Moradores questionam abandono de área destinada ao Parque Municipal Poço D’Anta
Anunciada em 2023, unidade ainda aguarda conclusão do Plano de Manejo; moradores relatam mato alto e cobram estruturação do espaço

Moradores de Juiz de Fora questionam as condições de conservação da área destinada ao Parque Natural Municipal Poço D’Anta, localizado no Bairro São Benedito, Zona Leste da cidade. Com relatos de mato alto e falta de manutenção, o espaço é visto pela comunidade como abandonado, enquanto a população aguarda a implantação do parque e a possibilidade de contar com uma nova área de lazer e contato com a natureza.
A criação da unidade foi sancionada em maio de 2024, quase um ano após o início da tramitação do projeto na Câmara Municipal. Em junho de 2023, a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) havia encaminhado ao Legislativo uma proposta para transformar a Reserva Biológica Municipal Poço D’Anta, criada em 1982, em Parque Natural Municipal. A mudança foi prevista com o objetivo de conciliar a preservação dos ecossistemas naturais com atividades de lazer, recreação, ecoturismo e educação ambiental.
Desde então, a expectativa é que o local seja estruturado para receber visitantes, com medidas que garantam a preservação ambiental e o uso adequado da área, que tem um total de 277 hectares. No momento, o espaço tem sido utilizado pela Empresa Municipal de Pavimentação e Urbanidades (Empav) para o cultivo de plantas destinadas ao plantio em praças, canteiros e trevos da cidade, e é chamado de Horto Florestal.
Em resposta à Tribuna, a Prefeitura informou que a implantação do parque está em fase de conclusão do Plano de Manejo. O Executivo disse que o trabalho técnico já foi elaborado e será submetido à consulta da comunidade. Somente após a finalização dessa etapa serão definidas as intervenções necessárias e o cronograma de abertura do espaço à população.
De acordo com o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Snuc), o Plano de Manejo de uma unidade de conservação deve ser apresentado em até 5 anos a contar da data de criação do espaço. Sendo assim, no caso do Parque Poço D’Anta, o prazo pode se estender até 2029.
Moradores relatam aumento da vulnerabilidade
Além da expectativa pela implantação do parque, moradores da região relatam preocupação com as condições atuais da área, que já é utilizada pela população do bairro e do entorno para caminhadas.
Um morador, que pediu para não ser identificado, afirma que a retirada do vigia aumentou a sensação de vulnerabilidade no local. Segundo ele, também foram registrados danos ao gradil de proteção e às estruturas de sustentação ao longo da Estrada Athos Branco da Rosa, onde fica o parque.
O morador ainda aponta o aumento do descarte irregular de lixo nas encostas, que, para ele, poderia ser resolvido com projetos de educação ambiental. Por isso, ele reforça que a participação da população é fundamental para o futuro do parque, inclusive para ampliar o conhecimento da comunidade sobre a transformação da área. Ele avalia que muitos moradores ainda desconhecem o processo de mudança da unidade de conservação.
Proteção e manutenção da área
A PJF informou que, desde 2024, promove ações de proteção do espaço, incluindo a recuperação do cercamento e medidas para coibir acessos irregulares, pesca e caça. Segundo a administração municipal, os serviços de manutenção também são realizados regularmente. No dia em que a Tribuna visitou o lugar, um homem foi flagrado praticando pesca em local proibido.

O Plano de Manejo é de responsabilidade da Secretaria de Sustentabilidade em Meio Ambiente e Atividades Urbanas (Sesmaur) e deverá reunir o diagnóstico, o planejamento e o zoneamento da unidade, orientando as ações de conservação e a futura estruturação do parque.
Ainda não há previsão de data para a abertura do espaço. De acordo com a Prefeitura, o cronograma será definido após a conclusão do Plano de Manejo e da consulta à comunidade.













