ABAIXO DE…
Quando os vereadores voltarem do recesso de meio de ano, é bem provável que entre na pauta da Câmara um projeto de autoria do vereador Rodrigo Mattos (PSDB), que tem tudo para ser polêmico. Ainda em fase de elaboração, ele pretende estabelecer que nenhum salário de servidor do Executivo pode ser maior do que o do prefeito, valendo a mesma regra no Legislativo, em que todas as remunerações devem ser iguais ou abaixo do que ganha um vereador. Ele não tem números sobre os atingidos, mas, com a Lei de Transparência, ora em vigor tanto na Prefeitura quanto na Câmara, é possível fazer o levantamento. Tais vencimentos, na maioria das vezes, são resultado de acúmulos de função no decorrer da carreira, quinquênios e decênios e outros benefícios que acabam incorporados ao vencimento. Como a versão final do texto ainda não foi apresentada, não se sabe como essa questão será tratada e qual será a reação dos demais vereadores, a quem caberá votar a matéria, quando chegar às comissões e, posteriormente, ao plenário.
Voz das ruas
A queda do prestígio da presidente Dilma na pesquisa feita pelo Ibope, em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), não chega a surpreender, pois segue tendências de outros levantamentos, como os do Datafolha e da Confederação Nacional de Transporte. As manifestações de junho afetaram duramente as instâncias executivas, por conta de seu papel de gerenciar demandas coletivas. A presidente (veja os números em Política) não caiu sozinha. Vários governadores estão ladeira abaixo a um ano da renovação de seus mandatos.
Despencou
Embora não possa tentar a reeleição, pois já está no segundo mandato, o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), foi o mais atingido. Sua popularidade chegou a apenas 12%, o que, hoje, o deixaria sem condições de fazer o sucessor, no caso, o atual vice-governador Luiz Fernando Pezão. Quem ganha pontos é o senador Lindbergh Farias (PT), que está batendo de frente com o Cabral desde o início do ano para ter o apoio do Planalto. Ele, no entanto, pode ter problemas, já que há denúncias envolvendo o período em que foi prefeito de Nova Iguaçu.
Indo bem
Entre os governadores tucanos, o mineiro, Antonio Anastasia, com 36%, é o segundo mais bem avaliado, ficando atrás do paranaense Beto Richa. Nos dois casos, há espaço para avaliações sobre o pleito do ano que vem. Anastasia, que não pode disputar a reeleição, continua cotado para ser candidato a senador, mas ele resiste à ideia, sob o argumento de ter vocação para o Executivo, e não para ser parlamentar. No Sul, o tucano Richa está virando o jogo, pois, no ano passado, mesmo com a chave do cofre, não conseguiu, sequer, eleger o prefeito de Curitiba.
Paradoxos
A pesquisa mostra também os paradoxos da política. O governador mais bem situado nos números é o pernambucano Eduardo Campos (PSB), com forte espaço na mídia por conta de sua pré-candidatura à Presidência da República. No entanto, é no Ceará, estado também governado pelo seu mesmo partido, que a presidente Dilma Rousseff tem sua melhor avaliação. O governador Cid Gomes e seu irmão, o ex-ministro Ciro Gomes, não escondem sua resistência à candidatura de Eduardo, preferindo ficar na trincheira que defende a reeleição da presidente.




