambientais necessárias à sobrevivência das populações naturais.

Proteção e recuperação de áreas naturais

Entre as medidas necessárias para conservar a flora ameaçada, apontadas pelo diretor do Jardim Botânico, estão o combate ao desmatamento e à extração ilegal de madeira, a recuperação de áreas degradadas com espécies nativas e a conexão entre fragmentos florestais isolados. A conservação de sementes e a produção de mudas também podem contribuir para projetos de restauração ambiental.

 

Para a Zona da Mata, o desafio é transformar o reconhecimento do risco de extinção em medidas que preservem esses ambientes. “A integração entre Poder Público, universidades, proprietários rurais e sociedade é essencial. Mais do que plantar árvores, é preciso conservar os ambientes onde essas espécies vivem e os processos ecológicos que garantem sua perpetuação”, destaca.

Veja a lista com as espécies ameaçadas na região  

  • Euterpe edulis — palmito-juçara. Categoria: VU (Vulnerável). 
  • Trigynaea oblongifolia — Embira branca. Categoria: EN (Em perigo).
  • Trattinnickia ferruginea — breu. Categoria: EN (Em perigo). 
  • Apuleia leiocarpa — garapa. Categoria: VU (Vulnerável). 
  • Dalbergia nigra — jacarandá-da-bahia. Categoria: VU (Vulnerável). 
  • Melanoxylon brauna — braúna. Categoria: VU (Vulnerável). 
  • Cariniana legalis — jequitibá-rosa. Categoria: EN (Em perigo).
  • Cedrela fissilis — cedro. Categoria: EN (Em perigo). 
  • Pau-brasil (Paubrasilia echinata). Categoria: CR (Criticamente em perigo)
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