Inova JF: Como abrir uma empresa e empreender em tempos de crise?
Para tirar as ideias do papel e formalizar seu negócio existem alguns passos fundamentais, que não podem ser esquecidos na hora de lançar seu empreendimento

Fonoaudióloga há 11 anos e experiente no ramo em Juiz de Fora, Nathalia Oliveira de Andrade Cid decidiu abrir, juntamente com dois sócios, Tiago Toledo e Samuel Lopes, um centro de treinamento, reabilitação e saúde. Em meio à pandemia, a empresária percebeu que era o momento ideal para começar seu negócio. Multifuncional, o Espaço Santé vai oferecer pilates, fonoaudiologia, musculação, psicologia, fisioterapia e nutrição. “Ao invés da gente desanimar, foi o contrário, tivemos mais tempo para pensar, elaborar e planejar. Começamos a ver o comportamento das pessoas e buscar o que elas precisavam, aí as coisas foram acontecendo. Nosso empreendimento se duplicou, conseguimos aumentar o número das salas e nosso espaço foi crescendo“, afirma a fonoaudióloga.
A maior dificuldade, segundo Nathalia, foi o medo do novo e, com o auxílio dos sócios, ela conseguiu se planejar e lançar a empresa. “Antes de nos paralisar, nós decidimos turbinar a proposta inicial. Por isso espero que a gente consiga receber as pessoas e encontrar soluções para todas as demandas, além de oferecer um atendimento com excelência em nosso espaço humanizado. Para cuidar, não só da saúde física, mas da mental também”, conta a empresária.
Assim como Nathalia, muitos brasileiros estão iniciando seus próprios empreendimentos. Segundo o boletim quadrimestral “Mapa das Empresas”, do Ministério da Economia, a atividade empreendedora voltou a crescer. De acordo com a pasta, em junho, mais de 264 mil empresas foram criadas no Brasil. Foram cerca de 61 mil a mais do que no mês anterior e por volta de 22 mil a menos do que em março, antes da quarentena. Ser dono da sua própria marca é o sonho de muita gente e, para isso ser efetivado, é necessária muita pesquisa antes de começar a empreender.

Com a quarentena, muitas pessoas acharam que não seria o momento ideal para abrir um negócio, mas conforme explicou a contadora e proprietária do escritório ORG Assessoria Contábil, Ludmila Fernandes Assis, focar nas necessidades dos consumidores é uma ótima oportunidade para quem deseja iniciar seu empreendimento. “Podemos enxergar este momento, como uma oportunidade para aperfeiçoar nossos negócios. Com preparação e planejamento é possível sobreviver à recessão. Os momentos de crise servem também para nos fortalecer e, consequentemente, melhorar a nossa empresa”, conta.
Para Ludmila, empreender durante o isolamento pode parecer um desafio, mas definindo muito bem o seu nicho, é possível obter êxito. “Este período foi e está sendo muito desafiador para todos, principalmente para as pequenas empresas. Desde o inicio, nós da ORG Assessoria Contábil orientamos nossos clientes a se reinventarem, a definir qual é seu público alvo neste momento, ou seja, aquele que não foi tão afetado financeiramente e teria chance de continuar consumindo seu produto ou serviço. Nós incentivamos os clientes a investir nas vendas e divulgações online”, explica.
Ao tirar a ideia do papel, algumas questões começam a surgir e, é nessa hora, que é imprescindível manter os pés no chão, afinal, ter um bom planejamento é fundamental para o sucesso do seu empreendimento. Além de ter em mãos o planejamento detalhado para a abertura e crescimento da empresa, há alguns processos burocráticos que precisam ser feitos por um profissional de contabilidade qualificado. A dica da contadora é, que ao começar o negócio, opte por algo que você se identifique. “Na abertura de uma empresa, a escolha do ramo de atuação é muito importante, tem que ser algo que te dê prazer, algo que faça você acreditar no potencial dele. Sempre com organização, ânimo e persistência”, sugere.
Hora de empreender
Para regularizar a situação dos profissionais informais, existe a categoria Microempreendedor Individual (MEI). Ao se cadastrar, o empreendedor garante o CNPJ e, passa a contar com alguns benefícios, que o ajudam no negócio. Em Juiz de Fora, segundo dados fornecidos pelo Sebrae MG, de fevereiro a julho de 2020, cerca de 2.657 autônomos se tornaram MEI. De acordo com analista do Sebrae Minas, Gustavo Magalhães, a grande vantagem do programa é ter uma modalidade simplificada na prestação de conta fiscal. “O empresário que abre o MEI, vai pagar, aproximadamente, R$52 por mês e todas as despesas de impostos vão estar envolvidas. Mesmo que ele não movimente a empresa, ele precisa pagar mensalmente esse boleto, o que permite a seguridade social. Além disso, o MEI atende uma infinidade de categorias, entre comércio, indústria e serviços”, conta.
Segundo Gustavo, para fazer parte da categoria de MEI, o empresário não pode ter faturamento maior do que R$ 81 mil por ano e só pode contratar um funcionário. Caso o faturamento seja superior a esse valor, o MEI será convertido em micro, pequena, média ou grande empresa, dependendo do valor faturado no ano. Através deste link, você encontra mais informações sobre o procedimento e como se tornar um Microempreendedor Individual. Para abrir uma empresa, é necessário uma série de documentos que são fundamentais, como certificado digital dos sócios, cópia do documento com foto dos sócios, CPF e espelho do IPTU de imóvel comercial em que a empresa irá funcionar.









