VIA ALTERNATIVA
O deputado Júlio Delgado (PSB) já não esconde a intenção de encabeçar a chapa independente para enfrentar o peemedebista Henrique Eduardo Alves na disputa pela presidência da Câmara Federal. Ele tem conversado com vários interlocutores e avalia que a resposta tem sido positiva. Até mesmo deputados de partidos de maior porte estão interessados em acabar com o revezamento entre Partido dos Trabalhadores e PMDB. Mas dentro dessas mesmas siglas há dissidentes com interesses diversos, sobretudo por estarem fora das articulações. Henrique Alves, deputado pelo Rio Grande do Norte, foi líder do governo e coleciona mais de cinco mandatos. Sua ascensão à presidência é fruto do revezamento. Os dois primeiros anos da atual legislatura foram ocupados pelo PT, com o gaúcho Marcos Maia. Alguns petistas, no entanto, estão inconformados com a manutenção do PMDB também no Senado. O senador José Sarney, se ele próprio não efetuar nenhum movimento para continuar no cargo, deve ser substituído pelo também peemedebista Renan Calheiros, que já ocupou a presidência e foi obrigado a renunciá-la ante o escândalo com uma jornalista.
De volta
Terminou ontem a licença do engenheiro Cláudio Horta na presidência da Associação Comercial de Juiz de Fora. Como é também presidente da Cesama, ele se licenciou do cargo para evitar conflitos de interesses da entidade com a Prefeitura, já que exerce cargo de confiança do prefeito Custódio Mattos, que disputou a reeleição. Durante esse período, ele foi substituído pelo empresário Aloísio Vasconcelos, a quem, aliás, substituiu na presidência da entidade. Aloísio, na interinidade, promoveu debates com os candidatos a prefeito no primeiro e no segundo turno.
Tem tempo
O prefeito eleito, Bruno Siqueira, em virtude do feriado, deve anunciar sua equipe de transição só no início da semana que vem, mas já tem a maioria dos nomes na sua agenda, devendo apenas fazer ajustes no modo como o grupo vai operar, sobretudo nos detalhes de uma prefeitura do porte da de Juiz de Fora. Os grandes números, em boa parte, já são do seu conhecimento, como foi possível observar nos diversos debates entre os candidatos nos quais ele demonstrou pleno conhecimento da saúde do Executivo.
Pesquisas
Domingo, na hora do almoço, quando votou no Clube Bom Pastor, o deputado Júlio Delgado, assediado pelos repórteres, admitiu, ainda no começo da tarde, a vitória do candidato Bruno Siqueira, mas observou que se baseava em pesquisas. Por isso, disse que há um movimento no Congresso questionando a divulgação dos números às vésperas das eleições, pois eles podem induzir o voto. Ontem, essa preocupação se materializou . Pelo menos 225 deputados assinaram requerimento de criação da CPI das Pesquisas Eleitorais, formulado pelo líder do PDT na Câmara, deputado André Figueiredo.
Para o eleitor
Em suas considerações, o parlamentar disse que é preciso investigar as imprecisões e dados incorretos apresentados por pesquisas. Para ele, as diferenças dos números em vários municípios – não foi o caso de Juiz de Fora – são superiores à margem de erro que as próprias pesquisas apresentam, distorcendo a realidade das intenções do eleitorado. As pesquisas eleitorais são um fator importante na construção do voto do eleitor. O cientista político Paulo Roberto Figueira chama a atenção exatamente para esse dado. Para ele, a saída não é proibir a divulgação, e sim cobrar eficiência dos institutos.




