INFLUÊNCIA DE PESQUISAS
Uma questão recorrente em períodos eleitorais é a influência das pesquisas na decisão do eleitor. Influenciam, mas há pontos a serem considerados em determinados cenários de campanha. Segundo o cientista político Raul Magalhães, da UFJF, uma informação sempre ajuda a tomar uma decisão como, por exemplo, votar, sobretudo quando não é contestado. É sabido que eleitores indecisos tendem a se alinhar com o grupo majoritário. Assim, um simples dado de pesquisa apontando claramente um vencedor tende a agregar votos de última hora. Ele enfatiza, porém, que essas tendências não valem se a eleição estiver muito disputada e se as pesquisas estiverem sob o fogo do debate. Citando o exemplo de São Paulo, o professor observou que os institutos Ibope e Datafolha estão divergindo, o que leva a diminuir seu impacto como persuasão. Os dois principais institutos de pesquisa têm uma leitura distinta sobre quem vai para o segundo turno com Celso Russomano: para o Ibope, José Serra está na frente, enquanto, para o Datafolha, a segunda posição é de Fernando Haddad. Ambos, porém, oscilam dentro da margem de erro.
Voto útil
Outro fenômeno próprio de pesquisa é o voto útil, aquele em que o eleitor vota para ganhar, escolhendo, portanto, o candidato mais bem situado nos levantamentos. Raul Magalhães tem uma leitura própria sobre esse fenômeno. O voto útil é uma figura de eleição em um turno só, ou somente de segundo turno, quando o eleitor mais politizado pode calcular quem é menos pior para o futuro quadro político que lhe interessa. No caso de primeiro turno competitivo, não há como emplacar, pois o que interessa a cada grupo é aumentar o cacife do seu candidato, inclusive para negociar o segundo turno.
Em campanha
O governador Antonio Anastasia começou ontem mesmo um périplo por municípios da Zona da Mata. Vindo de Visconde do Rio Branco, ele desembarcou no final da tarde em Juiz de Fora, pernoitando na região. Hoje, ele participa de evento de apoio ao candidato tucano Custódio Mattos, às 10h, na quadra do Real Grandeza. Já os candidatos Margarida Salomão (PT) e Bruno Siqueira (PMDB) farão ato no Centro, incluindo o Calçadão da Halfeld, ponto de maior concentração dos militantes, especialmente neste penúltimo sábado antes do pleito.
Tem pressa
A ministra Carmem Lúcia, presidente do Superior Tribunal Eleitoral, ainda não jogou a toalha, mas já admite que o TSE não terá tempo suficiente para analisar todos os recursos que estão em sua pauta antes das eleições do próximo domingo. Os ministros estão realizando sessões extras, mas o volume de ações continua em curva de crescimento, após encaminhamento dos tribunais regionais eleitorais. A preocupação da ministra é a mesma dos partidos: muitos candidatos vão disputar o pleito sub judice, gerando uma insegurança para os demais na questão do voto proporcional.
Influências
O problema é a elaboração do coeficiente eleitoral, feito com base nos votos válidos. Se um candidato for impugnado após a realização do pleito, seus votos serão anulados, provocando a recontagem dos votos com a consequente elaboração de novo coeficiente. Com isso, haverá sempre a possibilidade de a lista definitiva dos eleitos para a Câmara ser formada somente depois do julgamento de todos os recursos. Em Juiz de Fora, a situação é mais emblemática pelo fato de o candidato Alberto Bejani, que recorreu ao TSE, ser um puxador de voto expressivo, cuja votação reflete nas chapas.





