COMISSÃO DA VERDADE
A Câmara Municipal, no seu último dia de sessões do período, decidiu ontem que Juiz de Fora também terá uma Comissão Municipal da Verdade. O projeto é da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania, integrado com a comissão nacional. Na argumentação, foi explicitado que há necessidade de levantamentos em Juiz de Fora, sobretudo após ter sido divulgado em todo o país o depoimento da presidente Dilma Rousseff, no qual ela afirma ter sido torturada na cidade. Pelo projeto, a apuração abrangerá o período compreendido entre 1946 e 1982. Caberá ao Executivo regulamentar a matéria. Está estabelecido que o grupo terá caráter pluralista, sendo integrado por sete membros: um representante da Câmara, outro da Prefeitura, e os demais, nomeados pelo Poder Público entre brasileiros de reconhecida idoneidade e conduta ética, identificados com a defesa da democracia, bem como com o respeito aos direitos humanos. A apuração dos fatos deve ocorrer em seis meses, mas há a possibilidade de prorrogação por igual período. A comissão terá direito a recolher testemunhos, informações e documentos encaminhados de forma voluntária, além de requerer documentos de órgãos e entidades públicas.
Nos governos
Os membros da Comissão Nacional da Verdade começaram ontem a realizar audiências públicas pelo país afora, para ampliar e estimular a criação de comissões semelhantes nos executivos estaduais, assembleias legislativas e sociedade civil, com os quais pretende estabelecer convênios. Na semana que vem, o Rio Grande do Sul instala sua Comissão da Verdade e, ao lado de Pernambuco, será o segundo estado a criar um grupo ligado ao Executivo para subsidiar o nacional. Já há comissões também em São Paulo e Rio de Janeiro, mas de iniciativa das assembleias legislativas.
Impugnações
A impugnação da candidatura do ex-prefeito Alberto Bejani não causa surpresa, mas ainda há espaço para discussão, pois somente a partir da decisão tomada ontem é que serão julgados os argumentos e a própria defesa do candidato, a fim de se chegar a uma sentença de mérito. As representações contra o candidato se baseiam em diversas frentes, ora pelas contas de sua gestão, ora pela própria Lei da Ficha Limpa, que impede eleição de políticos que renunciaram ao cargo para evitar eventual cassação. Os autores entendem que foi isso que ocorreu em 2008.
Responsabilidade
O marqueteiro Flávio Valença vai coordenar o marketing da candidata Margarida Salomão, que ontem, em café da manhã com a imprensa, apresentou sua equipe. Em breve discurso, ela admitiu que será montada uma campanha com uma estrutura melhor do que a de 2008, quando foi derrotada no segundo turno. O candidato a vice, Roberto Maranhas, abordou a renovação, mas foi enfático ao apontar que seria uma renovação com responsabilidade, e não uma renovação qualquer. Interpretou-se como uma crítica ao PMDB, que terá também a renovação como mote de campanha.
Em campanha
Se o tempo permitir, o sábado no Calçadão deve ganhar cores eleitorais, ao contrário da semana passada, quando a campanha pelo voto estava apenas começando. Autorizados a pedir apoio desde o dia 7, os partidos e os políticos já estão melhor estruturados. A Halfeld pode até não dar votos, mas dá visibilidade, o que faz com que os políticos transformem o local em um ponto de encontro.Trata-se, também, de um espaço democrático, pois não há histórico de enfrentamentos entre militantes, mesmo na fase mais aguda da campanha, às vésperas das eleições.





