
Levantamento divulgado pela Genial/Quaest nesta semana trouxe um dado que vem sendo observado com atenção nos bastidores da política: as redes sociais já aparecem como principal fonte de informação política para os brasileiros. Segundo a pesquisa, 39% dos entrevistados afirmaram se informar por meio das plataformas de mídias sociais, enquanto a televisão aparece atrás, com 35%.
Para a doutora em Comunicação pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Mayra Coimbra, o dado indica um processo de transformação no sistema informacional do país. “Os números não revelam tanto uma ruptura completa, porque a TV ainda continua ali, dentro de uma zona de proximidade, mas acredito ser um processo gradual de reconfiguração do sistema informacional”, avalia.
Segundo a pesquisadora, o Brasil caminha para um ambiente comunicacional híbrido. “Diferentes plataformas coexistem e se complementam na circulação de informações políticas”, aponta.
Consequência
Nesse contexto, ela aponta que o desafio para partidos, candidatos e instituições será compreender como atuar em arenas distintas de comunicação. “Não se trata de republicar os mesmos conteúdos em diferentes plataformas, mas de entender que cada ambiente tem dinâmicas próprias de circulação, linguagem e engajamento”, exemplifica a pesquisadora.
Mayra também chama atenção para um efeito colateral desse cenário: o fortalecimento da segmentação informacional.
“Nesse ambiente (formado pelas mídias sociais), eleitores tendem a buscar conteúdos que confirmem suas crenças e posições ideológicas, criando um ciclo de reforço de preferências políticas. O efeito desse processo pode ser um enrijecimento das preferências políticas”, complementa a docente.
Ela continua: “Cada vez mais eleitores continuarão consumindo informações alinhadas às suas convicções, diminuindo a exposição a perspectivas divergentes e, consequentemente, reduzindo a probabilidade de mudança de opinião”.
“Se essa dinâmica continuar se consolidando, o risco é que o debate público se torne progressivamente mais fragmentado e radicalizado, alimentando um ciclo de polarização que se retroalimenta e se torna cada vez mais difícil de interromper”, finaliza.





