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Coluna 11 07:00:00-12-2011

Por PAULO CÉSAR MAGELLA

A insegurança que altera a rotina das escolas, fruto do enfrentamento de gangues, como apontou a Tribuna na última sexta-feira, faz parte de um cenário cuja solução não é encontrada no curto prazo, embora o clamor coletivo seja nesse sentido. Trata-se de um problema profundo, que envolve várias questões. Não basta dizer que os jovens se enfrentam apenas por conta do território, na velha discussão sobre o pertencimento, pois tal argumento, embora sólido, é insuficiente para explicar a insanidade que tomou conta das ruas. Este ano, dois adolescentes, ambos de 14 anos, foram mortos, tendo como autores – de acordo com os indícios – também adolescentes.

Mas é possível levar em conta fatores que extrapolam as divisas municipais, já que tais enfrentamentos não são uma característica local, mas próprios das metrópoles, cada vez mais partidas em categorias, classes sociais e outros fatores que provocam rupturas permanentes. Um deles é o papel da família, ponto vital em qualquer debate sobre como enfrentar o problema. A despeito da melhoria econômica do país, um dos focos é a desestruturação dos lares, onde falta linguagem para consolidar o relacionamento, repercutindo diretamente na formação dos adolescentes. Junte-se a isso o individualismo exacerbado pela internet, onde, paradoxalmente, se fala com o mundo, mas quase sempre no canto de uma sala ou na solidão do quarto. Já não se conversa em termos convencionais, ficando as mensagens cifradas como única comunicação. O Twitter amplia o desejo de se mostrar, mas cada um na sua.

Finalmente, é necessário apontar o papel do Estado com a educação. É, junto com a família, a âncora mais consistente para a formação dos jovens. Na medida em que amplia o conhecimento, o homem reduz a intolerância e passa a compreender melhor o outro. Hoje, num mundo onde os ideais foram para o ralo, diferente de outras épocas onde havia uma causa, entender é preencher os espaços vazios, pois só assim será possível dar sentido a uma existência, hoje sem um norte e, para parte desses atores, sem perspectiva.

CAMPANHA NAS RUAS

A reunião do prefeito Tarcísio Delgado com o seu grupo político, há uma semana, em seu sítio, foi considerada por alguns segmentos como o início da campanha eleitoral para a disputa da Prefeitura. Uma liderança, que conhece bem as ações do ex-prefeito e que também está no jogo há bom tempo, acentuou que quando o Tarcísio se movimenta é hora de todos irem para as ruas buscar o voto, pois o jogo começou a ser jogado. Na reunião com seu grupo, o ex-prefeito fez uma avaliação do cenário local e da postura do PMDB, cuja candidatura colocada é a do deputado Bruno Siqueira. Tarcísio vive o dilema de ter no páreo também o seu filho, o deputado Júlio Delgado, filiado ao PSB. Como sempre fez questão de enfatizar a fidelidade partidária – em 1986, na disputa pelo Governo de Minas, apoiou Newton Cardoso contra Itamar Franco por ser o primeiro seu correligionário -, ele estaria, agora, num impasse. Eu já vi o Tarcísio em várias situações e ele se saiu bem, mas acho que, desta vez, ele está numa das maiores encruzilhadas de sua vida política, ponderou.

Segundo turno

A campanha, oficialmente, só pode ocorrer a partir do ano que vem, mas, de fato, o ritmo das articulações cresceu acentuadamente nas últimas semanas e em todas as trincheiras, já que os partidos pretendem fechar o ano com algumas decisões tomadas. Com o recesso do Congresso, os parlamentares voltam às suas bases, dando margem para discussões mais prolongadas. Muitos dos pré-candidatos, já pensando num eventual segundo turno, não escondem nem mesmo o desejo de conversar com adversários da primeira etapa.

Para 2014

Outro dado que está sendo levado em consideração, sobretudo em cidades do porte de Juiz de Fora, é que a eleição para prefeito não se esgota em si mesma. Em jogo está também a sucessão presidencial e a do governo do estado, em 2014. Os partidos se articulam para conseguir espaço em colégios eleitorais expressivos, com mais de cem mil eleitores. Juiz de Fora, com quase 400 mil, está na lista de interesse especial tanto de governistas quanto da oposição, pois ambos sabem que o prefeito terá papel importante na campanha.

Sucessão

É também por conta do jogo de 2014 que muitos dados precisam ser jogados agora. A colocação do ministro Fernando Pimentel na alça de mira das denúncias pode ser uma ação do fogo amigo, em função da disputa de Belo Horizonte, mas é vista com grande interesse – ou até mesmo com colaboração – pelos adversários, já que hoje ele é o quadro mais cotado para suceder o governador Antonio Anastasia, que não pode disputar a reeleição. Enquanto isso, os tucanos, ora no poder, também precisam encontrar um nome capaz de mobilizar o eleitor.

