David Alcolumbre convoca sabatina e reduz prazo de articulação de Jorge Messias

Apesar da decisão do presidente do Senado, David Alcolumbre, o governo, mesmo com uma eventual rejeição, não irá indicar o senador Rodrigo Pacheco para o STF

Por Paulo Cesar Magella

A decisão do senador David Alcolumbre em marcar já para o dia 11 a sabatina do Advogado-Geral da União, Jorge Messias, indicado pelo presidente Lula ao Supremo, foi vista como uma estratégia para reduzir o tempo de articulação do indicado para aprovação em plenário. O Governo, por sua vez, não tem plano B. Mesmo se Messias for rejeitado, o presidente Lula não indicará o senador Rodrigo Pacheco, com quem insiste para a disputa ao Governo de Minas.

Pacheco continua sendo a primeira opção do Partido dos Trabalhadores para disputar o Governo de Minas. O ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalill, é a segunda. Ele se encontrou na noite de terça-feira com o presidente nacional do PT, mas foi apenas uma conversa de prospecção. Como foi convocado pelo presidente Lula para a solenidade de sanção do projeto que isenta o Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, ele retornou a Brasília, adiando o café da manhã que teria com os petistas de Minas Gerais, entre eles a prefeita Margarida Salomão. Ela passou a terça-feira em São Paulo, em encontro com empresários, como desdobramentos de sua viagem à China.

Rodrigo Pacheco continua sendo a opção para o Senado, mas Kalill entra no páreo a despeito das preocupações petistas como seu modo de atuar. Ele tem dificuldades em receber orientação, é impaciente com os eleitores e é difícil até no trato com os jornalistas, mas ele também sabe que sem o PT terá sérios problemas, por conta de a polarização – que o desagrada – ainda ser um dado real para as eleições de 2026. As prefeitas Margarida Salomão e Marília Campos, de Contagem, são citadas frequentemente pelos petistas. No entanto, a prefeita de Juiz de Fora já disse, por mais de uma vez, que vai até fim do mandato, pois foi o que prometeu em campanha. Já Marília tem predileção pelo Senado.

Marília Campos também se preocupa em deixar o mandato e impõe condições até mesmo para o Senado. A principal delas é ser candidata única, embora duas vagas estejam em jogo. Ela teme dividir votos com outro nomes, especialmente o ministro da Minas e Energia, Alexandre Silveira, que deve, de novo, tentar uma vaga no Senado, como ocorreu em 2022, quando ficou atrás de Rodrigo Pacheco e Carlos Viana.

Alexandre da Silveira também tem pendências. A primeira é o partido. Hoje ele é filiado ao PSD, que estará no palanque da oposição. Também terá que superar uma dúvida que ele próprio criou ao admitir a possibilidade de uma disputa “Lumões”, isto é, Lula em articulação com Mateus Simões (PSD), como ocorreu com o Lulécio, dobradinha com Aécio Neves. A proposta desagradou petistas de todas as tendências, já que Simões é ligado ao governador Romeu Zema, hoje um dos principais críticos do presidente. Em nota, o Bloco Democracia e Luta disse que o ministro “demonstra um certo desconhecimento do posicionamento político e das intenções de um adversário que age de forma nociva aos interesses do Estado”. O Bloco destaca ainda que Simões é um “opositor implacável não só contra o presidente, mas, principalmente, contra o povo mineiro”. E aí cita a possível venda de ativos do Estado como Copasa, Cemig, Codemig e Gasmig.

 

Paulo Cesar Magella

Paulo Cesar Magella

Sou da primeira geração da Tribuna, onde ingressei em 1981 - ano de fundação do jornal -, já tendo exercido as funções de editor de política, editor de economia, secretário de redação e, desde 1995, editor geral. Além de jornalista, sou bacharel em Direito e Filosofia. Também sou radialista. Meus hobbies são leitura, gastronomia - não como frango, pasmem - esportes (Flamengo até morrer), encontro com amigos, de preferência nos botequins.E-mail: [email protected] [email protected]

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