Dois perfis

Enquanto no PT o ministro Fernando Pimentel é pule de dez, se sobreviver ao incêndio das consultorias, no PSDB, a solução não é tão simples. Em Belo Horizonte, principalmente, fala-se na possibilidade de o deputado Marcus Pestana, presidente do diretório estadual, ser o indicado, mas também está no páreo o vice-governador Alberto Pinto Coelho, filiado ao PP. Bem articulado e com trânsito em várias legendas, tem contra si o fato de não despertar a paixão do eleitor, principalmente das cidades-polo. Ele tem mais perfil de articulador político do que de gestor.

Tribuna

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Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade pelo seu conteúdo é exclusiva dos autores das mensagens. A Tribuna reserva-se o direito de excluir postagens que contenham insultos e ameaças a seus jornalistas, bem como xingamentos, injúrias e agressões a terceiros. Mensagens de conteúdo homofóbico, racista, xenofóbico e que propaguem discursos de ódio e/ou informações falsas também não serão toleradas. A infração reiterada da política de comunicação da Tribuna levará à exclusão permanente do responsável pelos comentários.



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A reunião do prefeito Tarcísio Delgado com o seu grupo político, há uma semana, em seu sítio, foi considerada por alguns segmentos como o início da campanha eleitoral para a disputa da Prefeitura. Uma liderança, que conhece bem as ações do ex-prefeito e que também está no jogo há bom tempo, acentuou que quando o Tarcísio se movimenta é hora de todos irem para as ruas buscar o voto, pois o jogo começou a ser jogado. Na reunião com seu grupo, o ex-prefeito fez uma avaliação do cenário local e da postura do PMDB, cuja candidatura colocada é a do deputado Bruno Siqueira. Tarcísio vive o dilema de ter no páreo também o seu filho, o deputado Júlio Delgado, filiado ao PSB. Como sempre fez questão de enfatizar a fidelidade partidária – em 1986, na disputa pelo Governo de Minas, apoiou Newton Cardoso contra Itamar Franco por ser o primeiro seu correligionário -, ele estaria, agora, num impasse. Eu já vi o Tarcísio em várias situações e ele se saiu bem, mas acho que, desta vez, ele está numa das maiores encruzilhadas de sua vida política, ponderou.

Segundo turno

A campanha, oficialmente, só pode ocorrer a partir do ano que vem, mas, de fato, o ritmo das articulações cresceu acentuadamente nas últimas semanas e em todas as trincheiras, já que os partidos pretendem fechar o ano com algumas decisões tomadas. Com o recesso do Congresso, os parlamentares voltam às suas bases, dando margem para discussões mais prolongadas. Muitos dos pré-candidatos, já pensando num eventual segundo turno, não escondem nem mesmo o desejo de conversar com adversários da primeira etapa.

Para 2014

Outro dado que está sendo levado em consideração, sobretudo em cidades do porte de Juiz de Fora, é que a eleição para prefeito não se esgota em si mesma. Em jogo está também a sucessão presidencial e a do governo do estado, em 2014. Os partidos se articulam para conseguir espaço em colégios eleitorais expressivos, com mais de cem mil eleitores. Juiz de Fora, com quase 400 mil, está na lista de interesse especial tanto de governistas quanto da oposição, pois ambos sabem que o prefeito terá papel importante na campanha.

Sucessão

É também por conta do jogo de 2014 que muitos dados precisam ser jogados agora. A colocação do ministro Fernando Pimentel na alça de mira das denúncias pode ser uma ação do fogo amigo, em função da disputa de Belo Horizonte, mas é vista com grande interesse – ou até mesmo com colaboração – pelos adversários, já que hoje ele é o quadro mais cotado para suceder o governador Antonio Anastasia, que não pode disputar a reeleição. Enquanto isso, os tucanos, ora no poder, também precisam encontrar um nome capaz de mobilizar o eleitor.

Dois perfis

Enquanto no PT o ministro Fernando Pimentel é pule de dez, se sobreviver ao incêndio das consultorias, no PSDB, a solução não é tão simples. Em Belo Horizonte, principalmente, fala-se na possibilidade de o deputado Marcus Pestana, presidente do diretório estadual, ser o indicado, mas também está no páreo o vice-governador Alberto Pinto Coelho, filiado ao PP. Bem articulado e com trânsito em várias legendas, tem contra si o fato de não despertar a paixão do eleitor, principalmente das cidades-polo. Ele tem mais perfil de articulador político do que de gestor.

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